Ataque ao Clube da Esquina: "Não podemos ficar calados", afirma Damião
Prefeito de BH visitou local nesta sexta-feira (23/10), após pichação, descartou motivação política e defendeu tolerância zero contra atos de vandalismo
compartilhe
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), visitou nesta sexta-feira (23/10) o marco do Clube da Esquina, vandalizado durante a madrugada, no Bairro Santa Tereza, na Região Leste da capital. Em entrevista ao Estado de Minas, o chefe do Executivo municipal condenou o ataque, prometeu esforços para identificar o responsável e defendeu "tolerância zero" contra atos de vandalismo na cidade.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
"Quando você está mexendo com o Clube da Esquina, você está mexendo com a história da cultura de Belo Horizonte, do Brasil e de Minas Gerais. Nós não podemos ficar vendo isso aqui calados", afirmou.
Segundo Damião, a prefeitura já encaminhou à polícia as imagens de câmeras de segurança disponíveis e mobilizou a Guarda Civil Municipal para auxiliar na identificação do responsável.
"Nós vamos passar 24 horas buscando essas pessoas, porque força de segurança para isso nós temos", declarou.
O prefeito também informou que uma equipe da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) foi acionada para tentar remover a tinta da placa ainda nesta sexta-feira.
Prefeito descarta motivação política
Questionado sobre a possibilidade de o vandalismo ter motivação política, Damião afirmou não acreditar nessa hipótese. O ataque ocorreu dois dias antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25/10). Moradores do bairro Santa Tereza relataram ter ouvido gritos de "Fora, Lula" nas proximidades do local.
"Não acredito, não. Eu acho que a política ficou tão extrema que tudo tem um apelo político", respondeu.
Para o prefeito, o episódio está relacionado a atos de vandalismo que também atingem outros espaços públicos e privados de Belo Horizonte.
"Eu acho que são pessoas que realmente querem vandalizar. Elas não escolhem horário, elas não escolhem local, elas querem aparecer mais do que vandalizar", afirmou.
A autoria e a motivação do ataque ainda são investigadas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
Reconhecimento como patrimônio cultural
A reportagem também questionou o prefeito sobre um projeto que busca o reconhecimento da esquina do Clube da Esquina como patrimônio cultural e se a medida poderia contribuir para a preservação do local.
Damião afirmou que o reconhecimento patrimonial, por si só, não seria suficiente para impedir novos ataques. Para ele, a solução está na identificação e punição dos responsáveis.
"Não é fazer virar patrimônio ou não patrimônio que essas pessoas vão parar. Essas pessoas vão parar na hora que chegar um boleto na casa delas", afirmou.
O prefeito citou como exemplo a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, reconhecida como patrimônio mundial pela Unesco, que também já foi alvo de vandalismo. "Pode colocar aqui como patrimônio da ONU. Eles picham a Igreja de São Francisco", declarou.
Damião defendeu a aplicação de multas e afirmou que o responsável pelo ataque à placa do Clube da Esquina poderá receber uma penalidade de R$ 15 mil.
"Você tem que arcar com as suas consequências. Se você foi lá e pichou, se você foi lá e degradou, você sabia que a multa era de R$ 15 mil, R$ 10 mil ou R$ 5 mil. Se você não tem dinheiro para pagar, você não deveria ter feito isso", disse.
'Todo tipo de vandalismo'
Ao ser questionado pela reportagem se o ataque ao Clube da Esquina poderia ser comparado a pichações e outros atos de vandalismo registrados na cidade, o prefeito respondeu que todos devem receber o mesmo tratamento por parte da administração municipal.
"Eu citei vandalismo em geral. Vandalismo é fazer isso aqui. Vandalismo é pichar. Vandalismo é degradar. Vandalismo é pegar uma lixeira e quebrar uma lixeira. Isso tudo é vandalismo. Não tem esse ou aquele", afirmou.
Damião reconheceu, no entanto, o significado cultural da esquina e afirmou que o ataque ao memorial provoca uma indignação particular.
"Esse aqui nos deixa mais tristes porque não tem argumento nenhum. Qual argumento que a pessoa vai falar? Ele é o quê? Um cantor frustrado? Qual é a explicação que ele vai dar? Não tem explicação", declarou.
Vandalismo no Clube da Esquina
A placa que homenageia o Clube da Esquina, localizada no cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis, foi vandalizada por volta das 4h50 desta sexta-feira (23/10). Imagens de câmeras de segurança registraram a ação.
A Polícia Militar recolheu vestígios encontrados no local, entre eles uma luva e um invólucro plástico. Já a Polícia Civil informou que requisitou perícia e que equipes realizam levantamentos para identificar e responsabilizar os envolvidos.
A esquina é um dos principais símbolos da música brasileira e ficou conhecida por reunir artistas como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Márcio Borges.
Polícia investiga o ataque
A placa que homenageia o Clube da Esquina, localizada no cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis, foi vandalizada por volta das 4h50 desta sexta-feira (23/10). Imagens de câmeras de segurança registraram a ação.
A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) informou que recolheu uma luva e um invólucro plástico encontrados no local e analisa imagens de câmeras de segurança para identificar os responsáveis. A corporação também apura relatos de testemunhas sobre uma possível motivação política.
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que investiga a autoria e as circunstâncias do vandalismo. A perícia oficial foi acionada para coletar vestígios, enquanto equipes policiais realizam levantamentos para identificar os envolvidos.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Segundo a PCMG, novas informações serão divulgadas conforme o avanço das investigações.