Fred Melo Paiva
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DA ARQUIBANCADA

Carta aberta a Eduardo Domínguez, amigo de Verón

É uma pena que não iremos nos conhecer melhor. Seis meses me parece pouco tempo para a ciência exata de sua pessoa jurídica

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Caro Eduardo Domínguez, barato não deve ter sido, seja bem-vindo a essa galoucura! Nunca tinha ouvido falar na sua pessoa, mas o equívoco é deste cronista que se limita ao Clube Atlético Mineiro, um vírus que ocupa 90% do meu cérebro e para o qual somos todos antivax. Os outros 10% ficam dedicados ao pagamento de boletos, motivo pelo qual só sei de Atlético. E ainda que o Estudiantes seja o Galo da Argentina, peço vênias por nunca o ter visto mais gordo.

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É uma pena que não iremos nos conhecer melhor. Seis meses me parece pouco tempo para a ciência exata de sua pessoa jurídica, seu jogo, sua forma de trabalhar. Menos ainda é tempo para saber de sua pessoa física. Vou me fiar em Verón, protagonista da inesquecível “Noite de um Sonho de Verón”, espetáculo de 2009. Se usted, Domínguez, és amigo de Verón, então és amigo de todo atleticano.

Seis meses, mi amigo. Ali por setembro você já deve ser demitido. A fritura começará antes, claro, pela via dos amansados. Essa é a regra. Torço para que você, Eduardo, seja a exceção a confirmá-la. Estatisticamente, já me parece mesmo a hora dessa excepcionalidade, visto que a regra já nos persegue há quatro anos. Quatro ânus.

De qualquer forma, este cronista que do futebol só conhece a arquibancada decidiu não se importar mais com o técnico. Não é dele a culpa, e desconfio que tampouco algum possível mérito. Depois dos 7 a 2 de outro dia, fiquei a pensar se não poderíamos reavivar a Democracia Corintiana, só que em versão extrema e radical: não haveria técnico, Domínguez, jogadores treinariam a si próprios e escalariam a si mesmos.

Como não há comando algum no nosso Galo, passaríamos a viver uma espécie de anarquismo ludopédico capaz de inspirar a sociedade para além das quatro linhas. Como velho punk, imaginei o Galo campeão e Minas Gerais tomada pela ideia revolucionária da autogestão. Com o tempo, deixaríamos de votar, consertaríamos nós mesmos as nossas calçadas. Ato contínuo, não aceitaríamos mais o limite das fronteiras, afinal imposições do estado sobre a nossa liberdade viajandona. Assim abriríamos o sonhado caminho para o mar, tomando pacífica e definitivamente Guarapari e região.

Veja usted, mi amigo, que já estou a viajar na maionese. O problema é que estão deixando a gente sonhar. Explico: muito embora o técnico seja vendido ao atleticano como figura central e indispensável, paradoxalmente não há qualquer respeito por suas habilidades. Estão a nos dizer de sua desimportância, cabe nós apenas acreditar.

Explico: desde 2022, o Galo não apenas troca de professor como se troca de roupa. Na verdade, o Galo ora se veste com o off-white dos cabelin pra trás, ora se bota em bermudão new wave, ora uma Ipanema, ora um Birkenstock, ora esporte fino, ora fantasia de carnaval.

É como se, tendo ido embora o Max Cavalera, o Sepultura cogitasse três possibilidades para substituí-lo: o Luiz Caldas, o João Gordo e o Xande de Pilares. E no ano e meio seguinte, todos os três fossem escolhidos. Nesse período, o Sepultura buscaria se adequar ao axé e ao samba, sem sucesso. Seria novamente o velho Sepultura com a chegada do João Gordo, mas, depois de desandar por motivos de força maior, viesse então a Maria Bethânia. “Sonho meu”, diria o Xisto, “sonho meu”.

No entanto, Eduardo, o futebol é uma caixinha de cerveja e você pode surpreender. Nos últimos tempos, foi uma caixinha de Kaiser morna. Que você chegue para o nosso churrasco trazendo um fardo de Heineken. Gelada, por favor.

Ouvi dizer, mi amigo, que saiu do Estudiantes porque não chegaram os reforços que você sugeriu. Bem, Domínguez, o espaço da coluna está acabando, e sobre isso melhor não tratarmos agora. Veja se o Sampaoli não deixou por aí a cadeira de plástico vermelha que ele ganhou no Alçapão do Bonfim. Pegue a senha e aguarde. Vai dar tudo certo!

(Se o Atlético ganhar do América amanhã, ficará ainda mais evidente a força revolucionária da Anarquia Atleticana. Guardemos a ideia para quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos. Gaaaaaaaalooo!!!)

Amplexos deste amigo de Verón.

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Ps. Domínguez, avise aos seus compatriotas que o Brasil escravizou 5 milhões de negros durante 350 anos, metade dos 10 milhões de africanos escravizados no mundo. Por isso prendemos racistas e, apesar da Virgínia, somos todos Vini Jr. E o argentino Prestianni não presta. Abs!

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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