Incêndio destrói quase um quinto da Terra Indígena Maxakali em Minas
Queimadas atingem áreas de mata nativa e plantios em regeneração; comunidade relata problemas respiratórios e pede água potável, alimentos e assistência à saúde
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O incêndio florestal que atinge a terra do povo indígena Tikmu'un, conhecido fora das aldeias como Maxakali, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais, já consumiu quase um quinto do território, segundo integrantes da comunidade.
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As chamas destruíram áreas de mata nativa e terrenos de plantio, incluindo espaços em processo de regeneração ambiental por meio do projeto Hãmhi – Terra Viva. Com o avanço do fogo e a fumaça, os indígenas também enfrentam problemas respiratórios e pedem ajuda com água potável, alimentos e atendimento de saúde.
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"Está tudo acabado. O que tinha de animais, mata nativa… está tudo queimado. Acabou", relata Marilton Maxakali, coordenador da Brigada Indígena Voluntária Mãtãnãg, criada pelo próprio povo em 2024. "E o fogo ainda continua", acrescenta.
De acordo com membros da comunidade, a Terra Indígena Maxakali tem pouco mais de 5 mil hectares. A área demarcada abrange as aldeias de Água Boa, em Santa Helena de Minas, e Pradinho, em Bertópolis. Água Boa, isoladamente, ocupa aproximadamente 2.302 hectares. A proporção da área atingida pelo incêndio evidencia a dimensão dos danos ambientais e o impacto sobre as condições de vida dos indígenas.
"Nós precisamos muito de auxílio no âmbito da saúde por causa da fumaça e de comida também, já que as pessoas perderam comida, terrenos de plantio… além da necessidade de água potável", afirma Marilton.
Danos a áreas em recuperação
O incêndio também compromete o trabalho de recuperação ambiental desenvolvido pelos próprios Maxakali. Criado em 2023, com apoio do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o projeto Hãmhi – Terra Viva é uma iniciativa socioambiental do povo Tikm’n voltada ao reflorestamento de seus territórios.
A proposta busca recuperar áreas degradadas e favorecer a regeneração da vegetação nativa. Nos últimos anos, porém, hectares de áreas plantadas e em recuperação já haviam sido perdidos, segundo Marilton.
Agora, a nova queimada ameaça parte desse trabalho, que ganhou repercussão internacional, inclusive em veículos estrangeiros.
Além de coordenar a brigada voluntária, Marilton é professor em uma escola indígena da aldeia, cineasta e graduado pelo curso de Formação Intercultural para Educadores Indígenas (FIEI), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A brigada foi criada em 2024 pelos próprios indígenas para atuar no combate aos incêndios.
Comunidade precisa de água e atendimento de saúde
A professora Rosângela Pereira de Tugny, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e coordenadora do projeto Hãmhi – Terra Viva, relata que moradores apresentaram problemas respiratórios após a exposição à fumaça.
Segundo ela, a comunidade precisa de caminhões-pipa para garantir o abastecimento de água no território.
A destruição das áreas de plantio agrava a situação porque compromete a produção de alimentos dos moradores. A necessidade de assistência, portanto, vai além do combate às chamas: envolve o atendimento às pessoas afetadas, o fornecimento de água potável e a reposição dos alimentos perdidos.
Enquanto o fogo permanece ativo, a comunidade enfrenta a perspectiva de prejuízos ambientais e sociais que podem se estender para além do período de queimadas.
A professora Rosângela Pereira de Tugny, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e coordenadora do projeto Hãmhi – Terra Viva, relata que moradores apresentaram problemas respiratórios após a exposição à fumaça.
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Segundo ela, a comunidade precisa de caminhões-pipa para garantir o abastecimento de água no território.