América hostil

Declínio americano: Trump e ICE transformam os EUA em pesadelo turístico

Crise acelerada já custa bilhões em receita, com projeções de perdas ainda maiores ao longo do ano

Publicidade
Carregando...

O que era para ser o grande ano da recuperação do turismo nos Estados Unidos, com a Copa do Mundo da FIFA no horizonte, está se transformando em um colapso histórico. Políticas agressivas de imigração do governo Trump, ações intensificadas do ICE (Imigração e Alfândega) e uma onda de tarifas comerciais criaram uma imagem de país hostil, afugentando visitantes em massa. Dados oficiais e relatórios da indústria confirmam: os EUA já registram perdas significativas em 2026, com o número de turistas caindo rapidamente e receitas evaporando.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Em 2025, os Estados Unidos foram o único grande destino turístico mundial a registrar declínio em meio a um boom global. Enquanto o turismo internacional cresceu 4% no planeta (1,5 bilhão de viajantes, segundo o Barômetro da ONU), o país viu uma queda de 5,4% a 6% nos chegadas internacionais, segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC) . Isso representou cerca de 4,5 milhões de visitantes a menos em relação a 2024 (de 72,4 milhões para aproximadamente 67,9 milhões), com uma perda estimada em US$ 12,5 bilhões em gastos de turistas estrangeiros. Algumas análises, como da Oxford Economics e CNBC, falam em até US$ 30 bilhões.

O tombo não parou. Em janeiro de 2026, as visitas internacionais caíram mais 4,2% a 4,8% em relação ao mesmo mês de 2025, marcando o nono mês consecutivo de declínio. Projeções do WTTC indicam que políticas como a exigência de histórico de redes sociais para viajantes do Visa Waiver Program podem resultar em até 4,7 milhões de visitantes a menos ao longo de 2026, com perdas de até US$ 15,7 bilhões em gastos diretos e US$ 21,5 bilhões no PIB do turismo. O número de 1 milhão de turistas “perdidos” já no início de 2026, citado em análises preliminares, tende a crescer exponencialmente se a tendência se mantiver.

Julia Simpson, presidente e CEO do WTTC, disse: "Este é um chamado de atenção para o governo dos EUA. A maior economia de Viagens e Turismo do mundo está indo na direção errada, não por falta de demanda, mas devido à falta de ação. Enquanto outras nações estão estendendo o tapete de boas-vindas, o governo dos EUA está colocando o sinal de 'fechado'." Simpson continua: "Sem uma ação urgente para restaurar a confiança dos viajantes internacionais, pode levar vários anos para os EUA apenas retornarem aos níveis de gastos de visitantes internacionais anteriores à pandemia, nem mesmo ao pico de 10 anos atrás".

Vizinhos viram as costas

Canadenses e mexicanos, tradicionalmente os maiores mercados de turistas para os EUA (juntos representando mais de 50% das chegadas internacionais), são os mais afetados. 

Canadá: Queda brutal de 22% a 30% em 2025, com 4 milhões de visitantes a menos. Apenas no verão de 2025, foram 3 milhões de viagens canceladas. O impacto financeiro: US$4,5 bilhões a US$5,7 bilhões perdidos só com canadenses. Em janeiro de 2026, o tombo chegou a 28% em relação a janeiro de 2024. Companhias aéreas canadenses como WestJet e Air Transat cortaram rotas para os EUA, redirecionando voos para México, Caribe e até Paris. Motivo principal? Retórica de Trump sobre anexar o Canadá como “51º estado”, tarifas comerciais e medo de abordagens agressivas na fronteira.

México: Chegadas também caíram, com redução de gastos de turistas mexicanos nos EUA (dados da Reuters e WTTC). Enquanto isso, o México bateu recorde próprio em 2025, com 98,2 milhões de visitantes internacionais – muitos deles canadenses que desviaram do vizinho do norte.

Outros mercados (Europa, Índia, Austrália) também recuaram, com Alemanha e França registrando quedas expressivas.

Perdas de receita: hotéis vazios, empregos em risco e economia sangrando

O turismo internacional injetou US$254 bilhões na economia americana em 2024. Em 2025, o gasto caiu cerca de 7%, gerando um rombo bilionário. Cada 1% de queda representa US$1,8 bilhão em receita perdida. Somente de setembro/2024 a setembro/2025, o setor registrou queda de US$1,2 bilhão (5,5%), segundo a Unite Here, maior sindicato hoteleiro.

Em 2026, o cenário piora: hotéis na Flórida, Nova York e fronteira com o Canadá relatam vagas recordes; Las Vegas sente o baque. A indústria de turismo, que emprega milhões e gera bilhões em impostos, vê 157 mil empregos em risco apenas por uma política de checagem de redes sociais, segundo o WTTC.

Possíveis causas: ICE, tarifas e a imagem de hostilidade

Especialistas e relatórios (New York Times, Forbes, The Guardian, BBC) apontam diretamente para as ações do governo Trump:

Ações do ICE: Detenções de turistas em aeroportos, buscas em celulares e relatos de “violência do ICE” criaram medo generalizado. Turistas relatam cancelamentos após verem notícias de famílias detidas ou incidentes em cidades como Minneapolis. A percepção: “Não é mais seguro ir aos EUA”.

Tarifas comerciais: Anúncios de tarifas recordes (mesmo após decisões judiciais) e tensão com aliados como Canadá e México geraram boicotes e retaliações simbólicas. Canadenses, em particular, associam o clima econômico à hostilidade pessoal.

Outras medidas: Propostas de fiança de até US$15 mil para alguns vistos, taxa de “integridade” de US$250 e exigências de redes sociais reforçam a imagem de país desconfiado e pouco acolhedor.

Enquanto o resto do mundo celebra recuperação pós-pandemia (França com 105 milhões de visitantes, Espanha com 96,5 milhões em 2025), os EUA caem para terceiro lugar e perdem participação global (de 8,4% para menos de 5% hoje).

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

O “Trump Slump” ( “declínio Trump”) – como já é chamado pela imprensa internacional – não é apenas uma queda de números. É a materialização de uma política que prioriza muros e confrontos em detrimento de bem-vindos. Se nada mudar, 2026, ano da Copa do Mundo, pode ser lembrado não pela festa do futebol, mas pelo maior boicote turístico da história moderna americana. Os turistas procuram por destinos mais amigáveis. 

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay