EDITORIAL

Combate ao tabagismo exige medidas atualizadas

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As campanhas antitabagistas existem há pelo menos 40 anos, houve inegáveis avanços educacionais, mas especialistas concordam que somente com passos severos, atualizados e intervencionistas é que se reduz um problema de saúde pública

Em 22 de abril, o Reino Unido deu um passo radical no combate ao tabagismo: proibiu a venda de cigarros para todas as pessoas que nasceram a partir de 1º de janeiro de 2009. A restrição é para a vida toda. Mesmo depois que se tornarem adultos, esses cidadãos não poderão comprar uma carteira de cigarros. E não é apenas isso que chama a atenção. A nova lei obteve aprovação nas duas casas do Parlamento, sem discussões mesquinhas a respeito de restrições à liberdade e ao poder de escolha – argumentos que, habitualmente, escondem o financiamento dos lobbies contrários ao tema.

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A proibição adverte para o dever de cuidado que uma sociedade tem que ter. Como se sabe há décadas, não é somente o fumante que fuma. Quem está próximo também absorve os elementos tóxicos desprendidos da fumaça do cigarro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) contabiliza mais de 8 milhões de mortes por ano, sendo que, dessas, 7 milhões pelo consumo direto e 1,2 milhão pelo tabagismo passivo.

O consumo do cigarro esconde um lado ainda mais cruel: o das falsificações e as marcas sem controle sanitário. As máfias que dominam o mercado ilegal, não por acaso braços de facções criminosas conhecidas do público e das autoridades, misturam restos, talos e folhas mofadas ou apodrecidas de tabaco. A elas se juntam, também, materiais orgânicos indefinidos, cujo cheiro desagradável é disfarçado com a adição de produtos químicos diversos — muitos impróprios para consumo humano, mesmo em baixas quantidades. Absorve-se, assim, muito mais do que nicotina e alcatrão.

As campanhas antitabagistas existem há pelo menos 40 anos, houve inegáveis avanços educacionais – o Brasil, inclusive, já foi reconhecido internacionalmente pela adoção de medidas de controle ao fumo –, mas especialistas concordam que somente com passos severos, atualizados e intervencionistas é que se reduz um problema de saúde pública. Isso porque, conforme admitem, a presença do tabaco permeia vários setores dinâmicos da sociedade, tal como a cultura.

Em paralelo, há a questão econômica. O tabaco é um produto fundamental para a balança comercial de muitos países das Américas, da Ásia e da África. Que não têm projeto ou interesse de substituir uma cultura secular por qualquer outra que possibilite até mesmo maior valor agregado nas trocas internacionais.

A tudo isso, adicione-se o consumo crescente dos vapes, sobretudo entre os jovens, os mais vulneráveis às mentiras e empulhações. A necessidade de pertencimento dessa camada fomenta o uso. Entre eles, também, os efeitos das campanhas de conscientização são os menos bem-sucedidos.

O passo dos britânicos pode ser considerado extremo, mas leva a pensar. Tal como quando ganharam força as campanhas antitabagistas nos Estados Unidos – país que concentrava quatro dos grandes complexos industriais do cigarro –, no fim da década de 1970. Houve, à época, uma reação feroz das grandes produtoras, alegando, evidentemente, tratar-se de uma agressão às liberdades individuais constitucionais. O tempo, porém, passou, as pesquisas prevaleceram, os vetores de esclarecimento encorparam e, hoje, há o consenso de que tais informativos são fundamentais à saúde pública.

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Estimativa publicada pela Tobacco Induced Diseases, em 2021, calcula em aproximadamente US$ 1,7 trilhão o gasto dos países com as doenças relacionadas ao fumo, o equivalente a cerca de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Para quem não se sensibiliza com os efeitos do cigarro na vida dos cidadãos, é importante lembrar que saúde pública é, também, uma questão econômica.

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