Brasil possui 213 barragens com alto risco de acidentes, diz ANA
Relatório divulgado pela agência mostra que a mineração concentra o maior número de estruturas sob risco, com 55 barragens, seguida pelo abastecimento de água, com 51
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Relatório divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mostra que o Brasil possui 213 barragens com alto risco para acidentes e alto potencial de dano. Caso rompam, as estruturas podem atingir pessoas ou equipamentos relevantes, como estradas e pontes.
O dado consta no Relatório de Segurança de Barragens (RSB) 2026, divulgado anualmente pela agência. As barragens de alto risco estão localizadas em 19 estados e no Distrito Federal, com destaque para estruturas no Ceará, em Mato Grosso e São Paulo.
Entre as atividades que utilizam barragens, a mineração é a que tem maior número de estruturas prioritárias, 55 (26%), enquanto 51 (24%) das dedicadas ao abastecimento de água para a população estão em situação semelhante.
Em seguida vêm estruturas para irrigação, com 29 (14%), regularização de vazão, com 20 (9%), paisagismo, com 17 (8%), consumo de água por animais, com 16 (8%), e outros usos, com 25 (12%).
O relatório registrou, em 2025, um total de 41 ocorrências, sendo 18 acidentes e 23 incidentes no país, sem mortes. Entretanto, ocorreram evacuações de áreas urbanas e danos em estradas e pontes. Nos acidentes, as estruturas das barragens colapsaram, enquanto nos incidentes, elas são afetadas, com risco de rompimentos. Chuvas intensas ou cheias foram associadas a 66% das ocorrências totais.
Ao todo, o Brasil encerrou 2025 com 29.761 barragens cadastradas no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (Snisb). Em 2026, o número cresceu para 30.933, com 1.116 novos cadastros.
Falta enquadramento
Segundo a ANA, um dos maiores desafios identificados é que 14.355 barragens (48% do total) ainda não foram verificadas quanto ao enquadramento na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) por falta de dados básicos como altura, capacidade ou classificação de Dano Potencial Associado (DPA).
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O principal problema é que a falta de identificação gera um vácuo de fiscalização, onde estruturas potencialmente perigosas operam sem qualquer controle técnico ou supervisão legal, aumentando a probabilidade de acidentes e desastres sem aviso prévio.
O documento revela que apenas 6.609 barragens (22%) estão formalmente sob as normas da PNSB por atenderem aos critérios da lei. Entre as barragens enquadradas na lei, apenas 24% possuem Plano de Segurança (PSB) e 23% possuem Plano de Ação de Emergência (PAE).
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*Estagiário sob supervisão de Victor Correia