Rio Araçuaí sofre com poluição e assoreamento provocados por dragas
Moradores protestam e afirmam que equipamentos foram instalados para extração de areia, mas, na verdade, são usados para retirar ouro
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O Rio Araçuaí sofre com a degradação ambiental provocada pela mineração com uso de dragas no leito, no Vale do Jequitinhonha. Moradores fizeram uma manifestação no domingo (20/9) para pedir a suspensão das atividades e cobrar providências dos órgãos ambientais. Cerca de 20 pessoas percorreram 18 quilômetros do rio em quatro embarcações, da localidade de Tuntum, em Virgem da Lapa, até a comunidade de Macieira, em Araçuaí. Outros 60 moradores se concentraram em terra, com faixas e cartazes.
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O Rio Araçuaí é um dos principais afluentes do Rio Jequitinhonha e tem importância para o abastecimento da população e a produção agrícola da região, historicamente afetada pela seca. O rio nasce em Diamantina e deságua no Jequitinhonha, na localidade de Itira, em Araçuaí.
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O pequeno agricultor e topógrafo Adriano Ramos dos Passos, de 51 anos, morador de Macieira, afirma que as dragas foram instaladas com a justificativa de retirar areia, mas são usadas para a mineração de ouro. “O rio está sendo muito assoreado e poluído”, afirma Adriano, lembrando que, em vários pontos, o Araçuaí foi “desviado”, com a formação de “ilhas de cascalho” no meio do leito.
Segundo Adriano, uma draga instalada perto da propriedade de sua família foi embargada pela Polícia Militar de Meio Ambiente após a constatação de irregularidades. Outras quatro dragas também teriam sido desativadas pelo dono dos maquinários.
“As dragas estão degradando demais o rio, não com o assoreamento, mas também com o lançamento de produtos químicos”, afirma Adriano Passos. “Eles (os mineradores) falam que (as dragas) são para extração de areia, mas estão retirando ouro”, lamenta o morador. Ele lembra que os equipamentos movimentam o solo no barranco e dentro do leito do rio, elevando o passivo ambiental.
A pequena agricultora Eliene Alves de Oliveira, mulher de Adriano, afirma que as comunidades ribeirinhas querem a desativação de todas as dragas para proteger e recuperar o manancial. Segundo ela, os moradores encaminharam ofícios à Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), à Agência Nacional de Mineração (ANM), ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), à Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Araçuaí e à Câmara de Vereadores.
“Mas, continuamos aguardando as respostas e tomada de providências. Queremos que a proteção do Rio Araçuaí”, sustenta Eliene.
O pescador Antônio Souza Jardim, de 56 anos, conhecido como “Toninho Pescador”, também relata impactos da mineração. “As dragas estão assoreando muito o rio”, disse.
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Segundo ele, a atividade minerária também provoca poluição pelo lançamento de produtos químicos, derramamento de óleo diesel e recebimento de dejetos humanos. O pescador afirma que os problemas prejudicam o abastecimento e o fornecimento de água para pequenas plantações das comunidades ribeirinhas.