EM DISCUSSÃO NA CÂMARA

Fim da escala 6x1 pode atingir 1,4 milhão de trabalhadores em Minas

Estado tem 1,46 milhão de trabalhadores na jornada de seis dias seguidos, segundo maior do país; acordo prevê transição para escala 5x2 em até um ano

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O fim da escala 6x1 pode beneficiar diretamente 1.463.257 trabalhadores em Minas Gerais, segundo estimativa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número representa os profissionais que hoje trabalham seis dias por semana e teriam direito a dois dias de descanso com a adoção da escala 5x2. A mudança integra a proposta defendida pelo governo federal para reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas.

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Segundo os dados do MTE, Minas Gerais possui atualmente 2.749.276 trabalhadores já inseridos no modelo 5x2, o equivalente a 65,26% do total identificado. Outros 34,74% ainda estão submetidos à jornada com apenas um dia de folga semanal.

A proposta avançou na última segunda-feira (25/5), após acordo firmado entre o governo federal e a Câmara dos Deputados. O entendimento estabelece prazo de 60 dias após a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para o início do fim da escala 6x1. Nesse período inicial, a jornada semanal cairá de 44 para 42 horas e os trabalhadores passarão a ter dois dias de descanso por semana.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a transição completa para as 40 horas ocorrerá no prazo máximo de um ano. Segundo ele, o cronograma busca equilibrar as demandas dos trabalhadores e do setor produtivo.

“Isso atende um apelo da classe trabalhadora, também escuta o setor produtivo. Dá um tempo para que os setores possam se organizar”, declarou Motta ao anunciar o acordo ao lado dos ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e das Relações Institucionais, José Guimarães.

O relator da PEC, Leo Prates, informou que o texto deve ser votado ainda nesta semana na Comissão Especial e no plenário da Câmara. “Para o que mais interessa para o povo brasileiro, que foi o fim da escala 6x1, não há transição, são 60 dias a partir da promulgação”, afirmou.

Pelo cronograma acordado, após os primeiros 60 dias os trabalhadores passarão a cumprir escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso, com limite de 42 horas semanais. Depois de 12 meses, a carga será reduzida para 40 horas semanais.

Segundo o governo federal, a redução da jornada semanal para 40 horas alcançaria 3.839.088 trabalhadores mineiros, especialmente nas áreas de comércio, serviços, indústria e logística.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia formalizado, em abril, o envio ao Congresso do projeto com urgência constitucional. A proposta também proíbe redução salarial durante a transição.

“Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos”, afirmou o presidente Lula, em pronunciamento no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora.

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Nacionalmente, o levantamento identificou 44,7 milhões de trabalhadores, dos quais 14,9 milhões ainda atuam na escala 6x1. O Sudeste concentra o maior contingente de trabalhadores nesse modelo, com cerca de 7 milhões de pessoas. Entre os estados, São Paulo lidera o ranking, com 4,28 milhões de trabalhadores na escala 6x1, seguido por Minas Gerais, com 1,46 milhão.

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