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Partido de Zema barra ex-governador em evento após novos atritos com Flávio

Pré-candidato ao Planalto é desconvidado de encontro estadual da própria legenda após críticas a Flávio Bolsonaro; PL e Novo são coligados em Santa Catarina

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A decisão do diretório do Novo de Santa Catarina em retirar da programação o ex-governador Romeu Zema, pré-candidato da legenda à Presidência da República, abriu um novo capítulo de desgaste entre o mineiro e o clã Bolsonaro. Confirmado inicialmente para participar do 7º Encontro Estadual do partido, em 4 de julho, em Joinville, Zema acabou desconvidado após novas críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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Em contato com o Estado de Minas, a diretoria de comunicação da legenda catarinense confirmou que "o convite foi desfeito pelo diretório estadual”. A justificativa apresentada foi a defesa de união das forças de direita para "tirar o PT do poder" e, segundo o partido, os posicionamentos recentes de Zema caminham em sentido contrário.

Procurado pela reportagem, Zema se esquivou de comentar diretamente o "desconvite" e ressaltou apenas sua relação com Santa Catarina. "Sou muito bem recebido pelos catarinenses, tenho um carinho muito especial por eles. Já estive várias vezes no estado e em breve estarei lá novamente", afirmou.

A decisão ocorre em um dos estados onde a relação entre Novo e PL é mais próxima. Em Santa Catarina, as duas legendas formam uma chapa para a disputa do governo estadual, com o ex-vice-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo) como pré-candidato ao Palácio Barriga Verde e o governador Jorginho Mello (PL) como pré-candidato a vice.

O presidente do Novo em Minas Gerais, Cristopher Laguna, saiu em defesa de Zema. Ele atribuiu o desconvite a pressões internas sofridas pelo comando catarinense e avaliou que a decisão destoa da postura adotada pelo partido em outros estados.

“Acredito que ele (Kahlil Zattar, presidente do Novo em Santa Catarina) possa estar sofrendo muita pressão e isso pressão fez com que ele tomasse essa atitude, que não é atitude de Minas e não é dos outros estados”, afirmou.

Laguna ainda classificou a postura da executiva catarinense como “desagregadora e desnecessária”, e disse que não representa a orientação da direção nacional do partido. O dirigente também afirmou que a iniciativa configura um desrespeito ao presidente nacional da sigla, Eduardo Ribeiro, catarinense de origem. “Não representa o que o Novo nacional quer”, declarou. Procurado pelo EM, Ribeiro não se manifestou até o fechamento desta publicação.

A ofensiva de Zema contra o também presidenciável Flávio Bolsonaro ganhou um novo capítulo na última sexta-feira (12/6), após semanas de aparente trégua. Em entrevista ao portal "Brasil Paralelo", o ex-governador afirmou que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela” ao comentar a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, alvo de investigações por fraudes financeiras.

Na entrevista, Zema disse que expressou sua indignação sobre a relação. Ele ainda comentou sobre a doação de R$ 1 milhão recebida pelo Novo do pai de Vorcaro, Henrique, em 2022, e disse acreditar que o PL recebeu "muito mais". "Doou só R$ 1 milhão, mas deveria ter doado mais por ser o partido mais sério do Brasil, que mais combate a corrupção. Acho que ele doou pouco porque ele sabia da nossa postura já", disse.

Como reação, o irmão de Flávio e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu um rompimento de alianças do PL com o Novo em todo o país e que não havia motivos para não confiar em Vorcaro em 2024, quando a quantia em dinheiro foi pedida. "Que postura vagabunda. Critica o Flávio Bolsonaro apenas porque ele queria estar no lugar do Flávio. Por mim, rompia geral com o partido Novo", escreveu no X.

Perguntado sobre o assunto nesta segunda-feira (15/6), durante o Fórum Rumos do Brasil, em São Paulo, Zema minimizou a possibilidade de um rompimento entre PL e Novo e atribuiu a defesa de Eduardo Bolsonaro a “uma opinião mais da ordem pessoal dele”.

