China diz que vai retaliar EUA com novas tarifas de 34%: bolsas despencam na Ásia e na Europa
Os investidores estão preocupados que as tarifas elevem preços e prejudiquem o crescimento nos EUA e exterior.
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Siga noAs bolsas europeias despencaram ainda mais nesta sexta-feira (4/4), depois que a China reagiu aos impostos de importação dos Estados Unidos com tarifas retaliatórias.
No Reino Unido, o índice FTSE 100 caiu 3,7%, enquanto o índice Dax da Alemanha apresentou queda de mais de 5%, com algumas empresas registrando uma desvalorização de dois dígitos nos preços de suas ações.
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As perdas se somam às quedas acentuadas observadas na quinta-feira (3/4), à medida que os mercados de ações continuam a reagir à incerteza desencadeada pelas novas tarifas de importação impostas pelos EUA.
No Brasil, o Ibovespa recuava mais de 3% pouco antes do meio-dia desta sexta-feira, após fechar a quinta-feira próximo da estabilidade, com queda de 0,04%.
Os investidores temem que as tarifas aumentem os preços e prejudiquem o crescimento nos Estados Unidos e no exterior.
Na quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma tarifa básica universal de 10% sobre todas as importações para os EUA — e "tarifas recíprocas" mais altas para alguns países, como de 54% para China, por terem superávits comerciais. Para o Brasil, a tarifa recíproca anunciada foi de 10%.
As novas tarifas desencadearam a queda observada nos mercados de ações globais na quinta-feira — quando os mercados dos EUA tiveram seu pior dia desde o impacto da pandemia de covid-19 em 2020.
Trump disse a jornalistas, na quinta-feira, que achava que as coisas estavam indo "muito bem", acrescentando que "os mercados vão crescer".
Mas, nesta sexta-feira, os mercados continuaram a patinar e, em seguida, despencaram depois que a China anunciou que vai impor tarifas retaliatórias de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA a partir de 10 de abril.
Em Londres, as ações dos bancos Barclays e NatWest despencaram 10%, assim como as da empresa de mineração Glencore, e as da fabricante de motores Rolls-Royce caíram 8%.
Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, disse que a "venda implacável" havia continuado, apesar de os investidores "esperarem que o sofrimento fosse acabar".
"Há tantos elementos em movimento que não é fácil entender a situação [como investidor]", ele afirmou.
"Com inúmeros setores que devem ser atingidos pelas tarifas, é difícil saber por onde começar a compreender a situação."
Jane Sydenham, diretora de investimentos da Rathbones, observou que as ações de bancos, empresas com cadeias de suprimentos expostas às tarifas e do setor de tecnologia estavam caindo.
De acordo com ela, os investidores estavam comprando ativos que funcionam como um porto seguro, incluindo ouro e títulos do governo.
A China estava "sob forte pressão" para responder às tarifas de 54% sobre a maioria das mercadorias, segundo ela — e sua economia era grande o suficiente para ser capaz de tomar tal medida.
Mas os países com economias menores estavam tendo que ser mais cautelosos, ela acrescentou.

O índice dólar, que mede o valor da moeda americana em relação a seis outras moedas, caiu 1,9% na quinta-feira, a queda mais acentuada desde novembro de 2022, mas nesta sexta-feira se estabilizou, subindo 0,6%.
Os preços do petróleo caíram drasticamente, à medida que os investidores temiam que as tarifas pudessem desacelerar o crescimento econômico e agravar as disputas comerciais.
O preço do barril de petróleo tipo Brent caiu 6%, sendo cotado a US$ 62 por barril.
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, disse que as novas tarifas "representam claramente um risco significativo para a perspectiva global em um momento de crescimento lento".
Ela afirmou que o FMI ainda está analisando as "implicações macroeconômicas" das medidas — e enfatizou a necessidade de evitar ações que possam causar mais danos à economia global.
As quedas desta sexta-feira acontecem após o anúncio das novas tarifas de Trump desencadear, na véspera, a queda mais acentuada nas ações dos EUA desde 2020.
O índice de ações S&P 500 dos EUA fechou em queda de 4,8%, enquanto o Nasdaq — que é dominado por empresas de tecnologia — despencou quase 6%.
Nike, Apple e Target estavam entre as empresas mais atingidas, com todas elas vendo suas ações despencarem mais de 9%.
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