Canabidiol pode aliviar sintomas da interrupção de antidepressivos
Parar de forma abrupta com o medicamento não é recomendado. Fim do ciclo deve ser acompanhado por um médico e dosagem deve ser reduzida gradativamente
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Siga noO Brasil é o país com mais diagnósticos de depressão na América Latina. Conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a doença, cerca de 5,8% da população brasileira sofre de depressão. Outros estudos dão conta que, apenas em 2024, foram registrados mais de 470 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Para combater os sintomas, o uso de antidepressivos é uma saída segura, desde que sob supervisão de um psiquiatra e respeitando as particularidades do tratamento, especialmente ao início e final do ciclo.
Em primeiro lugar, é preciso esperar mais tempo do que com outros medicamentos para que os antidepressivos tenham efeito – em média, é necessário cerca de duas a quatro semanas para que as melhorias sejam sentidas pelos pacientes, o que faz com que muitos deles desistam do tratamento antes da hora.
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A outra particularidade está no “desmame”, nome dado ao momento em que o especialista opta pela diminuição gradual da dosagem antes de interromper a medicação. “Suspender o uso de remédios de forma abrupta, de um dia para o outro, pode resultar em danos consideráveis à saúde mental, afetando a vida do paciente de maneira intensa”, explica a diretora da Thronus Medical, empresa brasileira radicada no Canadá, Mariana Maciel.
O canabidiol (CBD) tem se mostrado cada vez mais promissor como tratamento principal para a depressão, devido à sua baixa toxicidade e à ausência de efeitos colaterais significativos. Ele atua modulando os receptores do sistema endocanabinoide, responsável por regular funções como percepção de dor, inflamação, apetite e sono — sintomas que podem surgir durante o processo de redução gradual de medicamentos, especialmente no caso de antidepressivos, ansiolíticos e outros psicotrópicos de uso comum no Brasil.
A substância canabinoide é extraída da folha de cannabis sativa, não tem qualquer efeito psicoativo, e está se tornando uma alternativa positiva para pacientes que querem tentar outras opções farmacológicas ou estão sofrendo com as consequências do desmame de medicamentos.
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“Justamente por agir no sistema endocanabinoide, sistema regulatório vital envolvido em todos os nossos processos fisiológicos, inclusive memória e emoções, o CBD tem recebido bastante atenção nos estudos na área de saúde mental. E comprovamos os resultados dentro do consultório, com pacientes pontuando a melhora de sintomas ligados à interrupção de fármacos”, diz Mariana Maciel.
Depressão ou tristeza?
Cerca de 10% da população mundial sofre com transtornos mentais, e a depressão está entre os principais problemas do tipo. Antes de pensar em tratamento, porém, convém saber a diferença entre uma tristeza comum e a depressão – viver o luto após uma perda, por exemplo, é uma resposta natural do organismo, e isso não é um problema.
“Se o estado de letargia permanecer por muito mais tempo que o normal, com distúrbios de sono, alimentação, irritabilidade, distúrbios de humor e ansiedade, entretanto, é preciso procurar um tratamento”, explica a especialista. “Terapia, exercícios físicos regulares e cuidado com a alimentação são complementos à medicação e não podem ser descartados inclusive durante o período de medicação”, completa.
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