Internacional

Nepal busca justiça climática na ONU após enchentes devastadoras

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Sobreviventes das devastadoras inundações que atingiram os vales do Himalaia há quase um mês contam com o primeiro-ministro do Nepal para defender suas reivindicações por justiça climática na ONU. 

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O primeiro-ministro, Balendra Shah, de 36 anos, fará um apelo por ajuda internacional esta semana na Assembleia Geral das Nações Unidas, após o desastre que deixou mais de 1.400 mortos e mais de 6.000 desaparecidos no Nepal e na região chinesa do Tibete. 

Cientistas afirmam que as mudanças climáticas desempenharam um papel fundamental nas inundações de 26 de agosto, reforçando o argumento do Nepal de que os países montanhosos mais vulneráveis pagam um preço alto por uma crise da qual têm pouca responsabilidade. 

Karma Lama é uma das muitas vítimas que esperam que o primeiro-ministro faça sua voz ser ouvida na ONU. O jovem de 17 anos perdeu seus pais e outros cinco parentes quando torrentes de água, lama e detritos varreram comunidades inteiras. 

"Precisamos de moradia, precisamos de meios de subsistência (...). Os principais países do mundo precisam saber da nossa situação", disse ele à AFP em um abrigo temporário.

Quando a enchente atingiu a região, Lama estava a caminho da escola. Com estradas e pontes destruídas, ele caminhou por horas pelas florestas até chegar à sua aldeia no distrito de Rasuwa, apenas para não encontrar nada. 

Quase um mês após o desastre, helicópteros ainda entregam alimentos e medicamentos para comunidades isoladas, enquanto equipes de resgate continuam buscando corpos.

- Realocar milhares de deslocados -

No distrito de Nuwakot, escavadeiras trabalham incansavelmente para remover os escombros de casas soterradas sob montes de lama. 

Sobita Rijal, de 35 anos, ainda guarda as chaves da casa de três andares onde ela e o marido tinham uma pequena loja. 

Hoje, metade do prédio está sob os escombros, e a família vive amontoada em um quarto alugado. 

"Não sei o que causou isso, não sei o que é mudança climática", disse à AFP. "Mas o que posso dizer é que precisamos de ajuda... somos um país pequeno." 

O desastre evidenciou os riscos enfrentados por comunidades aninhadas aos pés das montanhas mais altas do mundo, onde até mesmo um leve aumento nas temperaturas globais pode desestabilizar geleiras e sistemas fluviais. 

O Nepal, um país predominantemente rural com 30 milhões de habitantes e que contribui muito pouco para as emissões globais de gases de efeito estufa, estima que a reconstrução poderá custar 4,78 bilhões de dólares (24,57 bilhões de reais).

Além de reconstruir cidades e infraestruturas, o país também terá que decidir como realocar milhares de pessoas deslocadas pelas inundações. Também precisará repensar projetos de infraestrutura, incluindo usinas hidrelétricas e corredores comerciais construídos em terrenos montanhosos particularmente frágeis.

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pm/abh/abs/meb/pb/aa/fp

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