DIVERSIDADE

"Nosso voto, nossas vidas": Parada LGBT 2026 terá foco na democracia

27ª edição do evento estima reunir cerca de 300 mil pessoas no centro de BH neste fim de semana

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Faltam três dias para a Parada do Orgulho LGBTQIAP+ 2026 em Belo Horizonte que neste ano terá como tema “Democracia: nosso voto, nossas vidas. Cellos-MG 25 anos, só a luta traz conquistas”. O evento  pretende reunir cerca de 300 mil pessoas na Avenida Afonso Pena, no centro da capital.

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O tema da 27ª edição do evento foi revelado nesta quinta-feira (16/07), na sede do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais (Cellos-MG). Para Maicon Chaves, presidente do Cellos-MG, a Parada é a alma da militância LGBTQIA+ e um momento para que os participantes possam se encontrar e reenergizar.  

“A parada é a alma da nossa militância, é um momento para reenergizar uma vida que é, de fato, muito sofrida, marginalizada e precarizada em vários sentidos. A parada também é a maior manifestação por direitos que nós temos em todo o Brasil. Em todos os estados, a parada é a maior manifestação democrática popular de afirmação e exigência de direitos para a população LGBTQIAPN+”, afirmou Chaves.

Os seis trios elétricos que fazem parte do cortejo levarão artistas ao longo da concentração, no cruzamento entre as Avenidas Brasil e Afonso Pena, e da caminhada em direção à Praça Sete. Maicon explica que o Cellos-MG se propõe a incentivar artistas locais e, por isso, a participação de artistas nacionais ocorrerá apenas no Festival Fuzuê, no sábado (18/7). No dia do desfile, as apresentações serão exclusivamente mineiras.

Maicon ressaltou ainda a dimensão e importância das pessoas LGBTQIA+ em Belo Horizonte: “Quando eu falo população é porque não somos uma comunidadezinha, somos cidadãos, cidadãs e cidadanes que ocupamos a cidade como todas as outras pessoas”. 

O evento conta com investimento de quase R$ 1 milhão, sendo R$ 400 mil da Prefeitura de BH e R$ 539 mil de captação do Cellos-MG por meio de emendas parlamentares municipais e estaduais.

“Estamos falando de um grande movimento belo-horizontino que extrapola Belo Horizonte. Recebemos muitos visitantes do interior, mas também é uma grande manifestação cultural e de cidadania, é um momento de celebração e de luta”, declarou Luana Magalhães, subsecretária de Direitos Humanos e secretária-adjunta de Assistência Social de BH.

Celebrando a diversidade

A programação da Parada LGBTQIA+ não se restringe ao domingo, dia oficial do cortejo, e inicia nesta quinta-feira com o lançamento do Manual de Comunicação, no auditório da Estácio Floresta. Já nesta sexta (17/7), o 2º Encontro Mineiro de Paradas acontece no Auditório Popular Bruno Alves Chaves, na sede do Cellos-MG; o Prêmio Anyky Lima e a BallRoom de comemoração dos 27 anos da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Belo Horizonte.

“Vamos chegar, vamos nos aquilombar dentro da nossa população LGBT. A gente vai ter uma troca do que é a construção da parada e é importante que todos venham se abraçar nesta festa. É muito importante a expansão desse movimento por meio de eventos e comemorações. Que venham mais 27 anos dessa construção maravilhosa”, declara Nadja , técnica de projetos da Cellos-MG.

No sábado (18/7), a 2ª Marcha de Mulheridades LBT se consolida como espaço permanente de organização, mobilização e construção coletiva visando garantir visibilidade às pautas das mulheres lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.

Neste ano, a marcha terá como tema “Quando Minas mata, a marcha denuncia: mulheres trans e travestis no centro da luta, com lésbicas e bissexuais pela vida e pela dignidade”. A programação prevê concentração às 12h e saída da marcha às 15h, com dispersão sob o Viaduto Santa Tereza, na Rua Aarão Reis. O percurso foi construído com o objetivo de reafirmar a ocupação dos espaços públicos como instrumento legítimo de defesa dos direitos humanos, da cidadania e da democracia.  

