ELEIÇÕES 2026

Sabatina EM/Uai/Alterosa: Roscoe alfineta aliados que apoiam Cleitinho

Empresário criticou a infidelidade partidária enquanto vê correligionários do PL apoiarem outra candidatura

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Para o candidato do PL ao governo de Minas Gerais, Flávio Roscoe, só existe um nome de direita na disputa: ele mesmo. Por questões partidárias, o empresário acredita que os adversários Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Mateus Simões (PSD) representam o centro na eleição estadual. Além disso, diferente de todos os concorrentes, ele defende as isenções fiscais concedidas pelo estado, que têm previsão de ultrapassar os R$ 26 bilhões no próximo ano. As declarações foram dadas na sabatina do Estado de Minas, Portal Uai e TV Alterosa nessa segunda-feira (28/9). A íntegra está disponível no canal do YouTube do Portal Uai.

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“Direita é só a gente mesmo. Por que eu digo isso? A aliança do Mateus… O presidente do partido do Mateus está apoiando o Lula, né? Tem três ministérios no Lula. É uma realidade, não dá para dizer que é direita. O PSD compõe a base do governo. Como é que eu vou dizer que o PSD é de direita? Hoje, no atual cenário, eu não consigo”, avaliou Flávio Roscoe. O partido do governador tem três ministros no governo Lula (PT): Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e André de Paula (Pesca e Aquicultura). Porém, o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, é vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência, concorrendo contra o petista, que tenta a reeleição.

Já sobre Cleitinho, o empresário lembrou que o Republicanos optou por neutralidade na eleição nacional em vez de apoiar ao senador Flávio Bolsonaro (PL), “nosso candidato de direita, ‘no eixo’”. “O Cleitinho sinalizou por vários momentos nem direita, nem esquerda, optando por uma decisão de centro. Ele tem um percentual do eleitorado de esquerda, um percentual de direita e um de centro. Foi o posicionamento no espectro político que ele escolheu”.

Apesar de declarar apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial e se dizer de direita, Cleitinho tem defendido fugir da polarização e promete que, se eleito, vai “governar para todos”. De qualquer maneira, as pesquisas de intenção de voto indicam que ele se consolidou como principal escolha dos eleitores de direita, tendo conquistado inclusive o apoio de muitos nomes do PL, como o vereador de Belo Horizonte Vile Santos e o deputado federal Junio Amaral. Até mesmo o candidato ao Senado Domingos Sávio, que foi presidente da legenda e hoje ocupa o cargo de secretário-geral, tem aparecido em diversas ocasiões com o candidato do Republicanos.

Na sabatina, Roscoe alfinetou os correligionários que o deixaram de lado: “Eu tenho criticado muito essa infidelidade partidária. Os partidos têm que ter propósito. O que você mais vê na política hoje são as traições de última hora. Isso eu acho muito negativo”. Ele apontou esse tipo de movimento como uma das causas da descredibilização dos políticos perante a população. “Como você vai acreditar em um candidato que a todo momento está mudando de time de acordo com a conveniência do jogo?”.

“Isso está acontecendo inclusive dentro do próprio PL, e eu não concordo. É por isso que a nossa democracia não entrega os resultados que deveria. Porque as pessoas vão de acordo com a maré, vão de acordo com a onda, com o interesse de momento, com as ofertas que são dadas, não de acordo com o que é o ideal, com o que deseja”, analisou o empresário, que disputa um cargo público pela primeira vez.

Isenções fiscais

Outro tema de destaque na entrevista foi a concessão de incentivos fiscais para empresas no estado. Diferentes candidatos têm dito que vão revogar parte dos benefícios como estratégia para aliviar o caixa do estado, que tem que pagar as parcelas da dívida de R$ 180 bilhões com a União, renegociada no último ano por meio do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Flávio Roscoe defende a manutenção das isenções e avalia que a concessão pode levar empresas a deixarem o estado.

Ele disse que o tema é usado por adversários como “cortina de fumaça”. “Eu sou o único que fala a verdade. Os outros são mentirosos quando atacam o incentivo fiscal”, afirmou o empresário, que emendou: “Parece que é muito fácil aquele discurso de que nós demos incentivo fiscal para os empresários ricos. Não, nós atraímos as empresas para Minas Gerais. Elas trouxeram emprego e imposto”.

Desde o primeiro governo Romeu Zema (Novo), os benefícios saltaram de R$ 6,1 bilhões para uma previsão de R$ 26,1 bilhões em 2027. O próprio governador Mateus Simões, que era vice de Zema, protocolou um projeto de lei na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que propõe acabar com incentivos que não trazem contrapartidas ao estado, o que, segundo ele, pode atingir 35% das isenções e reduzir o total em até R$ 9 bilhões.

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Roscoe, por outro lado, disse que a proposta é “ridícula” e outra “cortina de fumaça”. “Você não precisa de um projeto de lei para cumprir o que já é pré-acordado. Mas lembrando que a maior parte das empresas cumpre, porque ao instalar a empresa aqui ou criar a produção, ela já cumpriu”.

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