Lula sobre Flávio: "Primeira pátria dele é lamber bota dos EUA"; veja vídeo
Presidente criticou a saída de Jair Bolsonaro do Brasil, classificou a atitude como "vergonhosa" e acusou a família do ex-presidente de priorizar os Estados Unidos.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a saída de Jair Bolsonaro (PL) do Brasil e classificou a atitude como “vergonhosa”. O petista também atacou a relação da família do ex-presidente com os Estados Unidos e afirmou que o Brasil seria a segunda pátria dos Bolsonaro.
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“A família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira pátria é lamber bota dos Estados Unidos”, declarou Lula.
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A fala ocorre em meio às críticas de Lula à família Bolsonaro após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. O presidente afirmou que lamenta a saída do ex-presidente do país e disse que ele poderia ter permanecido no Brasil para contestar as acusações divulgadas pela imprensa.
“Eu lamento. Lamento que ele tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar aqui e provar que as acusações que fizeram na imprensa não são verdadeiras”, afirmou.
O petista, então, acusou o ex-presidente de não ter apresentado uma demonstração de honestidade e o chamou de “a figura mais mentirosa que eu já vi no planeta Terra”.
“Ele não tem nenhum compromisso com a verdade. É impressionante a desfaçatez dele, porque, quando ele tá mentindo, ele não tá desrespeitando a gente que tá no debate, ele tá desrespeitando as pessoas que tão em casa”, declarou.
Lula também comparou a situação à ocasião em que entregou o próprio passaporte, após uma solicitação das autoridades. Na sequência, afirmou que a Polícia Federal suspeitava que Bolsonaro deixaria o país.
“E esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. É vergonhoso. Eu, quando pediram para mim entregar o meu passaporte, eu entreguei meu passaporte”, disse.
A comparação feita por Lula remete a janeiro de 2018, quando o então ex-presidente entregou o passaporte à Polícia Federal para cumprir uma determinação judicial que o proibia de deixar o Brasil. A ordem foi expedida no âmbito de uma ação penal relacionada a suspeitas de tráfico de influência na compra de caças suecos. Em 2 de fevereiro daquele ano, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) revogou a medida e determinou a devolução do documento.
Relação próxima com os EUA
A aproximação de Flávio Bolsonaro com o governo de Donald Trump foi marcada por encontros em Washington. Em maio deste ano, o senador se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, na Casa Branca, e, no dia seguinte, conversou com integrantes do Departamento de Estado. Entre os assuntos discutidos estava o pedido para que os norte-americanos classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Valendo-se de sua proximidade com o governo Donald Trump, o senador já vinha defendendo, ao longo de mais de um ano, a classificação das duas facções como terroristas, o que acabou ocorrendo em 5 de junho e contrariou o governo do presidente Lula.
No início de julho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que “a classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal".
Saída do Brasil
Na tarde desta terça-feira (27/10), Flávio chegou aos Estados Unidos, segundo apurou o Correio Braziliense. A viagem ocorreu após o senador não cumprir a determinação da PF de entregar o passaporte. De acordo com fontes na Polícia Federal, consultadas pelo Correio, a suspeita é de que a ação teria sido coordenada pelo secretário de Estado do governo Trump, Marco Rubio.
A Polícia Federal informou a Moraes sobre a situação. Até a chegada de Flávio aos Estados Unidos, não havia mandado de prisão expedido contra ele, mas a viagem acrescentou um novo capítulo ao caso e pode levar o ministro a avaliar medidas adicionais.
Por que Moraes determinou apreensão de passaporte?
A decisão de apreender o passaporte de Flávio foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, na noite de domingo (25/10), após pedido da Polícia Federal (PF). A representação policial foi assinada digitalmente às 21h16, sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a derrota de Flávio, às 21h09.
A proximidade entre os horários alimentou questionamentos de aliados do senador sobre a motivação da medida. A ordem, no entanto, foi fundamentada em elementos de investigações já em andamento no STF.
A Polícia Federal fundamentou o pedido em dois fatores principais: a presença de Flávio como "usuário master" de uma conta da Alcazar Holding, mantida pelo advogado Willer Tomaz em Portugal, e uma fala de Eduardo Bolsonaro em podcast no dia 23 de outubro. Na ocasião, o ex-deputado declarou: "se meu irmão não ganhar [a eleição], sou a favor que ele deixe o país."
O documento policial registrou ainda que Willer Tomaz está em Miami desde 25 de agosto, sem previsão de retorno. De acordo com a PF, o advogado dispõe de recursos financeiros suficientes para ficar no exterior por período indeterminado.
Investigações e conexões financeiras
Tomaz responde a dois inquéritos derivados da operação Sem Desconto, que apura desvios nas aposentadorias do INSS. O processo sob relatoria de André Mendonça investiga negócios com o senador Weverton Rocha e com Antonio Camilo Antunes, o Careca do INSS.
A outra apuração, relatada por Moraes, investiga se Tomaz lavou recursos da Loterj por meio da Rio Pag e de empresas de apostas. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Tomaz apostou R$ 5 bilhões em bets no ano passado. Flávio é investigado nesse procedimento, ainda em fase inicial.
Flávio figurou como usuário master da Alcazar Holding até maio de 2025 e viajou dos Estados Unidos ao Brasil em janeiro daquele ano no jato Legacy 500, do qual a holding tinha 33,3% de participação. O cotista Daniel Vorcaro repassou sua fração para Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, como pagamento por serviços de advocacia.
Entre os argumentos apresentados pela PF estão informações sobre a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, e declarações de Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de o irmão deixar o Brasil caso perdesse a eleição.
Moraes acolheu o pedido e determinou que Flávio entregasse os passaportes, além de proibi-lo de deixar o país. O senador contestou a decisão e questionou a relação entre a medida e a derrota eleitoral.
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Defesa
Integrantes da campanha do PL apontaram retaliação política. Em vídeo publicado na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro contestou a ordem judicial: "a decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar o meu passaporte? Isso é Justiça? E mais: essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo após o resultado da eleição. Pensa comigo: se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa?"