Cleitinho Azevedo diz que fim da escala 6x1 representa "dignidade"
Senador mineiro apoiou a aprovação da proposta e defendeu que a mudança na jornada seja acompanhada de medidas de alívio tributário para os empresários
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Governador eleito por Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) voltou a defender a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e afirmou que a mudança representa uma forma de garantir dignidade aos trabalhadores. Assista ao vídeo:
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Durante a discussão da matéria no Senado, nesta quarta-feira (14/10), ele pediu que os parlamentares votassem favoravelmente ao texto e criticou os privilégios dos integrantes do Congresso Nacional em comparação com as condições enfrentadas pelos trabalhadores. Senado aprovou fim da escala em dois turnos (veja mais abaixo).
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“Essa luta, gente, não é de esquerda nem direita, não. Essa luta é do trabalhador. Enquanto no Congresso Nacional deputados e senadores têm direito a plano de saúde vitalício, auxílio moradia e até verba indenizatória de alimentação, o trabalhador não tem. (...). O trabalhador está ralando na 6 por 1, pegando ônibus lotado e recebendo R$ 1.600", declarou Cleitinho.
Em entrevista recente ao Estado de Minas, Cleitinho chegou a ficar emocionado ao lembrar que o pai trabalhar na "escala 7x7". O senador perdeu o pai, que sofria de câncer na bexiga, em abril de 2024.
“Quando eu era do varejo e trabalhava com a minha família, a gente trabalhava de segunda a segunda, 7x7. Muito do que eu defendo é porque eu não vi meu pai ter um descanso. Quando chegava algum final de semana, algum feriado que a gente podia viajar, meu pai falava assim: ‘Vocês podem ir que eu vou ficar. Eu não vou, eu tenho que trabalhar’”, lembrou. Veja:
Contrapartida aos empresários
Apesar de defender o fim da escala 6x1, Cleitinho afirmou que a mudança deve vir acompanhada de medidas para reduzir os custos das empresas. Ele citou a desoneração da folha de pagamento e a redução de impostos como alternativas para compensar os empregadores.
“Quem tem que cortar da própria carne não é o trabalhador nem o empresário. Quem tem que cortar da própria carne é o Congresso Nacional”, disse.
O senador também defendeu a adoção da escala 5x2, em que o trabalhador tem dois dias de descanso por semana, e pediu celeridade na tramitação da proposta.
Senado aprova fim da escala 6x1
O Plenário do Senado Federal aprovou, em dois turnos, nesta quarta-feira (14/10), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas.
No 1º turno, a proposta foi aprovada por 75 votos favoráveis e um contrário. O senador Sergio Moro (PL-PR) registrou presença, mas não votou, já o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) votou contra o texto. Já no 2º turno, 75 parlamentares votaram a favor do texto, que recebeu um voto contrário.
Para garantir as duas votações ainda nesta quarta, o governo apresentou um requerimento de calendário especial, permitindo que a tramitação seja acelerada.
A matéria é considerada prioritária para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e é votada cinco meses após ter chegado ao Senado, a menos de duas semanas do 2° turno das eleições. Foram cinco sessões de discussão, assim como manda o regimento.
Parlamentares da oposição esvaziaram os encontros e articularam um adiamento da votação para depois das eleições. Na semana passada, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, senador Rogério Marinho (PL-RN), chamou a discussão da PEC neste momento de “oportunista” e “eleitoreira”.
Flávio, que criticou a PEC durante toda sua campanha, recuou nesta semana. Sabendo que o texto seria votado, disse nesta terça-feira (13), que votaria a favor da matéria. "A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6x1, então vou votar a favor", disse Flávio.
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Nesta quarta, o PL liberou a bancada na hora da votação, mas alguns, como Flávio, passaram a maior parte da discussão sem registrar presença. Marinho, Ciro Nogueira (PP-PI) e Márcio Bittar (PL-AC) não registraram presença. Vale lembrar que, caso o bolsonarista vença a disputa à Presidência, há possibilidade de que o novo Congresso de 2027 dê andamento a uma PEC alternativa, apresentada por Marinho. Nela, a jornada de trabalho seria flexível e o trabalhador poderia negociar com o empregador as horas trabalhadas.