ESTUDO DA UFLA

Tragédia de Mariana: peixes invasores ameaçam espécies nativas no Rio Doce

Estudo conduzido na Universidade Federal de Lavras levou em conta análises em fontes alimentares de cerca de 65 espécies de peixes

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Espécies invasoras de peixes passaram a ocupar espaço na calha principal do Rio Doce dez anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015. Por outro lado, a diversidade de espécies nativas diminuiu nas áreas mais impactadas pela lama de rejeitos. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (13/7) pela Universidade Federal de Lavras (Ufla).  

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As análises levaram em conta fontes alimentares de cerca de 65 espécies de peixes do Rio Doce, em 10 pontos pela calha. Quanto mais próximo da área atingida pelo rompimento da barragem, menor é a diversidade de recursos consumidos pelos peixes, o que sinaliza uma diminuição da diversidade desses animais. 

Os resultados indicam que o rompimento criou condições para o aumento das espécies invasoras, que geralmente são mais resistentes às mudanças no ambiente. Atualmente, a bacia do Rio Doce está dominada por peixes não nativos, que já representam cerca de 25% das espécies, chegando a 50% em algumas áreas. 

Espécies invasoras: qual é a ameaça?

Responsável pela coordenação do estudo, o professor Paulo Pompeu, do Instituto de Ciências Naturais da instituição de ensino, avalia que a recuperação da fauna aquática na localidade é um desafio. 

“Não existe nenhuma experiência internacional com sucesso que tenha conseguido erradicar totalmente uma espécie invasora de peixe em rios, porque eles se reproduzem rápido e são difíceis de localizar para tirar. Será necessário muito esforço para controlar essas espécies”, afirma. 

Segundo o pesquisador, as principais espécies invasoras incluem tucunarés, tilápias, piranhas e uma pequena espécie de lambari. Esses peixes podem causar diversos impactos, consumindo recursos já escassos no rio e predando espécies nativas.

"Cada bacia tem suas espécies de peixes, isso faz parte da biodiversidade brasileira. Então, quando uma bacia sofre muito impacto, existe chance dessas espécies sumirem. Não é o caso do Rio Doce, porque ele tem rios bem preservados em sua bacia que não foram impactados pelo desastre”, completa Paulo Pompeu.

De acordo com o professor, à medida que a água do rio melhora, peixes nativos desses afluentes voltam a ocupar a calha principal do Rio Doce. “Se o que está planejado de tratamento dos esgotos das cidades, de retirada dos rejeitos, de reflorestamento, etc. for de fato executado, há grandes chances da água do Rio Doce se recuperar mais rapidamente”, acrescenta, destacando que é necessário também "conservar os rios afluentes que têm a fauna de peixe íntegra, como o Rio Santo Antônio, que mantém 80% da fauna de peixes da bacia".

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As conclusões do estudo integram o livro “Recuperação Ambiental da Bacia do Rio Doce: Contribuições da Ciência Após Dez Anos do Rompimento da Barragem de Fundão”, que será lançado em setembro, segundo a Ufla.

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