Tebet critica assédio eleitoral e boicotes: 'Estamos no século retrasado?'
Senadora classificou denúncias de demissões por motivação política e listas de boicote a comerciantes como graves e pediu reação de empregadores
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A ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB) criticou as denúncias de assédio eleitoral contra trabalhadores e a circulação de listas de boicote a estabelecimentos comerciais identificados com apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para um quarto mandato. Em manifestação nas redes sociais, publicada nesse sábado (31//10), Tebet questionou a intolerância política após as eleições e comparou as denúncias de pressão de empregadores sobre funcionários à prática do voto de cabresto.
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“Em que momento nós passamos a não aceitar a divergência, a não sentar na mesma mesa de quem pensa diferente, a dialogar? Em que momento nós achamos, voltamos a achar que estávamos no século retrasado, onde existia o voto de cabresto, onde o patrão determinava o voto e votava no lugar do funcionário?”, questionou.
Tebet classificou os episódios como graves e disse que as denúncias vão além da possibilidade de responsabilização criminal dos envolvidos. Para a ex-ministra, os casos representam um problema mais amplo de convivência democrática e respeito às diferenças políticas.
“A questão é maior. A questão é sobre a identidade do país que nós estamos construindo. Isso não é o Brasil de seis, oito, dez anos atrás. O que foi que aconteceu conosco?”, indagou.
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A parlamentar também mencionou as denúncias recebidas pelo Ministério Público envolvendo empregadores que teriam demitido funcionários por divergências eleitorais, especialmente após a vitória de Lula. Ela criticou ainda a divulgação de listas com nomes de estabelecimentos comerciais cujos proprietários teriam votado no petista ou declarado apoio à sua candidatura. “Chega a ser ridículo, não é só indignação, é vergonha alheia”, disse Tebet, ao condenar as práticas.
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A senadora ressaltou que o assédio eleitoral pode resultar em sanções aos responsáveis e defendeu uma reação dos próprios empregadores para impedir a continuidade dos episódios. Ela destacou que a maioria dos empresários respeita as escolhas políticas dos funcionários.
“Eu sou empregadora. Eu quero aqui pedir aos empregadores, que a maioria absoluta não é conivente com isso, respeita a opinião do seu funcionário, que vocês se movimentem, que nós possamos fazer um movimento contrário e virar essa chave”, afirmou.
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Ao final da manifestação, Tebet defendeu que o país supere os conflitos eleitorais e concentre esforços em questões como educação, geração de empregos e melhoria das condições de vida da população. “Nós temos um país para continuar reconstruindo, um país onde o Brasil ainda tem uma quantidade muito grande de pessoas que precisam de nós, um Brasil que nós precisamos garantir oportunidade a todos, através da educação, do emprego de qualidade, através da melhoria de vida de quem mais precisa”, concluiu.