Donald Trump deu a entender que o conflito será curto o que levou o barril de petróleo a custar em torno de US$ 90, mas os ataques continuam crédito: Portal Giro 10
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A guerra no Oriente Médio entrou em seu 12º dia em alta intensidade, com o Irã atacando nesta quarta-feira (11) ao menos três navios mercantes no golfo Pérsico para reafirmar sua disposição de manter fechado o estratégico estreito de Hormuz.
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Na véspera, os Estados Unidos anunciaram ter afundado 16 navios lançadores de minas marítimas na região. O objetivo, disse o Pentágono, foi o de evitar que eles operassem agora que o grosso da Marinha de Teerã está inutilizado.
Pela estreita rota passam, normalmente, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta, o que levou a variações brutais no preço das commodities. O Irã militarizou o estreito, distribuindo ao menos 16 bases na sua costa norte e ilhas, e os EUA atacaram ao menos 10 desses pontos segundo imagens de satélite.
Nesta quarta, 1 dos 3 cargueiros atingidos, de bandeira tailandesa, teve de ser evacuado devido a um incêndio a bordo perto de Omã. Os outros dois incidentes foram menos graves, e os navios foram levados para portos dos Emirados Árabes Unidos.
O país do golfo Pérsico é o mais atingido, em volume de ataques do Irã, na guerra. Também nesta quarta, ao menos quatro pessoas ficaram feridas durante uma ação com drones junto ao aeroporto de Dubai, que opera de forma parcial.
No Bahrein, o aeroporto internacional também foi alvo de ações. O reino foi particularmente atingido por abrigar a estação naval da Quinta Frota dos EUA, que teve um radar avaliado em US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) destruído no começo da guerra, em 28 de fevereiro.
A instabilidade da região contaminou todo o comércio global de energia. Após o barril referencial do petróleo bater quase US$ 120 na segunda (9), falas do presidente Donald Trump dando a entender que o conflito será curto o levaram a níveis em torno de US$ 90, mas com forte oscilação.
O Irã está no centro do noticiário internacional após sofrer ataques de forças dos Estados Unidos e de Israel que resultaram na morte de seu líder supremo, Ali Khamenei, agravando ainda mais as tensões no Oriente Médio.
- Imagem de jorono por Pixabay"
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O Irã está no centro do noticiário internacional após sofrer ataques de forças dos Estados Unidos e de Israel que resultaram na morte de seu líder supremo, Ali Khamenei, agravando ainda mais as tensões no Oriente Médio. Imagem de jorono por Pixabay
A comoção global reacende o interesse por uma nação cuja história ultrapassa em muito os conflitos contemporâneos. Antes de se chamar Irã, um nome adotado oficialmente em 1935, o país era conhecido no Ocidente como Pérsia, berço de um dos mais poderosos e sofisticados impérios da Antiguidade.
-Anton Gutsunaev/wikimédia Commons"
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A comoção global reacende o interesse por uma nação cuja história ultrapassa em muito os conflitos contemporâneos. Antes de se chamar Irã, um nome adotado oficialmente em 1935, o país era conhecido no Ocidente como Pérsia, berço de um dos mais poderosos e sofisticados impérios da Antiguidade.Anton Gutsunaev/wikimédia Commons
A antiga Pérsia ganhou projeção no século 4 a.C., quando Ciro II, conhecido como Ciro, o Grande, fundou o Império Aquemênida após unificar tribos iranianas e derrotar os medos.
-Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil"
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A antiga Pérsia ganhou projeção no século 4 a.C., quando Ciro II, conhecido como Ciro, o Grande, fundou o Império Aquemênida após unificar tribos iranianas e derrotar os medos. Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Sob seu comando, os persas conquistaram vastos territórios que iam da Ásia Central ao Mediterrâneo, incorporando regiões da Mesopotâmia, como a Babilônia, da Anatólia e do Levante Esse período ficou marcado não apenas pelas vitórias militares, mas também por uma política relativamente tolerante para os padrões da época.
- Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil"
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Sob seu comando, os persas conquistaram vastos territórios que iam da Ásia Central ao Mediterrâneo, incorporando regiões da Mesopotâmia, como a Babilônia, da Anatólia e do Levante Esse período ficou marcado não apenas pelas vitórias militares, mas também por uma política relativamente tolerante para os padrões da época. Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
O chamado Cilindro de Ciro, artefato descoberto no século 19, é frequentemente citado por historiadores como um dos primeiros registros de medidas de respeito às tradições religiosas e culturais dos povos dominados.
-Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil"
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O chamado Cilindro de Ciro, artefato descoberto no século 19, é frequentemente citado por historiadores como um dos primeiros registros de medidas de respeito às tradições religiosas e culturais dos povos dominados.Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
O império atingiu seu auge sob Dario I, que organizou a administração em satrapias, províncias governadas por sátrapas responsáveis pela arrecadação de impostos e manutenção da ordem.
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O império atingiu seu auge sob Dario I, que organizou a administração em satrapias, províncias governadas por sátrapas responsáveis pela arrecadação de impostos e manutenção da ordem. Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Dario investiu em infraestrutura, construindo estradas que ligavam diferentes partes do território e facilitaram tanto o comércio quanto o controle político. Ainda durante seu reinado se consolidou a construção de Persépolis, cidade cerimonial cujas ruínas ainda hoje impressionam arqueólogos e visitantes.
-Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil"
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Dario investiu em infraestrutura, construindo estradas que ligavam diferentes partes do território e facilitaram tanto o comércio quanto o controle político. Ainda durante seu reinado se consolidou a construção de Persépolis, cidade cerimonial cujas ruínas ainda hoje impressionam arqueólogos e visitantes. Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Seu sucessor, Xerxes I, ficou conhecido pelas campanhas militares contra as cidades-estado gregas, conflitos eternizados por cronistas da Grécia antiga, como a Batalha das Termópilas, e que ajudaram a moldar a narrativa ocidental sobre os persas.
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Seu sucessor, Xerxes I, ficou conhecido pelas campanhas militares contra as cidades-estado gregas, conflitos eternizados por cronistas da Grécia antiga, como a Batalha das Termópilas, e que ajudaram a moldar a narrativa ocidental sobre os persas. - Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
A capital cerimonial do império, Persépolis, simbolizava o esplendor aquemênida. Erguida com colunas monumentais e relevos detalhados, a cidade recebia delegações de diferentes povos submetidos ao império, que levavam tributos ao soberano.
-Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil"
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A capital cerimonial do império, Persépolis, simbolizava o esplendor aquemênida. Erguida com colunas monumentais e relevos detalhados, a cidade recebia delegações de diferentes povos submetidos ao império, que levavam tributos ao soberano. Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
As esculturas retratam essa diversidade étnica e cultural, evidenciando a extensão territorial persa. Em 330 a.C., Persépolis foi saqueada e incendiada pelas tropas de Alexandre, o Grande, evento que marcou o declínio do domínio aquemênida.
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As esculturas retratam essa diversidade étnica e cultural, evidenciando a extensão territorial persa. Em 330 a.C., Persépolis foi saqueada e incendiada pelas tropas de Alexandre, o Grande, evento que marcou o declínio do domínio aquemênida. Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Após a queda dos aquemênidas, a região foi governada por diferentes dinastias, como os partas e, posteriormente, os sassânidas, que restauraram parte do orgulho e da identidade persa antes da conquista árabe no século 7.
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Após a queda dos aquemênidas, a região foi governada por diferentes dinastias, como os partas e, posteriormente, os sassânidas, que restauraram parte do orgulho e da identidade persa antes da conquista árabe no século 7. Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Mesmo com a islamização progressiva, muitos elementos culturais anteriores sobreviveram e foram incorporados à nova realidade religiosa. A língua persa, por exemplo, permaneceu como importante veículo literário e administrativo, atravessando séculos e influenciando áreas que hoje correspondem ao Afeganistão, ao Tajiquistão e a partes do subcontinente indiano.
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Mesmo com a islamização progressiva, muitos elementos culturais anteriores sobreviveram e foram incorporados à nova realidade religiosa. A língua persa, por exemplo, permaneceu como importante veículo literário e administrativo, atravessando séculos e influenciando áreas que hoje correspondem ao Afeganistão, ao Tajiquistão e a partes do subcontinente indiano.Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Culturalmente, a Pérsia deixou um legado vasto. A tradição literária persa produziu poetas como Ferdowsi, autor do épico “Shahnameh”, que resgatou mitos e feitos heroicos do passado pré-islâmico, ajudando a preservar a memória histórica nacional. A poesia mística floresceu séculos depois, projetando nomes como Rumi e Hafez, cuja obra ainda hoje é lida e celebrada.
