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LEITOR DIZ QUE ‘A VERDADE TAMBÉM ENTRA NA URNA’

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“Terminada a apuração do primeiro turno, a campanha eleitoral entrou numa fase em que a informação passou a valer quase tanto quanto o voto. E, nas redes sociais, a verdade começou novamente a disputar espaço com aquilo que apenas parece verdade. É preciso registrar isso porque a discussão não pode ser transformada em torcida organizada. Mentira contra adversário continua sendo mentira. A questão, portanto, não é impedir alguém de criticar um candidato. Isso seria incompatível com uma democracia. O cidadão pode dizer que determinada fala foi absurda, infeliz, contraditória ou ofensiva. Pode interpretar. Pode discordar. Pode até fazer uma caricatura. O que não pode é fabricar um fato. Existe uma diferença enorme entre opinião e falsificação. A primeira pertence ao debate democrático. A segunda contamina o debate. E há algo ainda mais perigoso nessa história. O eleitor está sendo convidado a acreditar que, se uma informação continua disponível nas redes, significa que foi verificada. Não significa. A ausência de uma ordem judicial para retirar determinado conteúdo também não transforma a postagem em verdade. O Judiciário não é certificado de autenticidade da internet. O problema é que a mentira eleitoral costuma ser mais eficiente que a verdade. A mentira chega curta, indignada e pronta para compartilhar. A verdade geralmente precisa de contexto, documentos e alguns minutos de atenção. No ambiente digital, cinco segundos de indignação costumam derrotar cinco minutos de leitura. É justamente por isso que a responsabilidade não pode ser terceirizada ao TSE, ao STF ou às plataformas. A Justiça deve retirar aquilo que comprovadamente viola a lei. Os candidatos devem responder pelo que dizem. E o eleitor precisa desconfiar daquilo que confirma perfeitamente aquilo que já queria acreditar. Porque democracia não é o direito de inventar fatos para destruir o adversário. É o direito de enfrentá-lo com fatos, argumentos e liberdade. No fim, a urna registra votos. Mas a história registra também como eles foram disputados.”

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GREGÓRIO JOSÉ
Belo Horizonte

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