Para ganhar votos, Flávio promete acabar com 'amarras ambientais'
Entenda por que políticos como Flávio Bolsonaro fazem da destruição ambiental uma bandeira
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A frase "vamos acabar com essas amarras ambientais" foi usada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) em um vídeo de campanha para defender a exploração de terras raras no Norte do país. O parlamentar tem como bandeiras eleitorais a crítica a leis de proteção, a flexibilização da preservação florestal e a exploração de recursos em áreas como terras indígenas, incluindo a legalização do garimpo.
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No mês passado, Flávio afirmou que regras ambientais travam a construção de resorts e relativizou o aquecimento global, classificando-o como um evento cíclico. Em seu plano de governo, não há menção aos termos "mudança climática" ou "aquecimento global".
“Vamos acabar com essas amarras ambientais, porque, do jeito que está, nem se preserva o meio ambiente, nem se transforma todo esse potencial em prosperidade”, disse Flávio em vídeo de campanha.
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Seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adota a defesa da pauta ambiental na campanha. A gestão petista, contudo, é criticada por incentivar a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. O plano de governo de Lula menciona a emergência climática e promete zerar o desmatamento até 2030, um ano após a meta de Flávio, de 2029.
Discurso vira palanque
Ouvido pelo jornal “Folha de S.Paulo”, Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, avalia que o cenário político mudou. "Hoje tem parlamentares que fazem da destruição ambiental um palanque eleitoral", afirma. Antes, ser acusado de destruir o meio ambiente era algo que um candidato buscava evitar.
Guilherme Syrkis, diretor-executivo do Centro Brasil no Clima, aponta que a fiscalização precisa vir acompanhada de desenvolvimento sustentável. "Em alguns lugares o Estado é percebido quase só pela multa e pela operação policial, enquanto faltam crédito e alternativas econômicas", explica. Syrkis acrescenta que, quando o Estado apenas proíbe, quem promete retirá-lo do caminho atrai eleitores, mas o discurso beneficia o crime organizado e a grilagem.
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Críticas se repetem no Congresso
No Pará, uma lei aprovada em agosto permitiu a presença de pecuaristas na terra indígena Ituna-Itatá. Políticos locais apelidaram a área de Terra Prometida e realizaram um ato no local, instalando uma nova placa sobre a sinalização da Funai.
Em Rondônia, o deputado federal Lucio Mosquini (PL-RO) criticou operações de desintrusão na terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau, determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele defende que fazendeiros com títulos de propriedade nessas áreas devem ser "intocáveis".
A defesa do garimpo mobiliza candidatos ao Senado em Roraima. Plínio Valério (PSDB), que busca a reeleição no Amazonas, questiona: "Por que o garimpo é ilegal? Porque nada é legal nessa Amazônia".
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O senador Chico Rodrigues (PSB-RR) classificou "essa questão de garimpo" como "verdadeira paranoia dos ambientalistas". Já o deputado federal Nicoletti (PL-RR) diz que a atividade, hoje proibida, não é crime e defende sua legalização. Na mesma disputa, Marcio Junqueira (PSDB) se apresenta como "o maior defensor da não demarcação" de terras indígenas.