INVESTIGAÇÃO

Vorcaro assinou contrato para documentário sobre Master na prisão

Documento encontrado na casa de publicitário ligado ao empresário mostra que contrato para produção de documentário foi assinado 27 dias depois de prisão

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Uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) na casa do publicitário Thiago Miranda, ligado ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na última quinta-feira (9/7), apreendeu um contrato para a produção de um documentário sobre a instituição financeira. O documento teria sido assinado por Vorcaro em 31 de março deste ano, enquanto ele já estava preso na sede da PF, em Brasília.

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Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes bancárias e possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

Conforme informações da CNN Brasil, o contrato tem firma reconhecida em cartório entre o ex-banqueiro e o publicitário e previa a produção do “Caso Banco Master”, como assim foi batizado o documentário, que seria feito em formato de longa ou série, em até seis meses. De acordo com declaração ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores entenderam que a apreensão do suposto contrato “demanda maior aprofundamento instrutório com vistas à sua adequada compreensão”.

Apurações da PF afirmam que a produção cinematográfica seria uma colaboração proativa entre Miranda e Vorcaro, que teria assumido o compromisso de auxiliar na produção com o compartilhamento de informações, entrevistas e documentos exclusivos para a elaboração da narrativa. Com isso, o “Caso Banco Master” abordaria gastos, personagens e acontecimentos relacionados à instituição financeira liquidada pelo Banco Central.

A operação de busca também resultou na apreensão do passaporte de Miranda e na proibição de que saia do Brasil, em meio a suspeitas de tentativa de fuga com uma passagem aos EUA marcada para a segunda-feira (13), somada à troca de aparelho telefônico e fechamento de empresa de publicidade a menos de uma semana antes da operação. 

À CNN, a PF afirmou que a análise dos dados existentes no telefone apreendido pode “delimitar a extensão das vantagens indevidas transacionadas, seja mediante favores, pagamento de despesas no exterior, transações bancárias ou mesmo eventual entrega de valores em espécie”.

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Em nota, a defesa do publicitário afirmou que Miranda “adotou postura estritamente colaborativa, pautada pela boa-fé e pela mais absoluta lealdade processual, comparecendo espontaneamente a todos os atos para os quais foi convocado e prestando os esclarecimentos que lhe foram solicitados". A equipe de advogados também negou qualquer irregularidade e afirmou estar confiante que, ao final da instrução, as suspeitas atribuídas ao publicitário sejam provadas improcedentes.

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