Extrema direita alemã avança em duas eleições regionais
O partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita é simpatizante dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin
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O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) cresceu com força em duas eleições regionais realizadas neste domingo (20/9), em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, segundo pesquisas de boca de urna das emissoras públicas ARD e ZDF.
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A legenda, cuja ascensão pressiona o governo do chanceler conservador Friedrich Merz, venceria as eleições no estado do Nordeste do país com 37% a 38% dos votos e obteria 16% dos sufrágios na capital, segundo as pesquisas.
Merz chamou de "desastre" o resultado de seu partido, a CDU (centro-direita), na eleição em um estado do Nordeste do país que, segundo as pesquisas de boca de urna, foi vencida pelo partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).
De acordo com as pesquisas realizadas por duas emissoras públicas, a legenda conservadora recebeu cerca de 5% dos votos nas eleições de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o limite mínimo para entrar no Parlamento regional.
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Merz, 70 anos, convocou uma reunião de crise com dirigentes de seu partido, a CDU (centro-direita), para analisar os resultados das votações em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
Quase quatro milhões de eleitores votaram para escolher seus deputados nas duas regiões.
O chanceler, no poder há 16 meses, cancelou uma viagem à Assembleia Geral da ONU para enfrentar as potenciais consequências das eleições.
O partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita e simpatizante dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, impôs uma derrota ao partido de Merz no estado Saxônia-Anhalt há apenas duas semanas.
A derrota nas urnas coincidiu com a queda expressiva dos índices de aprovação do chanceler, que enfrenta dificuldades para aprovar suas reformas econômicas e sociais em aliança com seus parceiros de coalizão, os social-democratas do SPD.
As pesquisas indicam que a AfD sairá fortalecida no domingo, mas sem a possibilidade de governar em nenhum dos dois estados, ao contrário da Saxônia-Anhalt, onde chegou perto da maioria absoluta.
Merz recebeu apoio na quarta-feira dos chefes de Governo de oito estados, todos da CDU, que declararam em conjunto que a Alemanha precisa de "estabilidade, agora mais do que nunca".
Disputas acirradas
Nas votações deste domingo, a CDU enfrentou desafios diferentes em cada região.
No estado da Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Nordeste do país, o partido de Merz é apenas testemunha da disputa entre o SPD, da popular chefe de governo Manuela Schwesig, e a AfD.
Na cidade-estado de Berlim, a CDU aparece lado a lado com o Die Linke, de extrema esquerda, que promete ações drásticas para resolver a crise de moradia e conta com amplo apoio entre os jovens.
Quando Merz chegou ao poder em maio do ano passado, ele prometeu impulsionar uma economia enfraquecida, reconstruir as Forças Armadas como um fator de dissuasão diante da Rússia e reduzir a imigração irregular para aplacar o temor dos eleitores e evitar que migrassem para a AfD.
Mas a AfD lidera atualmente as pesquisas nacionais e os índices de aprovação de Merz estão um pouco acima de 10%.
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Menor índice de popularidade
"Em termos pessoais, a situação é bastante dramática para Merz", comentou o pesquisador Roland Abold, do instituto Infratest Dimap.
"Em nossa última pesquisa de setembro, 13% continuam satisfeitos com sua atuação política. É o menor índice já registrado para um chanceler em exercício", declarou Abold à AFP.
Para alguns analistas, muitos dos problemas de Merz começaram no exterior, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, que provocaram aumentos nos preços dos combustíveis e afetaram a inflação.
E o boom econômico da China está transformando este tradicional mercado para as exportações alemãs em um duro concorrente industrial.
Para o economista-chefe do banco Berenberg, Holger Schmieding, o recente "aumento nos preços do petróleo e o debate público sobre seu futuro agravam as dificuldades" de Merz.
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Schmieding, no entanto, acredita que o mais provável é que Merz consiga enfrentar a atual tempestade política e completar seu mandato até 2029.