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Culturalmente, a Pérsia deixou um legado vasto. A tradição literária persa produziu poetas como Ferdowsi, autor do épico “Shahnameh”, que resgatou mitos e feitos heroicos do passado pré-islâmico, ajudando a preservar a memória histórica nacional. A poesia mística floresceu séculos depois, projetando nomes como Rumi e Hafez, cuja obra ainda hoje é lida e celebrada. Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
A arte persa também se destacou na tapeçaria, na miniatura e na arquitetura, com mesquitas adornadas por azulejos geométricos e caligrafias elaboradas que refletem uma sofisticada estética visual.
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A arte persa também se destacou na tapeçaria, na miniatura e na arquitetura, com mesquitas adornadas por azulejos geométricos e caligrafias elaboradas que refletem uma sofisticada estética visual. Reprodução do X @RugsabudhabiC
Entre curiosidades culturais, está a importância do Nowruz, o ano-novo persa, celebrado no equinócio da primavera. A festividade tem raízes anteriores ao islamismo e continua sendo comemorada por milhões de pessoas dentro e fora do Irã, simbolizando renovação e continuidade histórica.
- Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil"
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Entre curiosidades culturais, está a importância do Nowruz, o ano-novo persa, celebrado no equinócio da primavera. A festividade tem raízes anteriores ao islamismo e continua sendo comemorada por milhões de pessoas dentro e fora do Irã, simbolizando renovação e continuidade histórica. Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Outro traço marcante é a culinária, conhecida pelo uso de ervas frescas, arroz aromático e combinações de sabores doces e ácidos, elementos que revelam a posição estratégica da Pérsia nas antigas rotas comerciais entre o Oriente e o Ocidente.
-Maksim./Wikimedia Commons"
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Outro traço marcante é a culinária, conhecida pelo uso de ervas frescas, arroz aromático e combinações de sabores doces e ácidos, elementos que revelam a posição estratégica da Pérsia nas antigas rotas comerciais entre o Oriente e o Ocidente.Maksim./Wikimedia Commons
A história persa também se entrelaça com civilizações vizinhas, como Grécia, Egito e Índia, evidenciando um intercâmbio constante de ideias, técnicas e crenças.
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A história persa também se entrelaça com civilizações vizinhas, como Grécia, Egito e Índia, evidenciando um intercâmbio constante de ideias, técnicas e crenças. Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Essa vocação para a conexão cultural ajudou a moldar uma identidade complexa e resiliente, capaz de atravessar invasões, mudanças dinásticas e transformações religiosas.
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Essa vocação para a conexão cultural ajudou a moldar uma identidade complexa e resiliente, capaz de atravessar invasões, mudanças dinásticas e transformações religiosas.Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Alvo de ataques na noite de terça (10), a Arábia Saudita está especialmente preocupada, já que 90% de sua produção é escoada por Hormuz. Segundo a estatal Saudi Aramco, o prolongamento do conflito pode levar a uma "tragédia", enquanto o país tenta ampliar o funcionamento de oleodutos rumo ao mar Vermelho.
Os EUA parecem atentos a esse ponto, talvez de olho na hipótese hoje improvável de uma acomodação com o Irã após a guerra. Até aqui, nem os americanos, nem os israelenses atacaram a ilha de Kargh, que concentra a infraestrutura para exportar de 80% a 90% do petróleo iraniano no golfo.
Entra na equação a pressão da China, com quem Trump trava duras negociações comerciais. Pequim comprou em 2025 quase 15% de seu petróleo, a preço com desconto, de Teerã. A destruição dos terminais de escoamento da commodity impactaria duramente a economia dos rivais, dando assim uma carta a mais para os americanos.
A madrugada e a manhã seguiram violentas do lado de quem começou a guerra. Os EUA promoveram diversos ataques, alguns com bombardeiros saídos de bases antes vetadas para seu uso no Reino Unido, mirando principalmente a infraestrutura de mísseis balísticos do Irã.
Os ataques ao país persa já deixaram, segundo o governo, mais de 1.300 mortos. O Crescente Vermelho, órgão humanitário análogo da Cruz Vermelha em países islâmicos, disse nesta quarta que 19.734 edifícios civis foram danificados no Irã, incluindo 77 centros médicos e 65 escolas.
Já Israel anunciou nesta manhã uma nova onda de ataques a Teerã e a posições do grupo libanês Hezbollah em Beirute. O Hezbollah, aliado da teocracia iraniana, lançou ataques contra o norte e centro do Estado judeu.
Ao menos 570 pessoas já morreram no país árabe, cujo governo viu sua tentativa de mediar o conflito entre os fundamentalistas xiitas e o Estado judeu fracassar.