Recrutados para lutar
Grupos armados utilizam crianças em combates e atividades de apoio no leste do Congo; violência também provoca o fechamento de milhares de escolas e aumenta o risco de exploração infantil
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O recrutamento de crianças por grupos armados continua entre as principais violações de direitos humanos na República Democrática do Congo. No leste do país, confrontos entre forças governamentais e organizações rebeldes provocam deslocamentos, interrompem a educação e expõem meninos e meninas à exploração.
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Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), ameaças e ataques de grupos armados haviam provocado o fechamento de mais de 5.200 escolas até agosto de 2025, deixando aproximadamente 1,9 milhão de crianças sem acesso às aulas.
A situação se agravou com a ofensiva do movimento rebelde M23, especialmente nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Famílias foram obrigadas a abandonar suas casas, enquanto escolas e serviços de saúde tiveram o funcionamento comprometido.
O recrutamento infantil envolve diferentes atividades. Crianças podem ser utilizadas como combatentes, mensageiras, vigias e carregadoras. Meninas também enfrentam riscos de violência sexual e exploração.
O UNICEF alerta que o abandono escolar e a separação familiar ampliam a vulnerabilidade ao recrutamento. A agência desenvolve ações de proteção, reunificação de famílias e reintegração de menores retirados dos grupos armados.
O retorno à vida civil exige acompanhamento psicológico, educação e oportunidades de formação profissional. Sem essas medidas, crianças que conseguem escapar da violência permanecem expostas a novas formas de exploração.
Para entender o conflito Na síria
1994
Genocídio em Ruanda
O genocídio contra os tutsis provoca a fuga de milhares de pessoas para o então Zaire, atual República Democrática do Congo. A presença de grupos armados amplia as tensões regionais.
1996
Primeira Guerra do Congo
Uma rebelião apoiada por países vizinhos derruba o regime de Mobutu Sese Seko no ano seguinte, iniciando uma nova fase de instabilidade política.
1998
Segunda Guerra do Congo
Um novo conflito envolve diversos países africanos e grupos armados, provocando uma grave crise humanitária.
2012
Surgimento do M23
O movimento rebelde M23 assume o controle de áreas no leste congolês. Após derrotas militares, perde posições, mas não desaparece.
2021
Retomada dos confrontos
O M23 reinicia operações militares. O governo congolês acusa Ruanda de apoiar os rebeldes, acusação sustentada por relatórios de especialistas
da ONU.
2025
Avanço rebelde
O M23 conquista Goma e Bukavu, importantes cidades do leste. A ofensiva provoca novos deslocamentos e amplia as violações contra civis.
2026
Crise prolongada
A insegurança continua nas províncias orientais, enquanto milhões de pessoas dependem de assistência humanitária. O recrutamento infantil permanece entre as principais preocupações do UNICEF.
“Fui açoitado porque me recusei matar”
Paluku, de 12 anos, foi sequestrado por rebeldes no Congo e obrigado a participar de atividades de um grupo armado
Paluku tinha 12 anos quando foi sequestrado pelas Forças Democráticas Aliadas (ADF), grupo rebelde que matou sua mãe durante um ataque a uma aldeia no leste do Congo. Seus irmãos também foram capturados.
Durante dois meses, permaneceu em acampamentos na floresta, onde recebeu treinamento com armas e foi obrigado a participar de saques.
“Fui castigado com chicotadas porque me recusei a matar pessoas”, contou à AFP, em dezembro de 2025.
Mesmo após a libertação, Paluku continuava preocupado com a irmã, ainda em poder dos rebeldes. “Ela se tornou esposa de um dos chefes das ADF”, relatou.
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Acolhido em um centro de recuperação psicológica, o menino tenta superar a violência e a separação familiar.