"Não se explica, se vive": Neste lugar em Minas, coisas estranhas acontecem
Casos de OVNIs, gnomos, portais sagrados, lendas, feitiços e bruxaria são relatados por moradores e visitantes desse local incomum
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Siga noAmontoadas sobre o teto da pirâmide - uma casa de pedra no alto da colina - dezenas de pessoas esperam pelo espetáculo do dia. Com os olhos vidrados no horizonte, elas aguardam o pôr do Sol em dias claros, sem nuvens. O ritual, que se repete todos os dias, tem um misticismo no ar. Dizem: "no momento que o astro-rei toca o firmamento, um faixo de luz esverdeada e brilhante percorre, horizontalmente, toda a paisagem com uma energia surreal - que as pessoas chamam de a Hora Mágica".
No alto da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas, onde as nuvens se desfazem em fios de prata sobre rochas azuladas, São Thomé das Letras emerge como um paradoxo geológico. Suas ruas de quartzito, polidas por séculos de passos humanos, não são apenas pedras — são páginas de um livro escrito pela Terra.
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Cada lajedo guarda a memória de indígenas Puris que, há 4 milênios, gravaram símbolos indecifráveis, talvez um mapa estelar ou um tratado sobre o invisível. Hoje, turistas tocam essas inscrições como quem busca uma senha para o mistério.
A Igreja Matriz, erguida por mãos escravizadas no século 18, é um monumento à dualidade. Seu altar barroco, dourado pelo suor de artistas anônimos, contrasta com a pedra bruta das paredes. Nas vigas de cedro, ranhuras feitas por facas do tempo guardam nomes de escravizados — João, Francisco, Maria — escritos em letras trêmulas.
REFÚGIO MÍSTICO
Essas marcas são mais verdadeiras que qualquer documento: falam de homens que construíram santuários para deuses alheios enquanto seus próprios orixás ecoavam nas grutas.
À noite, quando os últimos visitantes partem, a cidade revela sua verdadeira face. O vento sopra das fendas do quartzito trazendo ecos de 1780: o tilintar de correntes, o canto em quimbundo sufocado pela serra, o gemido das rochas sob o peso da História. Nas encostas, luzes dançam — fenômenos que a FAB catalogou como "UA-1457", mas que os antigos chamam de "almas das pedras". Cientistas da USP mediram aqui emissões de infravermelho 300% acima do normal, talvez a assinatura energética de um continente adormecido que teima em não calar.
Nas manhãs de maio, durante a Festa do Rosário, o congado transforma a Praça da Matriz em um rio de cores. Homens, mulheres e crianças vestem mantos bordados com constelações e animais míticos, girando em uma dança que simula o movimento das placas tectônicas.
É a coreografia da resistência: cada passo ecoa o mesmo pulso que fez o quartzito emergir do fundo dos oceanos há 1,2 bilhão de anos. Os tambores rufam em 7/4 — ritmo que nenhum maestro ocidental inventaria, mas que é a cadência exata do coração da montanha.
A verdadeira magia de São Thomé está no que não é dito. Nas varandas das casas coloniais, moradores mais antigos observam turistas com um sorriso que guarda 12 gerações de segredos. Sabem que a água das cachoeiras, com seu lítio dissolvido, não é apenas "energizada" — é a memória líquida de estrelas que explodiram antes do Sistema Solar existir. Compreendem que os OVNIs registrados pela Força Aérea são menos importantes que a luz âmbar do entardecer, quando o quartzito irradia calor ancestral e as sombras das pedras projetam hieróglifos efêmeros no asfalto.
Esta cidade não é um lugar, mas um verbo. Não se contenta em existir — insiste. Insiste em brilhar quando a geologia diz que deveria erodir. Insiste em cantar quando a História preferiria seu silêncio. Nas fendas de suas rochas, onde o vento compõe sinfonias em dórico menor, São Thomé sussurra a verdade mais profunda: somos feitos do mesmo pó de estrelas que cimentou esses quartzitos. E como eles, carregamos inscrições invisíveis — marcas do tempo, da dor e da beleza — que algum dia, talvez, serão decifradas.
