PM de folga mata por engano vítima de assalto
O policial responsável pelos disparos, Ítalo Feitoza Hattori, de 27 anos, foi preso em flagrante sob a suspeita de homicídio culposo (sem intenção)
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O empresário de 58 anos morto ao ser baleado por um policial militar de folga durante uma tentativa de assalto na tarde de sábado (28/3), no Butantã, zona oeste de São Paulo, foi confundido com um dos ladrões, segundo a mulher da vítima. Atingido com tiro na nuca e outro nas costas, ele teve morte instantânea.
O policial responsável pelos disparos, Ítalo Feitoza Hattori, de 27, foi preso em flagrante sob a suspeita de homicídio culposo (sem intenção). Ele acabou liberado após pagamento de fiança de R$ 3.000. Durante interrogatório, o PM preferiu permanecer em silêncio e disse que só se manifestaria em juízo.
A polícia não divulgou se ele já constituiu advogado, por isso não foi possível acionar a sua defesa. A secretaria da Segurança Pública afirmou que o caso é acompanhado pelas Corregedorias e que a Polícia Militar atua com rigor quando há indícios de ilegalidade por parte de algum agente.
Durante a intervenção, um suspeito também foi baleado e morreu momentos depois. Ele foi posteriormente identificado como Gabriel Farias Luiz, de 28. A reportagem não conseguiu contato com alguém que o representasse.
Passeio termina em assalto
Conforme a versão oficial, o empresário Celso Bortolatto de Castro e a mulher, Rosmary Javelberg, de 65, retornavam de um passeio de moto à cidade de São Roque, interior do estado, quando foram abordados por dois assaltantes, também em uma motocicleta. O garupa estava armado.
Ao perceber o assalto, na esquina das ruas Dráusio e Sapetuba, Castro tentou fugir, mas acabou se desequilibrando e caiu com a moto. Rosmary, conforme contou aos policiais, estava na garupa e conseguiu sair debaixo do veículo. Em seguida, ela correu pela Rua Sapetuba.
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Durante a fuga, Rosmary retirou o capacete, olhou para trás e viu que seu marido também corria. Em seguida, percebeu que ele voltou até onde estava a moto caída e, de acordo com o registro policial, ouviu Celso dizer a Gabriel algo como: "Você não vai conseguir levantar a moto".
Na sequência, ela afirma que um terceiro homem, o policial militar, se aproximou e atirou contra Celso, atingindo-o pelas costas. "Você atirou no meu marido!", teria gritado.
Segundo ela, o agente demonstrou surpresa e imediatamente atirou em direção a Gabriel, que tentava fugir conduzindo a motocicleta. O suspeito foi atingido duas vezes no tórax e uma no braço.
Rosmary, então, disse que o agente se aproximou, identificou-se como policial militar e informou que já havia acionado o resgate.
Intervenção policial será "rigorosamente" investigada
A arma utilizada pelo PM, uma pistola calibre .40 da corporação, foi apreendida para perícia. A investigação ficará a cargo do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).
Em nota, a secretaria da Segurança Pública afirmou que todas as ocorrências de mortes decorrente de intervenção policial são rigorosamente investigadas com acompanhamento das corregedorias, Ministério Público e Poder Judiciário.
A pasta ainda afirma que todas as provas obtidas durante a investigação, incluindo as imagens das câmeras corporais, serão compartilhadas com os órgãos de controle e destaca que a "PM é uma instituição legalista e atua com absoluto rigor e celeridade sempre que há provas de ilegalidades por parte de seus integrantes."
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O suspeito que conseguiu fugir não foi localizado até a publicação deste texto.