Minas Gerais está em nível de alerta para casos de doenças respiratórias
O boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz, mostra que o estado tem tendência de crescimento da doença. Já na maior parte do país,os sinais são de queda
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Minas Gerais está entre os cinco estados do país em nível de alerta de risco ou alto risco para o aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). É o que aponta o boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (16/7) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A atualização se refere à semana epidemiológica 27, que compreende o período de 5 a 11 de julho.
Os outros estados que também apresentam tendência de aumento de casos da doença são Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Enquanto isso, na maior parte do Brasil, os casos de SRAG apresentam sinal de queda nas tendências de longo prazo – que correspondem às últimas seis semanas – e de curto prazo – referentes às últimas três semanas.
O boletim também mostra que os casos de vírus sincicial respiratório (VSR), que atingem principalmente crianças de até 2 anos, estão diminuindo em boa parte do país, mas ainda se mantêm em níveis altos em muitos estados. O VSR é uma das principais causas de bronquiolite nas crianças pequenas.
Ainda segundo o InfoGripe, outros 17 estadoss também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo. São eles: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Pará, Rio de Janeiro, Roraima, Sergipe e São Paulo.
O levantamento revelou ainda que os casos de SRAG por VSR continuam aumentando em Minas Gerais, toda a Região Sul (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), além do Maranhão. Já no restante do país, os sinais são de interrupção do crescimento ou queda.
Nos estados de Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo e Sergipe, os casos de SRAG por VSR continuam altos, apesar da tendência de estabilização ou queda. Em relação à Covid-19, o estudo sinaliza um leve aumento das hospitalizações no estado do Amazonas, porém ainda em níveis baixos de incidência.
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Influenza A e B
Embora o período de sazonalidade da influenza A já tenha se encerrado em boa parte do país, mesmo com sinal de queda, os casos graves provocados pelo vírus da gripe continuam altos em Minas Gerais, Paraná e Roraima.
O boletim aponta ainda que os casos graves por influenza B continuam aumentando em Minas, no Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já no Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, os indícios são de interrupção do crescimento ou queda.
Prevenção
Os dados laboratoriais por faixa etária indicam que a redução dos casos de SRAG entre crianças de até 4 anos é impulsionada principalmente pela diminuição das hospitalizações por VSR em boa parte do país.
Os pesquisadores do InfoGripe alertam, por outro lado, para o aumento de casos graves associados ao VSR em alguns estados. Entre jovens, adultos e idosos, a queda é explicada principalmente pela redução das hospitalizações por influenza A. Em crianças de 5 a 14 anos, ela decorre sobretudo da diminuição dos casos graves por rinovírus.
Os pesquisadores destacam ainda que a queda dos casos de SRAG é impulsionada principalmente pela diminuição do número de hospitalizações por VSR em boa parte do país, embora os casos graves provocados pelo vírus ainda estejam altos em muitos estados. Diante desse contexto, destacam a importância da adoção de medidas preventivas.
Segundo os especialistas, é importante manter medidas de higiene respiratória, como lavar as mãos, cobrir o nariz e a boca com o braço ou um lenço de papel ao tossir ou espirrar. É recomendado ainda fazer isolamento em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado. Se isso não for possível, a orientação é sair de casa usando máscara, além de manter a vacinação em dia.
Incidência e mortalidade
O levantamento revela ainda que a incidência e a mortalidade semanal médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças de até 2 anos, a mortalidade é maior na população com 65 anos ou mais.
A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus influenza A.
Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população com 65 anos ou mais. Já a influenza B também apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos.
Como está a situação em Belo Horizonte?
Em Belo Horizonte, até o dia 13, segundo a prefeitura, foram realizados cerca de 29 mil atendimentos nas UPAs e centros de saúde. Em 2026, de janeiro até o momento, as UPAs e os centros de saúde registraram cerca de 356 mil atendimentos por doenças respiratórias. No mesmo período de 2025, foram registrados aproximadamente 446 mil atendimentos. Em relação aos óbitos este ano, de janeiro até o momento, foram registrados 243 óbitos por síndrome respiratória aguda grave, sendo 195 de pessoas acima de 60 anos.
A PBH informou que vem desenvolvendo diversas ações de prevenção, assistência e vigilância, além de realizar o monitoramento contínuo da situação epidemiológica e da capacidade assistencial relacionada às doenças respiratórias.
"No momento, a nossa rede está respondendo de forma eficiente e não há pressão assistencial. As equipes estão preparadas, os estoques de insumos e medicamentos estão abastecidos e o monitoramento segue constante. Se houver necessidade, novas medidas serão tomadas para garantir a assistência à população", informou a prefeitura, em nota.
Ainda de acordo com a PBH, um Plano de Contingência é mantido com ações reforçadas conforme o cenário epidemiológico. Em março, foi antecipada a vacinação contra a gripe, hoje disponível para toda a população a partir de 6 meses. Em abril, a capital decretou situação de emergência, agilizando a contratação de profissionais e a compra de insumos. Também ampliou a assistência pediátrica, abriu novos leitos no Hospital Metropolitano Odilon Behrens e reforço de pediatras nas UPAs.
Entre as ações adotadas pela prefeitura para ampliar a cobertura vacinal estão a abertura de centros de saúde aos sábados, oferta do imunizante em postos extras e em locais com grande fluxo de pessoas, e o aumento do número de unidades que aplicam as doses.
Para os quadros gripais leves, a PBH orienta que a população busque as teleconsultas, que funcionam das 7h às 20h. Em julho, até o dia 13, foram realizadas 2,4 mil teleconsultas, sendo 29% por doenças respiratórias. Para utilizar a teleconsulta, basta estar cadastrado em um dos 154 centros de saúde da capital, acessar a plataforma, criar um login e agendar um horário disponível.
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O Estado de Minas procurou a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) para saber se houve aumento de casos de doenças respiratórias nas últimas semanas e o que será feito em caso de crescimento nas próximas, e aguarda resposta.