CASO MASTER

Diálogos revelam pressa para fazer negócio antes de Banco Master fechar

Diálogos interceptados pela PF mostram: ex-presidente e diretor financeiro do BRB aceleraram transações quando tiveram certeza de que banco de Vorcaro quebraria

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Diálogos obtidos pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero mostram que ex-dirigentes do Banco de Brasília (BRB) adiantaram operações financeiras com o Master ao perceberem o risco de liquidação do banco de Daniel Vorcaro. As conversas ocorreram entre julho e novembro do ano passado.

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Nas mensagens, que estavam em arquivos apreendidos durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão e de quebra de sigilo, o ex-presidente do banco distrital, Paulo Henrique Costa, pressiona o então diretor de Finanças e Controladoria Dario Osvaldo Garcia Junior a assinar "tudo que puder" para concretizar as operações antes que o Master quebrasse.

Além dos dois dirigentes, as conversas também envolvem o advogado Fabiano Barbosa, que fazia parte do jurídico externo do BRB. Em um dos diálogos, Paulo Henrique Costa diz: "Dario, precisamos assinar tudo o que pudermos. Acredito que de hoje não passará". De acordo com a PF, o então diretor de Finanças responde: "Vixi Maria". Em seguida, o ex-presidente determina: "Deixe tudo assinado".

O teor dos diálogos foi trazido à tona pela TV Globo e confirmados pelo Correio. Os investigadores apontam que houve falhas na tentativa do BRB de comprar o Master. "A compra do Banco Master representou, do início ao fim, um processo profundamente falho, marcado por ausência de governança, documentação irregular, liquidez inexistente e risco regulatório extremo, que acabou expondo o BRB a uma crise institucional sem precedentes", descreve a PF.

O relatório afirma, ainda, que houve "conduta temerária dos diretores do BRB, que, diante de todas as falhas, atrasos, documentos irregulares e falta de lastros, deram continuidade à operação de compras de carteiras, tendo por muitas vezes que se desdobrarem contabilmente para satisfazer as vontades do Master, bem como Paulo Henrique". O Correio tentou contato com as defesas dos citados, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Congelamento de bens

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) decidiu, ontem, em caráter cautelar, determinar a indisponibilidade de bens de ex-integrantes da alta administração do BRB. Os ex-dirigentes terão um prazo de 30 dias para se manifestar. A medida tem por objetivo resguardar eventual ressarcimento aos cofres públicos diante de indícios apontados em apurações relacionadas a operações conduzidas pela instituição financeira.

Além do bloqueio cautelar de bens por prazo de um ano, o TCDF determinou a conversão do processo em Tomada de Contas Especial (TCE), instrumento destinado à apuração de responsabilidades e de possíveis danos ao patrimônio público. A decisão prevê, ainda, uma instrução processual para avaliar eventual extensão do bloqueio de bens a outros agentes envolvidos, caso novos elementos colhidos durante as diligências e inspeções em curso confirmem os indícios apontados no processo.

O TCDF cobrou que o banco encaminhe, em até 24 horas, relatório de auditoria independente realizada no BRB. Determinou também a audiência do atual diretor-presidente da instituição financeira para que apresente, em até 30 dias, justificativas sobre o descumprimento de determinação anterior do Tribunal relacionada ao envio de informações. A Corte de contas também estabeleceu prazo de 15 dias para que o BRB apresente esclarecimentos e documentação sobre os fatos tratados na representação apresentada pelo Ministério Público de Contas do DF (MPC-DF).

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Procurado, o BRB informou que considera positiva a decisão e reforça que a atual gestão "atua de forma diligente na defesa dos interesses da instituição e na recuperação de bens e direitos que entende serem devidos ao Banco. A medida fortalece o trabalho já em curso de proteção e recuperação do patrimônio público do Distrito Federal", disse, em nota. "O Banco segue adotando todas as providências cabíveis, em estrita observância à legislação e às determinações judiciais, sempre com responsabilidade, transparência e compromisso com a solidez e a perenidade da instituição", completou.

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