O pré-candidato mineiro também procurou preservar a ponte com o bolsonarismo ao afirmar que apoiaria Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT).

“Se discordo dele (Flávio), discordo muito mais do PT”, declarou. Ainda assim, deixou claro que não pretende rever as críticas feitas ao senador. “Não retiro nada do que falei. Tá dito, mas eu estou olhando para o futuro agora."

‘Imperdoável’

Antes visto por integrantes do PL como um potencial vice para o “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro, Zema agora coleciona atritos com o clã bolsonarista. Um mês atrás, quando as conversas de Flávio e Vorcaro foram divulgadas, Zema já havia criticado o senador dizendo ser "imperdoável" o pedido de R$ 134 milhões para financiar a cinebiografia de seu pai e afirmou que não havia “explicações convincentes” para a relação entre os dois.

Durante agenda em Blumenau, em Santa Catarina, Zema chegou a dizer que o Novo havia sido “traído” por não ter sido informado sobre a ligação entre o senador e o banqueiro. O ex-governador ainda disse que votar em Flávio era "entregar a eleição para Lula". Posteriormente, Zema recuou e disse que a situação era "página virada", e na visita de Flávio a Belo Horizonte, no começo deste mês, chegou a posar para fotos ao lado do senador em um evento do agronegócio.

Alvo das críticas, Flávio adotou um tom conciliador. À época das primeiras declarações de Zema, o senador classificou como “precipitado”, afirmou ter tentado contato com o ex-governador após as críticas e disse que esperava receber dele “o benefício da dúvida” antes de ser publicamente condenado pelo episódio envolvendo Daniel Vorcaro. “Ele se equivocou em se antecipar e me pré-condenar. Eu jamais faria isso com ele”, disse.

Respingo na campanha de Simões

A postura de Zema pode, ainda, criar ruídos nas articulações de seu herdeiro político, o governador de Minas Gerais Mateus Simões (PSD), que se prepara para disputar a reeleição. O PL já havia decidido, no mês passado, colocar em segundo plano a possibilidade de compor com Simões e concentrar esforços na construção de uma aliança com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).

Nos últimos dias, porém, o nome de Simões voltou a ser citado entre dirigentes do partido bolsonarista diante das indefinições em torno da candidatura de Cleitinho. Durante agenda em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas e reduto político do senador, neste sábado (13/6), Simões voltou a demonstrar confiança na possibilidade de “unificar a direita”. "É possível, sim, uma unificação”, disse. 

Mas, diante da insistência de Zema em manter Flávio na sua lista de "personas non gratas", a avaliação interna agora é de que o afastamento é “praticamente definitivo”. Simões fará, ao menos no primeiro turno, campanha para Zema, o que já complica por si só a aliança com o PL, já que o partido precisa de um palanque no estado para o seu próprio presidenciável. 

Na semana anterior às novas declarações de Zema, o secretário-geral do PL chegou a isentá-lo dos ataques e culpou o “marqueteiro ruim”. “Aquilo não foi o Zema. Sabe aqueles marqueteiros ruins? ‘Aqueles neguinho’ que só quer (sic) viralizar na rede social? Deve ter sido o mesmo marqueteiro que orientou o Zema a comer banana com casca”, disse ele, que defende cautela em fechar portas, “pois os adversários são o PT e seus aliados”. 

Agenda no Nordeste

Enquanto isso, Zema se prepara para uma série de compromissos no Nordeste, região onde enfrenta maiores dificuldades eleitorais. Entre a quarta-feira (17/6) e o sábado (20/6) desta semana, o ex-governador cumprirá agenda em Pernambuco e na Paraíba.

O roteiro começa em Recife, com um encontro com filiados do Novo. Em seguida, ele seguirá para Caruaru, onde visitará a associação comercial do município, participará das festividades de São João e acompanhará jogos da Seleção Brasileira. No dia seguinte, a programação prevê visitas ao Museu do Mestre Vitalino e à tradicional Feira de Caruaru.

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A agenda será encerrada na Paraíba, com encontros políticos em Campina Grande e João Pessoa.

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