Larah Caetano, integrante da diretoria do Cellos-MG, conta que a primeira Marcha reuniu cerca de 300 mulheres LBTs e espera que o movimento cresça nesta edição. Segundo ela, a ação espera contar, inclusive, com mulheres de várias regiões do estado e movimentos sociais. 

“É importante para nós colocarmos os nossos corpos na rua para dar visibilidade para estas mulheres em Belo Horizonte. Em um contexto em que o feminicídio e o transfeminicídio acontecem muito, a gente coloca os nossos corpos vivos, mostrando a nossa força”, afirma Caetano.

Festival Fuzuê

Também no sábado acontece o 2º “Festival Fuzuê LGBTQIA+: Arte, celebração e luta”, na Serraria Souza Pinto, festa que prioriza a apresentação de artistas LGBTQIA+ da cena artística e cultural de Belo Horizonte e de Minas Gerais do funk, do rap, do trap e do ballroom. 

O festival também traz atrações nacionais, como o cantor, compositor e dançarino Thiago Pantaleão e os DJs Yan Rabello e Nat Valverde. As apresentações irão se dividir entre os palcos Sissy Kelly e Nero, nomeados em homenagem a importantes figuras da militância LGBTQIA+. Às 16h30, será realizado um desfile com pessoas LGBTQIA+ em situação de rua.

A entrada no Festival é realizada mediante a retirada de ingressos na plataforma Eventim e a doação de materiais de higiene pessoal. As doações serão destinadas a pessoas LGBTQIA+ em situação de rua e privadas de liberdade.

Combate ao preconceito

A Parada LGBTQIA+ tradicionalmente também marca um momento de luta por direitos e de demonstração do tamanho dessa população. Segundo Maicon, são frequentes as tentativas de desmobilizar o evento em BH por parte da parcela mais conservadora da sociedade. 

“A Parada é muito visada, eles querem destruir a nossa possibilidade de viver. A nossa vida representa um risco para esse status quo cis heteronormativo. Querem tirar de nós  a poesia, a esperança,a  cor, mas nós não vamos deixar”, afirma o presidente do Cellos. 

Maicon ainda defende que o evento é um investimento da prefeitura, uma vez que promove o comércio e o turismo na capital: “Em 2024, só o vento da parada devolveu para a cidade mais de R$ 20 milhões, além de turismo, hotelaria e cidadania. Então quando nos questionam sobre valores da parada, ela devolve para a cidade infinitamente mais. O dinheiro é público e nós o merecemos”.

SERVIÇO

Lançamento do Manual de Comunicação LGBTQIA+ 

Data: 16 de julho de 2026

Horário: 19h

Local: Faculdade Estácio de Sá, Unidade Floresta - Auditório Principal (Av. Francisco Sales, 23 - Floresta, Belo Horizonte)

II Encontro Mineiro de Paradas

Data: 17 de julho de 2026

Horário: das 8h às 18h

Local: Auditório Popular Bruno Alves Chaves - Cellos MG (Rua Tupinambás, 330, 1º Andar, Centro, Belo Horizonte)

Prêmio Anyky Lima

Data: 17 de julho

Horário: das 20h às 22h 

Local: Rua Paracatu, 65, Barro Preto, Belo Horizonte

BallRoom de comemoração dos 27 anos da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Belo Horizonte

Data: 17 de julho de 2026

Horário: 22h30 

Local: Estação Gueto

2º Marcha de Mulheridades LBTs

Data: 18 de julho de 2026

Horário: 12h (concentração), 15 (saída)

Local: Parque Municipal Américo Renné Giannetti (Av. Afonso Pena, 1377, Centro, Belo Horizonte)

2º Festival Fuzuê LGBTQIA+: Arte, celebração e luta

Data: 18 de julho de 2026

Horário: 14h30h às 23h

Local: Serraria Souza Pinto (Av. Assis Chateaubriand, 809, Centro, Belo Horizonte)

Entrada gratuita, com retirada de ingressos pela Eventim e doação de materiais de higiene pessoal

27ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Belo Horizonte

Data: 19 de julho de 2026

Horário: 13h30 às 21h

Local: Cruzamento da Avenida Brasil com Afonso Pena; dispersão na Praça Sete

Entrada gratuita, com retirada de ingressos pela Eventim e doação de materiais de higiene pessoal

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Informações e programação completa: @cellosmg

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