Lá, até o silêncio tem textura. É o peso das eras compactado em grãos de areia, o suspiro das montanhas que ainda se elevam 1,5 cm por ano, a respiração lenta de uma cidade que aprendeu a dialogar com o abismo. São Tomé não precisa de milagres — ela mesma é o milagre: a prova de que mesmo a pedra mais dura pode, com paciência geológica, transformar-se em poesia.
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Reposicionamento
São Thomé das Letras, um dos destinos turísticos mais místicos de Minas Gerais, inicia um novo ciclo de promoção e reposicionamento de sua imagem com o apoio do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG). Com o conceito "São Tomé das Letras – Onde você é o mistério", a cidade reforça sua vocação para o turismo de experiência, em que a natureza e a espiritualidade convergem, valorizando suas paisagens naturais, cultura ancestral e atmosfera de transcendência.
O plano, elaborado para destacar essa qualidade do município, baseia-se em uma identidade visual inspirada em elementos da região. A marca traz referências à arte rupestre, às texturas de pedra e aos núcleos que remetem ao pôr do Sol e às formações minerais, criando uma conexão imediata com o ambiente natural e a atmosfera mágica da cidade.
Na última terça-feira (1/4), representantes do Governo de Minas e da Secult-MG foram no município, onde se reuniram com o comércio turístico e a prefeitura para tratar essas ações voltadas ao aprimoramento do turismo local. O alinhamento de estratégias e a construção conjunta de propostas também levaram em consideração a importância da segurança dos visitantes, especialmente após os casos recentes de uso de substâncias psicoativas, a exemplo do chamado “brisadeiro”.
"Estivemos aqui analisando a situação do turismo da cidade, vendo o que é possível fazermos para juntos construímos um reposicionamento da imagem de São Thomé das Letras, a fim de atrair mais turistas, com mais qualidade, e, em breve, várias ações aparecerão dentro desse projeto, com uma nova marca que está para nascer”, sintetizou o secretário do Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas de Oliveira.
Campanha
Entre as principais ações da nova estratégia, está a campanha digital #SouSãoTomé, que contará com uma série de vídeos e conteúdos interativos, explorando relatos reais de visitantes e moradores. Além disso, influenciadores das áreas de espiritualidade, arte e slow living serão convidados a vivenciar e divulgar a experiência única que a cidade proporciona.
Outro grande destaque é o Festival Portais do Eu, um evento que reunirá música transcendental, espaços de cura e meditação, workshops de expressão sensível e palestras sobre espiritualidade e liberdade. A programação foi pensada para ampliar a conexão dos visitantes com sua própria essência, em um ambiente de troca e aprendizado.
Roteiros temáticos
A proposta de São Thomé das Letras também inclui a criação de roteiros temáticos voltados ao autoconhecimento e à exploração sensorial. Entre eles, destacam-se:
Roteiro Místico e Sensorial: inclui meditação no Cruzeiro, visita à Gruta do Carimbado, banho de cachoeira com terapia sonora e observação astronômica guiada.
Roteiro de Autoconhecimento e Arte: com escritório de escrita reflexiva, experiência de arte em pedra e feira holística.
Origens históricas comprovadas
Registros do Arquivo Público Mineiro confirmam: a cidade surgiu em 1780 em torno da capela erguida por João Antão, ex-escravo que encontrou uma imagem de São Thomé em uma gruta. A versão da aparição do santo é considerada lenda, mas a construção da igreja é fato histórico.
Inscrições Rupestres
O nome "das Letras" vem de petróglifos indígenas registrados pelo IPHAN em 1938. São 127 símbolos geométricos entalhados em quartzito, datados de 2.000 a 4.000 anos, associados aos povos Puris e Cataguases.
Cidade do Quartzito
Construída sobre uma das maiores jazidas de quartzo azul do Brasil (CPRM, 2021), suas rochas brilham ao pôr do sol devido à reflexão da luz nos cristais.
