PSDB desiste de candidatura à Presidência e mira reconstrução da sigla
Presidente nacional do partido, Aécio Neves descarta disputar o Planalto e afirma que legenda ficará fora da corrida presidencial em 2026
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O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves (MG), confirmou que não disputará a Presidência da República nas eleições de 2026 e anunciou que a legenda também abrirá mão de lançar candidato próprio ao Palácio do Planalto. A decisão, confirmada pelo partido nessa quinta-feira (9/7) ao Estado de Minas, marca uma mudança de estratégia da sigla, que passa a concentrar seus esforços na reorganização interna, na ampliação da bancada na Câmara dos Deputados e na construção de um projeto voltado às eleições presidenciais de 2030.
A confirmação ocorreu um dia após Aécio declarar, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que desistiu da possibilidade de voltar a disputar o comando do país. Embora o PSDB não tenha detalhado oficialmente os motivos da decisão, o próprio dirigente afirmou que concluiu não haver espaço para uma candidatura de centro em uma eleição que, na sua avaliação, continuará dominada pela disputa entre os campos liderados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
"Infelizmente, não há espaço agora para uma construção ao centro. Ninguém está preocupado em apresentar um projeto para o Brasil. Estão todos preocupados em derrotar o outro, o que é uma pena", afirmou. Em 2014, ele enfrentou Dilma Rousseff (PT) no segundo turno da eleição presidencial e foi derrotado por uma diferença inferior a quatro pontos percentuais, em uma das disputas mais acirradas desde a redemocratização.
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A avaliação encerra meses de especulações em torno de uma possível candidatura presidencial do ex-governador de Minas Gerais. Em maio, partidos da federação formada por PSDB, Cidadania e Solidariedade passaram a defender publicamente seu nome como alternativa de centro para a sucessão presidencial.
O ex-senador Roberto Freire (Cidadania-PE) foi um dos primeiros a manifestar apoio à candidatura do tucano. O presidente nacional do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), também defendeu publicamente o nome de Aécio. No próprio PSDB, o diretório paulista aderiu à ideia, enquanto o então pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes, chegou a manifestar simpatia pela possibilidade de o mineiro disputar o Planalto.
Nos bastidores, Aécio chegou a buscar interlocução com diferentes partidos para avaliar a viabilidade de uma candidatura de centro. Antes disso, havia tentado convencer Ciro Gomes a representar esse campo na disputa presidencial. As negociações, entretanto, não prosperaram, já que o ex-ministro optou por disputar o governo do Ceará.
Sem enxergar condições para romper a polarização que, segundo Aécio Neves, domina o cenário político nacional, o presidente tucano decidiu recuar e direcionar seus esforços para a reconstrução da legenda. A prioridade passa a ser fortalecer o PSDB no Congresso Nacional. O partido, que já chegou a reunir quase cem deputados federais, possui atualmente apenas 18 parlamentares na Câmara.
A meta traçada por Aécio é dobrar essa representação nas eleições deste ano, elegendo cerca de 30 a 35 deputados federais e recolocando os tucanos entre as principais bancadas da Casa. "O PSDB vai ser a grande surpresa desta eleição. Nós já tivemos um desempenho muito positivo na janela partidária e vamos crescer muito mais", afirmou, ao O Estado de S. Paulo.
Além da bancada federal, o dirigente aposta em candidaturas aos governos estaduais, citando nomes como Ciro Gomes, no Ceará; JHC, em Alagoas; Vicentinho Júnior, em Tocantins; Marconi Perillo, em Goiás; e Maranata, no Rio Grande do Sul.
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Projeto para 2030
Ao justificar a retirada da disputa presidencial, Aécio afirmou que o partido pretende iniciar imediatamente, após o segundo turno das eleições deste ano, a formulação de um projeto nacional voltado para 2030. Segundo ele, a polarização entre lulismo e bolsonarismo estaria entrando em sua fase final e abriria espaço, nos próximos anos, para uma alternativa de centro.
Na avaliação do tucano, tanto o campo liderado por Lula quanto o grupo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro alimentam a divisão do país. "Qualquer um que vença as eleições, infelizmente, nós vamos ter que nos preparar para mais quatro anos de um país dividido ao meio, porque essa divisão interessa aos dois extremos. Eles se alimentam dela", disse.
Ele foi além e classificou a disputa presidencial de 2026 como potencialmente "a eleição mais fratricida da história recente do Brasil", sustentando que o debate nacional estaria concentrado em ataques pessoais e na disputa entre grupos políticos, e não na apresentação de projetos para o país.
A decisão de não lançar candidato próprio também deverá influenciar a posição da federação PSDB-Cidadania durante a campanha presidencial. Segundo Aécio, o partido caminha para não formalizar apoio a nenhum candidato em eventual segundo turno. Internamente, contudo, ele reconhece que há diferentes posicionamentos dentro da legenda.
Senado continua em aberto
Apesar de aparecer bem colocado nas pesquisas para a disputa ao Senado por Minas Gerais, Aécio afirma que ainda não tomou uma decisão sobre seu futuro. O dirigente sustenta que sua prioridade permanece sendo a reorganização do PSDB e admite abrir mão da candidatura caso entenda que uma campanha eleitoral possa comprometer esse trabalho.
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Ele afirmou, ainda, que a decisão deverá ser tomada nas próximas semanas, levando em consideração também o cenário mineiro, ainda indefinido em razão das articulações para a sucessão estadual. Aécio citou, por exemplo, a indefinição sobre uma eventual candidatura do senador Cleitinho ao governo de Minas e disse manter diálogo com diferentes lideranças do estado, entre elas o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).