ELEIÇÕES 2026

Conversão de seguidores em votos nas urnas: por que nem sempre dá certo?

Entenda os motivos de perfis com milhões de fãs nas redes não garantirem votação suficiente no sistema proporcional eleitoral

Publicidade
Carregando...

As eleições de 2026, realizadas no último domingo (4 de outubro), trouxeram novamente à tona um debate recorrente: por que a popularidade online de criadores de conteúdo nem sempre se converte em uma votação expressiva nas urnas? O caso da influenciadora Maria José, a "Menina da Bota", que disputou uma vaga de deputada federal por Minas Gerais, exemplifica o desafio de transformar engajamento digital em capital político real. O fenômeno é explicado por uma combinação de fatores que vão do sistema eleitoral às características do próprio eleitorado digital.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Quantos votos a 'Menina da Bota' recebeu?

Maria José, conhecida por seus vídeos sobre a vida no campo e com mais de 1,7 milhão de seguidores em suas redes, recebeu 9.780 votos na sua tentativa de se eleger deputada federal. O número, embora represente uma base de apoiadores, não foi suficiente para garantir uma cadeira na Câmara dos Deputados, ficando muito aquém do necessário para ser eleita pelo sistema proporcional.

Leia Mais

A candidatura da "Menina da Bota" foi registrada pela federação União Brasil-PP e focou sua campanha principalmente no eleitorado do Sul de Minas, sua região de origem. Sua plataforma buscava dialogar com o público do agronegócio e com os valores conservadores, temas recorrentes em suas publicações nas redes sociais.

Por que milhões de seguidores não garantem a eleição?

A dificuldade em converter seguidores em votos está ligada a uma série de fatores complexos. O principal deles é a diferença entre o apoio passivo, como uma curtida ou compartilhamento, e o engajamento ativo necessário para o voto. Além disso, outros elementos são decisivos para o resultado final nas urnas.

Entenda os principais motivos:

  • Sistema proporcional: para cargos legislativos, como deputado federal e estadual, o Brasil utiliza o sistema proporcional. Nele, não basta apenas ter muitos votos individuais. O candidato depende do desempenho geral do seu partido ou federação para atingir o quociente eleitoral, uma espécie de "nota de corte" para garantir as vagas.

  • A dispersão do público: um influenciador pode ter milhões de seguidores espalhados por todo o Brasil e até no exterior. No entanto, para uma eleição de deputado federal, por exemplo, apenas os votos do estado pelo qual ele concorre são válidos. Isso pulveriza drasticamente o impacto de sua popularidade nacional.

  • Engajamento superficial: o consumo de conteúdo de entretenimento ou sobre o dia a dia não implica, necessariamente, uma concordância política. Muitas pessoas seguem um perfil pelo seu carisma ou pelo tipo de conteúdo que produz, mas não o veem como um representante político qualificado.

  • Falta de propostas claras: frequentemente, as candidaturas de influenciadores se baseiam mais na imagem pessoal do que em uma plataforma política estruturada. Para uma parcela significativa do eleitorado, a ausência de propostas concretas para áreas como saúde, educação e economia é um fator determinante para não conceder o voto.

Quais influenciadores já conseguiram se eleger?

Apesar dos desafios, alguns criadores de conteúdo e personalidades da mídia já obtiveram sucesso eleitoral em pleitos anteriores. Os casos bem-sucedidos geralmente envolvem um alinhamento claro com uma corrente política estabelecida, um nicho muito engajado ou uma comunicação que transcende o entretenimento e mobiliza uma base fiel em torno de pautas específicas.

Exemplos notórios de eleições incluem Erika Hilton (PSOL-SP) eleita deputada federal por São Paulo com votações recordes, e figuras como Nikolas Ferreira (PL-MG), Ana Elisa (PT-MG) e André Janones (Rede), de Minas Gerais, que souberam utilizar as redes sociais para construir uma base política sólida e altamente mobilizada. Em todos esses casos, a estratégia foi além da simples popularidade, focando em um discurso político direcionado.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

* Estagiária sob supervisão da editora Ellen Cristie. 

Tópicos relacionados:

eleicoes eleicoes-2026 seguidores urnas votos

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay