Janela partidária redesenha disputa pelo Senado em Minas Gerais
Fim do prazo para filiações abre caminho para definição de chapas majoritárias no estado, que já tem cinco nomes colocados para concorrer às duas vagas abertas
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Após o fim da janela partidária no último dia 3, prazo legal para que os candidatos às eleições deste ano estejam filiados a um partido, o quadro começa a se desenhar na disputa pelo Senado em Minas. Diferentemente de 2022, quando apenas uma vaga estava em jogo, neste ano, os eleitores mineiros vão escolher dois senadores.
Alguns nomes já estão definidos, mas as composições das chapas majoritárias, formadas pelos candidatos ao governo e ao Senado, ainda seguem em aberto. No entanto, as trocas de legenda dão pistas de alguns caminhos.
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A definição mais recente envolve a família Azevedo, liderada no estado pelo senador Cleitinho (Republicanos), pré-candidato ao governo de Minas. Seu irmão, Gleidson Azevedo (Republicanos), ex-prefeito de Divinópolis (MG), no Centro-Oeste do estado, que estava cotado para disputar uma das vagas no Senado, declarou na segunda-feira (6/4) que vai concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados.
“Vou falar aqui para acabar com essa questão. O que o Gleidson vai ser? Sou pré-candidato a deputado federal”, disse o ex-prefeito durante evento de lançamento da candidatura à reeleição do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), um dos três irmãos Azevedo que atuam na política.
O evento contou com a presença de dois outros pré-candidatos ao Senado, o deputado federal e presidente do PL mineiro, Domingos Sávio, que também já foi prefeito de Divinópolis, e o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP).
A dupla terá apoio da família Azevedo, uma sinalização de que o Republicanos pode se aliar ao PL e ao PP para a disputa pelo governo do estado, tendo Cleitinho ou o governador Mateus Simões (PSD) na cabeça da chapa. O senador disse que só vai decidir seu destino em junho, mas sua candidatura conta com a simpatia de parte do PL.
O problema na aliança com Simões é a ida do senador Carlos Viana para o PSD para disputar a reeleição. A filiação do senador ao partido de Simões causou mal-estar na legenda e foi interpretada como uma “traição” pelo grupo político de Aro. E também como um indício de que o apoio prometido do PP e do União Brasil, que estão federados, à candidatura de Simões pode não vingar.
Como são somente duas vagas para o Senado na chapa majoritária de Simões, algum dos pré-candidatos já lançados teria que abrir mão da disputa em caso de uma aliança dessas legendas em torno do governador.
Outro movimento visto nos bastidores como uma sinalização de uma possível composição entre Republicanos e PL é a permanência na legenda de Eduardo Azevedo (PL). O deputado disse, em entrevista ao Estado de Minas, que nem ele e nem o ex-prefeito de Divinópolis ficariam em uma chapa adversária de uma possível candidatura de Cleitinho ao governo.
Na entrevista, ele pregou a união da direita em torno de Cleitinho, candidato mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. O deputado permaneceu no PL e o ex-prefeito deixou o Novo para se filiar ao Republicanos. Gleidson afirmou, durante o evento de segunda-feira, que mudou de legenda para assegurar sua eleição. Isso porque o partido pode não obter votos suficientes para conquistar uma cadeira, como aconteceu nas eleições passadas, quando o Novo em Minas não elegeu nenhum deputado federal.
Esquerda
No campo ligado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os nomes já estão praticamente definidos, mas não se sabe se caminharão juntos na chapa majoritária. As candidatas serão a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) e a ex-deputada Áurea Carolina (Psol).
No entanto, como não vingou a federação Psol/PT, é possível que as duas não estejam na mesma chapa majoritária, também ainda indefinida, mas que deve ser encabeçada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB). Marília vem defendendo que seu nome seja o único na coligação de Lula no estado, mas uma parte dos petistas teme o efeito Dilma Rousseff nas eleições de 2018.
Naquela disputa, a ex-presidente aparecia em primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto para uma das duas vagas do Senado, mas acabou ficando de fora. À época, o PT lançou o nome de Dilma e também do ex-deputado Miguel Correia Junior, mas não fez campanha casada e o segundo voto da esquerda acabou elegendo Carlos Viana e Rodrigo Pacheco.
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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que também tinha pretensões de disputar o Senado com o apoio de Lula, acabou não se desincompatibilizando e permaneceu no PSD. A data limite para todas as definições envolvendo a chapas majoritárias é 15 de agosto, prazo máximo para que os partidos registrem oficialmente seus candidatos na Justiça.