Tarcísio e bolsonaristas ignoram tarifaço dos EUA ao Brasil após apoio a Trump
Nas redes sociais, o assunto ficou fora das publicações de parlamentares bolsonaristas do Congresso e da base do governador de São Paulo
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Siga noSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de comemorar nas redes sociais, em janeiro, a posse de Donald Trump nos Estados Unidos, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e seu entorno ignoraram a imposição de tarifas comerciais americanas a produtos do Brasil, anunciada na quarta-feira (2).
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Em um evento realizado na manhã desta quinta (3), no Palácio dos Bandeirantes, para tratar de obras de infraestrutura rodoviária, secretários de Estado e deputados da base do governador nem sequer mencionaram o tema nas conversas que antecederam a agenda, segundo relatos colhidos pela Folha de S.Paulo.
Embora tivesse convocado a imprensa, Tarcísio saiu sem atendê-la. Nas redes sociais, o assunto também ficou fora das publicações de parlamentares bolsonaristas do Congresso e da base do governador.
Segundo um auxiliar, Tarcísio vai esperar análises de sua equipe sobre os impactos das tarifas antes de fazer algum comentário público.
Os produtos brasileiros terão uma tarifa linear de 10%, de acordo com o anúncio de Trump, mesmo percentual de vizinhos como Argentina, Chile e Colômbia.
Embora as tarifas possam encarecer os produtos brasileiros no mercado americano, o Brasil foi menos sobretaxado que outros países - nos países do sudeste asiático, as tarifas superaram 30% e, para a União Europeia, a taxação foi de 20%.
Um deputado bolsonarista ouvido pela reportagem afirmou que o governador deverá evitar o tema por ora, seguindo a avaliação de que o assunto deve ser tratado na esfera federal. Para esse aliado, a base bolsonarista não crê que o apoio a Trump vá gerar constrangimentos apesar dos eventuais prejuízos.
"Não respingou nele [Tarcísio]. Não tivemos nenhuma cobrança vinda de nossa base até aqui. O governador não deve se mexer por enquanto", disse a deputada estadual Dani Alonso (PL).
A base, contudo, descarta defender as medidas, segundo outro integrante do grupo. "Essa conta irá para o governo Lula, que está sendo inapto em negociar com um tubarão", disse outro deputado estadual da base de Tarcísio, Lucas Bove (PL). "Este é um não assunto."
A pauta de exportações paulista é diferente da brasileira. Enquanto o país, como um todo, tem a China como principal parceiro comercial, no caso de São Paulo a maioria das exportações é destinada justamente aos Estados Unidos.
No ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, São Paulo exportou US$ 13,6 bilhões (R$ 76,2 bilhões) aos EUA, com destaque para aviões, equipamentos de engenharia, sucos de laranja e óleos combustíveis. Para a China, o total exportado foi de pouco mais de US$ 8,3 bilhões (R$ 46,5 bilhões).
Trump já havia prometido adotar políticas protecionistas em sua campanha eleitoral. Quando ele tomou posse, em 20 de janeiro, Tarcísio publicou um vídeo colocando o boné vermelho do republicano, com a frase em inglês "Make America Great Again" (faça a América grande de novo). No vídeo, ele diz "grande dia" e sorri.
A Folha de S.Paulo questionou o Palácio dos Bandeirantes sobre os impactos que o tarifaço trará à economia paulista e que medidas serão adotadas para mitigá-los, mas não obteve resposta.
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