CLIMA BOLSONARISTA

Senado vira palco de festa bolsonarista após derrota de Jorge Messias

Com gritos de "esse é meu presidente", elogios a Flávio Bolsonaro e críticas ao governo Lula, oposição tratou rejeição do indicado ao STF como marco político e ensaio para as eleições

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A derrota de Jorge Messias na votação do Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) rapidamente extrapolou o campo institucional e se transformou em um ato de celebração da oposição. Nos corredores da Casa, o clima era de vitória entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que converteram o revés do Palácio do Planalto em discurso de força política e de projeção para eleições de 2026.

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O embate foi tratado por parlamentares bolsonaristas como uma disputa entre os “Messias”. De um lado, Jorge Messias, indicado do presidente Lula, que após a derrota citou passagens bíblicas e afirmou ter deixado o resultado “nas mãos de Deus”. Do outro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado por aliados como o principal nome por trás da articulação que culminou na rejeição e celebrado como o grande vencedor político da noite.

A leitura foi reforçada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que afirmou ver no resultado um sinal claro de desgaste do governo federal e um indicativo do humor político do país às vésperas de um novo ciclo eleitoral. Segundo ele, a derrota do indicado de Lula representou um recado institucional e popular sobre a necessidade de reequilíbrio entre os Poderes.

“Nós estamos no meio de um processo eleitoral, no meio de uma crise moral das instituições e temos um governo que tenta desesperadamente recomeçar com a sociedade”, disse Marinho. O senador acrescentou que a votação mostra que “a democracia exige equilíbrio, paridade e repartição entre os Poderes”, além de defender que o futuro indicado ao Supremo reflita esse novo momento político.

Em coletiva de imprensa, Flávio Bolsonaro afirmou que não atuou diretamente nas articulações contra Jorge Messias e classificou a derrota do governo como fruto de um movimento espontâneo dentro do Senado. Ainda assim, adotou um tom duro ao avaliar o impacto político da votação. 

“Uma série de fatores levaram a esse resultado inédito de derrota do governo. E, mais uma vez, para mim, com essa votação, o governo acabou. O governo não tem governabilidade, não tem mais a menor condição de tratar de absolutamente nada aqui no Congresso”, declarou o senador, afirmando que todo o processo ocorreu “dentro da normalidade, da democracia e do respeito”.

Enquanto Flávio falava à imprensa, apoiadores vestidos com a camisa da Seleção Brasileira vibravam ao redor do senador, gritando “esse é meu presidente” e “o nosso presidente venceu”, em uma cena que deu ao episódio contornos explícitos de pré-campanha eleitoral.

Quem engrossou o coro foi a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que atribuiu diretamente ao filho do ex-presidente a liderança do movimento oposicionista.

“Essa é a primeira grande vitória do Flávio Bolsonaro, que nos liderou e conduziu. Não é nada contra o Jorge Messias, é o Senado Federal restabelecendo sua credibilidade. É uma questão de independência dessa instituição, liderada por Flávio Bolsonaro”, afirmou a parlamentar.

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Com a rejeição de Messias, a oposição tenta consolidar a narrativa de que a derrota do indicado de Lula não foi apenas uma votação sobre uma vaga no Supremo, mas um episódio capaz de redesenhar o ambiente político em Brasília — e de impulsionar, desde já, o bolsonarismo para o centro do debate eleitoral de 2026.

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