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EXAME QUE SALVA

HPV: 'Se não fosse por esse diagnóstico, eu não saberia que tenho'

Estudo envolvendo teste de DNA-HPV por PCR rastreou 20.551 mulheres e detectou 258 lesões precursoras de alto grau e 29 cânceres cervicais

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No Brasil, segundo o INCA, o câncer de colo de útero causa a morte de mulheres a cada 90 minutos - são 6,5 mil mortes e 16,5 mil novos casos ao ano. Embora quase 100% prevenível, este tipo de câncer se apresenta hoje como o terceiro mais comum entre as mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma. A causa mais comum são as infecções persistentes pelo vírus HPV, transmitido por contato pele-a-pele, principalmente na região genital.

Um estudo realizado em Indaiatuba, interior de SP, consolidou, em 2024, os resultados da primeira rodada de cinco anos do programa organizado de rastreamento de câncer de colo de útero baseado na testagem de DNA-HPV por PCR, ocorrido de outubro de 2017 a setembro de 2022. Foi apontado um aumento de detecção em até quatro vezes de lesões pré-cancerosas, além de 83% dos casos de câncer de colo de útero terem sido detectados em estágio inicial, com antecipação do diagnóstico em 10 anos em comparação com o rastreamento convencional, realizado pelo teste de Papanicolau.

O estudo, realizado pelo Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Prefeitura Municipal de Indaiatuba e com o apoio da Roche Diagnóstica, rastreou 20.551 mulheres por teste de DNA-HPV. A cobertura atingiu 77,8% dos testes realizados em conformidade com a diretriz do programa, e 99,4% dos testes realizados em conformidade com a faixa etária.

O teste de DNA-HPV foi negativo em 87,2% dos casos testados, com 6,2% de encaminhamentos para colposcopia e 84,8% de colposcopias realizadas. Um total de 258 lesões precursoras de alto grau e 29 cânceres cervicais (idade média de 41,4 anos, sendo 83% em estágio I) foram detectados. Como referência, 41.387 testes de citologia do programa anterior (2012–2016), com Papanicolau, detectaram 36 cânceres cervicais (idade média de 52 anos), com 67% em estágios avançados.

Os resultados encontrados podem ser um modelo de transição para um programa mais eficiente para a erradicação da doença no Brasil, sobretudo no contexto de atualização das diretrizes nacionais de rastreamento de câncer de colo de útero. No ano passado, o teste de DNA-HPV recebeu o parecer final positivo para incorporação ao SUS, e o programa de rastreamento segue em construção para a implementação nos municípios.

Participante do estudo, Erika Akemi, de 42 anos, revela que sempre realizou o exame Papanicolau regularmente e que, somente em 2020, descobriu que tinha Neoplasia Intraepitelial Cervical grau 2 (NIC-2), uma alteração celular que ocorre no colo do útero. Caracterizada pelo crescimento anormal das células na região, a NIC-2 resulta na formação de lesões que, se não forem tratadas de forma adequada, podem progredir para um câncer, como teria sido o caso da paciente sem o diagnóstico precoce. “Isso me ajudou muito. Se não fosse por esse diagnóstico, eu não saberia que tenho. Uma ferida poderia ter evoluído para um câncer, uma coisa mais séria. A gente precisa se cuidar. Foi fazendo os exames que eu descobri, pois eu não tinha sintoma nenhum”, relata.

Erika Akemi, participante do estudo de rastreamento de câncer de colo de útero baseado na testagem de DNA-HPV por PCR
Com o teste, Erika Akemi conseguiu evitar que a lesão evoluísse para um câncer Arquivo pessoal

Para Erika, que não imaginava ser diagnosticada em um checape de rotina, foi decepcionante, principalmente por isso ter acontecido após o fim de seu casamento de quase 15 anos. Apesar de não ter tido relações sexuais com outras pessoas, ela não tem certeza se pegou do ex-marido, pois, segundo sua ginecologista, existe a chance de ela estar "incubada". A paciente se tratou, realizando a colposcopia e, posteriormente, a cirurgia de alta frequência (CAF), e passou a fazer acompanhamentos a cada seis meses até 2024, quando fez novamente o exame e foi constatado que a lesão havia voltado.

Nessa época, já com a atual namorada, Erika ficou desconfortável e envergonhada com a situação, mas contou para a parceria. “Eu fui sincera. Expliquei: ‘o HPV não tem cura, porém, há meios de se tratar. Se você não quiser continuar comigo, eu te respeito da mesma forma’, e ela falou: ‘não, nós vamos encarar isso juntas’. Ela optou por continuar comigo e, hoje, a gente conversa mais tranquilamente sobre o tema.” Ela acredita que isso, inclusive, fortaleceu a relação. “Nunca ninguém conversou sobre isso comigo, acho que nem com amigas a gente chega a conversar. Pra mim, isso foi diferente e, depois, nós passamos a tomar alguns cuidados a mais. Às vezes, são coisas um pouco chatas, mas faz parte da nossa vida, e a gente tem que aprender a conviver com isso e ser feliz”, explica. Em fevereiro, Erika realizou novamente a colposcopia e a CAF e, desde então, faz acompanhamento.

* Estagiária sob supervisão da editora Ellen Cristie

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