Flávio Bolsonaro denuncia "perseguição desumana" por veto a contato com pai
Senador critica restrição de 90 dias imposta por Alexandre de Moraes e diz que medida, válida até o fim do 1º turno, busca "enterrar" ex-presidente
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual pré-candidato à presidência da República, denunciou nesta quarta-feira (15/07) o que classifica como uma “perseguição desumana” e uma “interferência clássica” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no processo eleitoral.
O ponto central é a decisão que proíbe Flávio de falar com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por 90 dias, prazo que se encerra logo após o primeiro turno das eleições gerais. O senador argumentou, no Flow Podcast, que a medida atropela seu direito “inegociável” de ser advogado constituído de Bolsonaro e dificulta a articulação política da oposição.
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"Essa decisão dele de impedir um filho de falar com o pai foi assim de um exagero, de uma desproporcionalidade, porque se o Oruam (cantor) quiser visitar o Marcinho VP (líder da facção criminosa Comando Vermelho), que é o pai dele na cadeia, ele vai, mas o Bolsonaro, que não fez nada e é inocente, tem essa restrição", enfatizou o parlamentar.
A restrição recente foi desencadeada após o pré-candidato ler publicamente uma carta manuscrita pelo pai, na qual o ex-presidente o reafirma como pré-candidato e seu “porta-voz” na política. Segundo Flávio, esta foi a quinta carta de uma série iniciada em dezembro do ano passado.
O histórico de mensagens começou no dia 5 de dezembro, quando o senador informou ter recebido o aval para sua pré-candidatura. Posteriormente, em 25 de dezembro, foi lida uma carta em frente a um hospital, na qual era reafirmada a confiança no filho para "resgatar o Brasil".
Entre março e abril, novas cartas foram apresentadas, desta vez em defesa de Michelle Bolsonaro e abordando as eleições em Mato Grosso do Sul, seguidas por uma mensagem de teor pessoal dedicada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no Dia dos Namorados. Para o parlamentar, a leitura do último documento serviu apenas como uma "desculpa" para mantê-lo incomunicável com o pai durante o período eleitoral.
"Eles só estavam querendo uma desculpa para acabar de enterrar o meu pai", afirmou o senador, acrescentando que não há nenhuma lógica em impor essa condição de noventa dias sem comunicação, a não ser a vontade de Alexandre de Moraes de deixá-lo isolado inclusive do próprio filho e pré-candidato à presidência da República.
Flávio detalhou as severas restrições impostas à família e à defesa técnica do ex-presidente. Segundo o pré-candidato, as visitas dos filhos estão limitadas exclusivamente às quartas-feiras e sábados, com duração de apenas duas horas.
"Ele está agindo assim, ele está tratando o Bolsonaro como um sequestrado em cativeiro, dizendo que ele é o seu sequestrado e faz o que quiser com ele, sendo essa a triste realidade que está acontecendo", lamentou o pré-candidato ao criticar as regras severas impostas.
No caso da defesa técnica, os advogados têm o tempo de atendimento restrito a 30 minutos diários, de segunda a sexta-feira — uma realidade diferente do período anterior à prisão domiciliar, quando não havia limite de tempo ou necessidade de agendamento prévio.
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O senador mencionou ainda que outros familiares enfrentam barreiras semelhantes, citando que até mesmo Renato Bolsonaro, irmão de Jair, sofre com dificuldades e com a ausência de decisões judiciais que autorizem suas visitas.