
Constelação familiar: crença ou revelação?
A Constelação nos mostra que padrões repetitivos são convites à consciência. E que, por trás de muitas travas, há lealdades invisíveis
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Você já se perguntou por que certas situações se repetem em sua vida, mesmo sem uma razão aparente? Sabe aquela sensação de carregar um peso que não te pertence, ou de viver uma história que parece não ser a sua? Acredite, você não está sozinho. Muitos de nós, em algum momento, sentimos que estamos presos em ciclos que não conseguimos entender, seja na carreira, nos relacionamentos ou na saúde.
Recentemente, participei de uma entrevista para um podcast sobre Constelação Familiar. O interesse foi tão grande que senti que era importante trazer esse tema para nossa coluna. Acredito que essa abordagem pode trazer um novo olhar para questões antigas e provocar compreensões que transformam a vida.
A Constelação Familiar é uma abordagem desenvolvida por Bert Hellinger que nos convida a observar os vínculos invisíveis que atuam em nossas vidas. O foco não está em buscar culpados ou em julgar o passado. O objetivo é revelar o que permanece oculto e trazer ordem aos sistemas dos quais fazemos parte. Somos, todos, parte de algo maior: uma rede de histórias, experiências, lealdades e silêncios familiares que, muitas vezes, repetimos sem perceber.
Muitas vezes, a resposta para desafios como estes está ligada a dinâmicas que atuam em nossa família, como uma herança emocional que carregamos:
Nos relacionamentos: pessoas que sempre escolhem parceiros indisponíveis, mesmo desejando um relacionamento saudável e duradouro.
Na carreira e finanças: profissionais competentes que vivem altos e baixos financeiros sem explicação aparente, como se o sucesso fosse algo proibido.
Na saúde: indivíduos que carregam sintomas semelhantes aos de um parente que sofreu muito, mesmo sem um diagnóstico médico claro.
No sucesso e sabotagem: pessoas que, diante do sucesso iminente, se sabotam, como se não merecessem ir além do que seus pais ou avós viveram.
Nos papéis familiares: filhos que, desde cedo, assumem a responsabilidade emocional pelos pais ou pelos irmãos, invertendo a ordem natural.
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A Constelação nos mostra que padrões repetitivos são convites à consciência. E que, por trás de muitas travas, há lealdades invisíveis: tentativas inconscientes de reparar o sofrimento de alguém da família, de permanecer fiel a uma história dolorosa ou até mesmo de dar voz àqueles que foram excluídos, como um aborto, uma adoção, um membro que foi esquecido pela vergonha ou pela vergonha de uma doença.
Cada sistema familiar guarda suas dores e silêncios. E o que não foi resolvido por uma geração pode ressurgir em outra como sintoma, repetição ou crise existencial. A Constelação não nega essas dores, ela as revela com respeito e nos ensina que, quando devolvemos simbolicamente a cada um seu lugar, abrimos espaço para que a vida flua com mais leveza.
É comum que, ao abordar esse tema, surjam perguntas como: “Constelação é religião?”, “É preciso acreditar para funcionar?”. Para um público que busca respostas práticas, é fundamental esclarecer: a Constelação não é religião, tampouco exige fé. É uma abordagem sistêmica, reconhecida como prática integrativa pelo Ministério da Saúde, utilizada por terapeutas, médicos, juízes, educadores e coaches em diversos contextos.
E como funciona? Em uma sessão, individual ou em grupo, trabalhamos com representantes simbólicos para acessar as informações do sistema familiar que atuam inconscientemente. Não é necessário levar familiares, tampouco reviver cenas traumáticas. O objetivo é ampliar a consciência, reorganizar o que estava desordenado e permitir que o amor volte a circular onde antes havia dor ou exclusão.
O maior presente da Constelação é este: ela nos convida a tomar a vida como ela é, com tudo o que veio antes, com tudo o que recebemos, mesmo que imperfeito. Ao nos reconciliarmos com nossa origem, ao reconhecer que nossos pais, com todas as suas limitações, nos deram o bem mais precioso, “a vida”, abrimos caminho para viver com mais inteireza.
Se você sente que está repetindo padrões, que há dores que não são só suas, ou que algo o impede de seguir em frente, talvez a Constelação possa ser uma porta de saída, não da família, mas do sofrimento inconsciente. Um caminho que não exclui a dor, mas a ressignifica. Que não busca respostas prontas, mas amplia perguntas mais verdadeiras.
Como dizia Bert Hellinger: “O amor cega. A ordem faz enxergar.”
Que possamos, cada vez mais, unir amor e ordem em nossos vínculos, para que o passado deixe de ser uma prisão e se torne aprendizado.
A Constelação oferece a oportunidade de, com respeito, reorganizar o passado para que a vida possa fluir. Como coach, terapeuta e consteladora, meu papel é te guiar nesse processo, para que você possa caminhar com leveza e seguir em frente.
Reinventar-se não é começar do zero, mas ressignificar o ponto de partida. É acolher nossa origem e dar um novo lugar às histórias que nos antecederam, sem negá-las e sem repeti-las cegamente.
A verdadeira mudança não começa fora; ela começa no instante em que decidimos olhar para dentro.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.