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PREVENÇÃO

Os avanços no combate ao HPV: veja como funciona o teste genético molecular

O pesquisador Júlio Cesar Teixeira, da Unicamp, esclarece algumas das principais dúvidas sobre o HPV e explica sobre a importância do teste genético molecular

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O Papilomavírus humano (HPV) é o agente infeccioso mais associado ao câncer, podendo causar tumores principalmente no colo do útero, vulva, vagina, ânus e pênis. A infecção pode ser detectada por um teste de DNA do HPV, um PCR realizado no material coletado da superfície do colo do útero (exame preventivo). Esse teste identifica mulheres em situação de risco antes mesmo de se estabelecer uma lesão ou câncer. "Somente com a inversão dos estágios de câncer detectados, a utilização do teste poderá evitar, em pouco tempo, 350 das 480 mortes mensais de mulheres brasileiras", diz o pesquisador Júlio Cesar Teixeira, diretor da Oncologia do Hospital da Mulher (CAISM), da Unicamp.

O pesquisador participou de um estudo que substituiu o Papanicolau pelo teste de HPV, realizado pelo Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM), da Unicamp, e pela Prefeitura Municipal de Indaiatuba (SP), com o apoio da Roche Diagnóstica. O exame aumentou em quatro vezes a detecção de mulheres com lesões pré-câncer, invertendo o cenário de cânceres de colo avançados para detecção em estágio microscópico, ainda assintomático e curável, e antecipando os diagnósticos em 10 anos.

A seguir, Júlio Cesar esclarece algumas das principais dúvidas sobre o HPV e explica sobre a importância do teste genético molecular.

Quais são os tipos mais perigosos de HPV?

São os HPV de alto risco oncogênico, ou seja, que podem gerar câncer. Eles são ‘chamados’ por números e, assim, o HPV-16 o principal, seguido pelo HPV-18, são responsáveis por 70% do total de câncer no colo uterino. Outros 12 tipos adicionais, com menor participação, causam o restante.

Quais são os métodos para prevenção?

Além da vacinação o mais jovem possível, o uso consistente de métodos de barreira, como preservativos, previne cerca de 70%. Outra alternativa seria não ter contato, mas, logicamente, a redução do número de contatos diferentes reduz o risco.

Por que todos precisam tomar a vacina?

A vacina contra HPV é uma das mais seguras da história e é voltada, primariamente, para prevenir câncer de colo de útero e outros cânceres relacionados, e não para evitar uma infecção sexual. Existe uma compreensão errônea de que a vacinação precoce poderia estimular o jovem para atividade sexual, o que é um exagero. Outro aspecto comum está relacionado com convicções de teor cultural ou religioso ou, ainda, de desinformação.

 

Quais exames devem fazer parte da rotina?

Mulheres (ou pessoas com útero) entre 25 e 64 anos devem realizar de testes de prevenção periódicos com exame médico e coleta de material do colouterino para testes, seja a citologia convencional a cada 3 anos ou um teste de DNA-HPV a cada 5 anos. Não é necessário a realização dos dois testes simultaneamente para todos os casos.

Qual a importância da incorporação do teste genético molecular no SUS?

No nosso cenário, somente um terço das citologias são realizadas nas pessoas que, de fato, precisam. Além disso, há problemas de controle de qualidade dos testes. A cobertura não passa de 30% da população e o resultado é que 70% dos casos de câncer estão em estágios avançados, com uma mortalidade mantida por décadas. São mulheres com idade média de 45 anos morrendo, uma a cada 90 minutos no país.

Com base nos resultados do estudo de Indaiatuba, o teste de DNA-HPV no programa brasileiro aumentará em quatro vezes a detecção de mulheres com lesões pré-câncer e 70% dos casos de câncer de colo detectados em fase microscópica, assintomática e curável, com 10 anos de antecipação. 

Por que deve haver rastreamento? 

O teste de DNA-HPV é um PCR automatizado, realizado por máquinas e com alto poder de detecção. A implementação implica nele estar inserido em um programa organizado, com controle efetivo da população e, consequentemente, de quem está realizando, evitando excesso de testes e garantindo acompanhamento das pessoas com testes positivos. Também é crucial identificar quem não está fazendo a prevenção, para que a pessoa seja encontrada, convocada e rastreada. Assim, espera-se passar de 30% para 90% de cobertura e caminhar para a eliminação deste câncer no país.

O teste pode contribuir para a conscientização sobre os riscos do HPV?

Um teste moderno, realizado a cada cinco anos e com potencial futuro de ser realizado em material coletado pela própria pessoa (autocoleta), sem necessidade de exame ginecológico, logicamente, irá chamar a atenção da população. Junto de ações educativas que acompanham um programa como este, o exame poderá ampliar o conhecimento sobre o HPV e as doenças relacionadas, incluindo a vacinação precoce. Um programa de prevenção também aumenta as chances de uma modernização ou criação de novos programas, como contra o câncer de mama e de intestino.

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