Gruta do Carimbado
Formação geológica com 280 metros de extensão, estudada pela UFMG em 2019. Seu interior mantém temperatura constante de 17°C, com paredes contendo traços de magnetita que causam anomalias em bússolas.
Casos ufológicos documentados
Entre 2010-2020, o Sistema de Registro de Objetos Aéreos Não Identificados (ROANI) da FAB catalogou 23 ocorrências na região, incluindo:
Luzes em formação triangular (12/07/2015)
Esfera luminescente filmada por geólogos (19/08/2019)
Pesquisa Acadêmica
Estudo da UNIFAL (2022) analisou 146 relatos de moradores:
62% descreveram "luzes que mudam de trajetória bruscamente"
18% mencionaram "objetos metálicos sem sons"
Patrimônio Cultural
Igreja Matriz
Construída entre 1785-1822 em estilo barroco mineiro, guarda em seu altar-mor a pedra fundacional com a imagem de São Thomé esculpida por escravos.
Estudos científicos recentes
Pesquisa sobre Telurismo
Equipe da USP (2023) mediu emissões infravermelhas anômalas no centro da cidade (4.5 W/m² contra 1.2 W/m² em áreas vizinhas), possivelmente ligadas a falhas geológicas.
Análise da Água
Cachoeiras locais têm pH entre 6.8-7.2 (IGAM, 2024), diferente da média regional (5.4-6.1). Teor elevado de lítio dissolvido (0.017 mg/L) é estudado para efeitos na percepção humana.
Depoimentos Oficiais
Dona Maria Ribeiro, 94 anos (entrevista ao Museu da Oralidade, 2022): "Na minha infância, já subiam aqueles montes atrás de pedras que brilham. Mistério mesmo é como a cidade resiste, firme no alto, enquanto o mundo lá embaixo se desmancha."
Lendas urbanas e fenômenos insólitos
1. Portais Dimensionais
Gruta do Carimbado: Acessível apenas por uma estreita fenda, dizem que seu interior abrigaria um portal para Agartha (a cidade intraterrena).
Casos Registrados: Relatos de turistas que alegam ter "perdido" 12 horas de memória após entrar em certas cavernas.
2. A Conexão Extraterrestre
Luzes de São Tomé: Em 2021, o INPE registrou 47 ocorrências de luzes não identificadas na região.
Pedras Híbridas: Geólogos encontraram quartzo com padrões cristalinos que desafiam formações naturais conhecidas.
Epicentro Espiritual
Pirâmide está alinhada com Orion (coordenadas 21°43'S)
Igreja Matriz
Vibração telúrica medida em 18.000 Bovis
Cachoeira do Shangri-lá
Águas com pH alcalino (9.3) e propriedades curativas
Práticas Espirituais
Rituais Lunares: Cerimônias de cura durante luas cheias na Pedra da Bruxa
Retiros Xamânicos: Uso de ayahuasca combinado com banhos de cristal
Geomancia: Mapeamento de linhas ley cruzando a cidade
Fenômenos paranormais documentados
Vozes da Pedra
Gravações feitas pelo Grupo de Pesquisa Paranormal de São Paulo em 2022 captaram sussurros em língua tupi-guarani em áreas desabitadas.
A Procissão Fantasma
Moradores relatam ver cortejos de luzes azuis na Estrada Real entre 3h33 e 3h44 da madrugada, coincidindo com registros históricos de romarias coloniais.
Mistérios não resolvidos
O Código Quartzo: Padrões matemáticos nas inscrições rupestres que correspondem a sequências Fibonacci modificadas.
O Calendário perdido: Alinhamentos solares nas formações rochosas que marcam equinócios com precisão milimétrica.
A Biblioteca subterrânea: Lendas sobre salas abobadadas sob a cidade contendo tabletes de pedra com conhecimento ancestral. "São Tomé não se explica, se vive" - ditado local que resume a essência deste lugar onde a fronteira entre realidade e mistério se dissolve na névoa das montanhas. A cidade continua desafiando racionalistas e encantando místicos, mantendo viva sua aura de capital brasileira do inexplicável.