Olivia Rodrigo reage ao uso de suas músicas pelo governo Trump e faz uma advertência com palavras duras sobre a propaganda que motivou seu protesto público
Cantora exigiu a remoção de "All-American Bitch" de vídeos sobre deportações; gesto marca nova tensão entre a indústria musical e o governo
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Olivia Rodrigo enviou uma advertência direta à administração de Donald Trump: “Não usem jamais minhas canções para promover sua propaganda racista e odiosa”. A declaração ocorreu após o uso da música “All-American Bitch” em vídeos sobre deportações.
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O ex-presidente já havia tentado usar, sem sucesso, canções de outros artistas em sua agenda anti-imigrante. Ícones como Sabrina Carpenter, The Rolling Stones, Rihanna e Taylor Swift solicitaram a remoção de suas músicas, mas poucos se manifestaram de forma tão frontal quanto Rodrigo.
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Com apenas 23 anos, a cantora se consolidou como uma das maiores estrelas pop de sua geração desde o lançamento de “drivers license” em 2021. Seus trabalhos seguintes, como “SOUR”, “GUTS” e o recente “You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love”, reforçaram sua posição na indústria musical.
Nos últimos cinco anos, Olivia Rodrigo tem se posicionado politicamente em diversas frentes. Ela defende os direitos reprodutivos, especialmente após a anulação da sentença Roe contra Wade em 2022, e fala sobre a importância da vacinação e a crise humanitária em Gaza.
No final de agosto, a artista criou seu próprio festival, o Daisy Chain Fields, em Irvine, na Califórnia. O evento, focado no público feminino, buscou inspirar mudanças através da alegria e criatividade. Contou com a participação de cantoras como Doechii, Chappell Roan, Alanis Morissette e Stevie Nicks.
O festival arrecadou 10 milhões de dólares para organizações de apoio a mulheres e direitos reprodutivos, como a Planned Parenthood. A filantropa Melinda French Gates dobrou o valor, totalizando 20 milhões de dólares.
Riscos e novas vozes do ativismo
A determinação de Rodrigo em abordar temas sociais se destaca em um cenário de crescente despolitização da arte. Ed Sheeran, por exemplo, defendeu o direito ao silêncio após a demissão de Macklemore de sua turnê por dizer “Free Palestine”. "As pessoas que vêm aos meus shows não esperam um fórum político", afirmou Sheeran.
O posicionamento político de figuras públicas frequentemente gera consequências. A atriz Melissa Barrera foi demitida de “Scream 7” por mencionar o que chamou de genocídio em Gaza, e Susan Sarandon perdeu sua agência em 2023 após participar de um protesto sobre o mesmo tema.
Em entrevista ao “The New York Times”, Rodrigo explicou sua motivação. “Sou uma artista. E o que faço no meu trabalho é: ‘é assim que me sinto’. Acho que seria desonesto fingir que não tenho o coração partido com o que acontece em Gaza”, disse.
Questionada sobre a responsabilidade de se posicionar, ela respondeu: “É como quando digo que estou triste por um término. É a mesma coisa, a mesma emoção”.
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Outros artistas da nova geração também se manifestam sobre questões sociais, como Billie Eilish, Dua Lipa e Lorde. A pauta anti-imigrante nos Estados Unidos motivou posicionamentos de nomes como Bad Bunny, Kehlani, Shakira, Kali Uchis, Chappell Roan, Tyler, The Creator e Zara Larsson.