PF indicia deputado mineiro por fraude de R$ 14,7 milhões no INSS
Euclydes Pettersen (Republicanos) nega envolvimento nos fatos citados pela Polícia Federal e afirma que sua defesa irá confrontar as acusações com documentos
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O deputado federal Euclydes Pettersen, presidente do partido Republicanos em Minas Gerais, é um dos 48 indiciados pela Polícia Federal (PF) na primeira etapa da Operação Sem Desconto, sob suspeita de ter recebido R$ 14,7 milhões de propina em meio ao escândalo de fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Além do deputado mineiro, estão entre os indiciados o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto; o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS; o ex-diretor de Benefícios André Fidelis; e o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho. Outros nomes conhecidos são o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, e José Carlos Oliveira, ministro do Trabalho e Previdência no governo Bolsonaro.
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Os nomes estão incluídos no primeiro relatório final sobre o caso, que foi enviado nessa terça-feira (14/7) ao Supremo Tribunal Federal (STF), e entregue ao relator do caso, o ministro André Mendonça. O magistrado deve entregar o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR) e decidir se a investigação é suficiente para apresentar denúncia contra os citados.
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No documento, a PF indiciou Euclydes por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Segundo as investigações, o deputado atuou de forma contínua como o principal fiador político do grupo no Congresso Nacional e no INSS, de forma a indicar procuradores e diretores já no esquema que poderiam garantir a manutenção das fraudes.
Além disso, a PF indicou que o republicano foi beneficiário de pelo menos R$ 14,7 milhões em propinas mensais fracionadas pelas contas de passagem de lotéricos e empresas laranjas, tendo lavado essa quantia milionária na pecuária em Aripuanã (MT), no desmatamento químico de fazendas e na ocultação de aeronaves.
Euclydes nega envolvimento
Procurado pela reportagem do Estado de Minas, Euclydes afirmou que não tem participação nos fatos investigados pela operação da Polícia Federal e que nunca indicou qualquer pessoa para cargos no INSS. O parlamentar, que está licenciado do mandato para atuar em articulações políticas no período pré-eleitoral, disse que continua exercendo o mandato e que sua defesa apresentará documentos para contestar as conclusões da investigação.
O deputado pontuou ainda que o indiciamento é o encerramento de uma investigação, sem análise de sua defesa ou a abertura formal de um processo contra ele. “Não há denúncia, não há ação penal, não há julgamento”, diz trecho do comunicado.
Leia a nota na íntegra:
"Não tenho qualquer participação nos fatos apurados na Operação Sem Desconto e nunca indiquei ninguém para cargo no INSS.
O indiciamento é ato unilateral da autoridade policial. Ele encerra uma investigação; não abre um processo. Suas conclusões foram formadas sem contraditório e sem que ainda se tenha examinado uma única linha da defesa. Não há denúncia, não há ação penal, não há julgamento.
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Minha defesa se manifestará nos autos, onde a versão da investigação será confrontada com documentos. Sigo trabalhando no exercício do mandato."