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CÂMARA DE BH

Após boas-vindas à 'Família Aro', PV suspende vereador Wagner Ferreira

Parlamentar já estava na corda bamba por apoiar nome contrário à PBH para o comando da CMBH

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O vereador de Belo Horizonte Wagner Ferreira foi afastado do Partido Verde (PV) em decisão do diretório estadual da legenda nesta terça-feira (1°/4). De acordo com a direção da sigla, ele incorreu em descumprimento do estatuto e das orientações partidárias. O parlamentar já estava na corda bamba desde o início do ano, quando optou pelo apoio a Juliano Lopes (Podemos) para a Presidência da Câmara Municipal em detrimento do governista Bruno Miranda (PDT).

A decisão do partido sobre o futuro de Wagner Ferreira se arrastava desde janeiro e aconteceu um dia após nova manifestação de proximidade entre o vereador e o secretário de Governo de Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro (PP). O homem forte das articulações políticas do governador mineiro lidera um grupo político conhecido como “Família Aro” com ramificações em diferentes esferas do poder e grande representação na Câmara de BH.

Segundo a direção do PV, a suspensão vale por tempo indeterminado. Com o efeito da medida, Wagner não poderá representar o partido dentro da Câmara, mas, conforme apurou a reportagem, segue atuando em suas funções normalmente. De acordo com o regimento interno, cada vereador deve integrar ao menos uma das comissões permanentes da Casa. 

Wagner é presidente da Comissão de Administração Pública, membro suplente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana e é o 1º secretário da mesa diretora, primeiro cargo de suplência do secretário-geral da Casa.

Procurado pelo EM, Wagner Ferreira afirmou que ainda não foi oficialmente notificado sobre a decisão do partido e, por isso, não vai se pronunciar oficialmente acerca do tema.


Aproximação com Aro

Na segunda-feira (31/3), a deputada federal e ex-presidente da Câmara Municipal de BH, Nely Aquino (Podemos) publicou uma foto em seu perfil no Instagram ao lado de Wagner e Aro. A legenda da publicação dizia: “Nosso trabalho é por BH e por Minas, nos unimos com o propósito de fazermos uma política de diálogo e construção, voltada para o cidadão. Feliz em te dar as boas vindas a este grupo/família meu amigo Wagner Ferreira”. O post foi compartilhado pelo vereador suspenso pelo PV.

As boas-vindas à Família Aro concretiza uma aproximação que se iniciou no fim do ano passado, após as eleições municipais. Com a nova formação da Câmara definida, começaram as articulações para definir o presidente da Casa e a mesa diretora para a legislatura que se iniciaria em janeiro.

Na segunda-feira após o segundo turno das eleições, em 28 de outubro, 23 vereadores se reuniram para selar apoio a Juliano Lopes à presidência. Wagner Ferreira estava entre os nomes que, sob a influência de Marcelo Aro, se organizaram para formar maioria na votação da Casa que conta com 41 cadeiras.

Em entrevista ao Estado de Minas em novembro, Wagner Ferreira defendeu que parlamentares de esquerda e centro-esquerda estivessem ao lado de Lopes para garantir uma vaga na mesa diretora. À época, apenas o vereador do Podemos postulava o cargo.



Só em 25 de dezembro Bruno Miranda (PDT), líder governista na Câmara, anunciou que seria candidato a presidente e acrescentou seu nome à disputa que, até então, tinha Juliano Lopes como concorrente solitário. Com o embarque da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) na disputa, era esperado que nomes alinhados à situação, caso de Wagner, trocassem de lado na votação, o que não ocorreu.

Com Wagner entre os 23 votantes, Juliano Lopes foi eleito presidente da Câmara em sessão no primeiro dia do ano. A decisão de rejeitar a chapa governista foi mal vista dentro do PV, que escrutinou o episódio na comissão de ética do partido.

Além do histórico governista na Câmara Municipal na legislatura anterior, Wagner Ferreira esteve entre os nomes de seu partido que embarcaram na candidatura de Fuad Noman (PSD) à prefeitura ainda no primeiro turno. A decisão causou turbulência na federação formada por PV, PCdoB e PT, que tinham no deputado federal Rogério Correia (PT) seu candidato próprio na disputa.

Família Aro

A influência da Família Aro na política mineira data do século passado e tem suas origens na Federação Mineira de Futebol (FMF). Além de comandar a articulação política de Zema no segundo mandato do governador, o secretário é filho do deputado estadual Zé Guilherme (PP) e da vereadora Professora Marli (PP).

Na Câmara Municipal de BH, Aro demonstrou força ao eleger Juliano Lopes a partir da mobilização de sua base sólida acrescida por novos nomes, incluindo o de Wagner Ferreira, agora oficialmente incluído na ‘família’. 

Embora Lopes tenha vencido o líder de governo na eleição interna da Câmara, o grupo está longe de ser um opositor do Executivo de Belo Horizonte. Antes de se reeleger, Fuad Noman contou com o apoio da ‘Família Aro’ para comandar a capital mineira. Os secretários municipais de Governo, Castellar Neto; de Educação, Roberta Rodrigues Martins; de Meio Ambiente, José Reis Nogueira; e de Desenvolvimento Econômico, Fernando Campos Motta foram indicados por Marcelo Aro.

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Castellar Neto (PP), inclusive, é um aliado de todas as horas de Marcelo Aro. Sob a influência do secretário de Zema ele já passou pela presidência da FMF, pelo secretariado da PBH e pelo Senado Federal na vaga de Carlos Viana (Podemos) durante período em que o parlamentar se licenciou do cargo para concorrer à prefeitura da capital.

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