INVESTIGAÇÃO

Casal da Bahia comanda plantio de maconha em MG, diz investigação

Apurações sobre o esquema de produção e venda da droga avançaram com a Operação "Primeira Poda", deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais

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Os grandes plantios de maconha descobertos em Minas Gerais recentemente pertencem a um grupo criminoso que além da atuação no território mineiro tem ramificações na Bahia e no Mato Grosso. Um casal de Teixeira de Freitas (BA), é apontado como "dono do negócio”. Ele está foragido e continua sendo procurado, apurou a reportagem do ESTADO DE MINAS. Já foram presas 10 pessoas por envolvimento com a organização criminosa.

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Quatro cultivos da Cannabis Sativa foram localizados e destruídos pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em um intervalo de 21 dias: em Virgem da Lapa, Vale do Jequitinhonha, em 26 de maio; em Francisco Sá (4/6) e Porteirinha (7/6), no Norte de Minas; em Unaí (17/6), no Noroeste do estado.

As investigações, coordenadas pela Delegacia da Polícia Civil de Araçuaí (Vale do Jequitinhonha), avançaram com a “Operação Primeira Poda”, deflagrada na quinta-feira (9/7), quando foram presas cinco pessoas ligadas ao grupo criminoso do cultivo e venda de maconha. Quatro delas, com idades entre 25 e 28 anos, foram detidas em Contagem e Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Um quinto envolvido foi preso no município de Primavera do Oeste, no Mato Grosso, com o apoio do serviço de inteligência da Polícia Civil daquele estado.

A “Operação Primeira Poda” contou com a participação de mais de 40 policiais. Além das prisões em Minas Gerais e no Mato Grosso, foram feitas diligências nos municípios de Teixeira de Freitas e Itamaraju, no Sul da Bahia.

Foram apreendidos documentos e reunidas provas de atuação do casal de Teixeira de Freitas, apontado como dono do negócio do cultivo e venda da maconha no Vale do Jequitinhonha, no Norte de Minas. Foi descoberto, que num intervalo de dois meses, neste ano, o grupo teria movimentado R$ 500 mil em apenas uma conta bancária.

Um dos quatros presos na RMBH era “operador” do grupo do plantio da Cannabis – pessoa que negociava pagamentos, firmava contratos e cuidava da movimentação financeira. Com ele, foi apreendido um saco de semente de maconha. Outros três presos atuaram como “caseiros” - tomavam conta dos locais de plantio e informavam aos operadores a necessidade de compra de materiais diversos.

Durante a ação policial, foram apreendidos na Região Metropolitana de BH um carro Nivus SUV e uma motocicleta X-Saara, veículos supostamente adquiridos com o dinheiro do tráfico.

Plantio de maconha descoberto em investigação de sequestro

As investigações sobre a produção da Cannabis sativa começaram em 26 de maio, após a localização de uma plantação com 30 mil pés de maconha em Virgem da Lapa, no Vale do Jequitinhonha. Três pessoas foram presas no local e outras duas acabaram detidas por suspeita de integrar o grupo responsável pelo cultivo e tráfico da droga.

A descoberta em Virgem da Lapa ocorreu durante buscas da Polícia Civil na investigação do sequestro de uma mulher, de 36 anos, e da filha dela, de 8, em Coronel Murta, município vizinho.

Em 4 de junho, uma operação da Polícia Civil com apoio de helicóptero localizou uma plantação com cerca de 20 mil pés de maconha em uma área de difícil acesso na zona rural de Francisco Sá, no Norte de Minas. No local, foram encontrados e destruídos 1,8 mil quilos da droga, parte dela já ensacada para distribuição.

Um aspecto que chamou atenção dos policiais no cultivo clandestino em Francisco Sá foi a complexidade da estrutura montada no local.

O plantio ilegal era feito com um sistema de irrigação, com água captada de uma nascente e contando também com o uso de fertilizantes para a adubação, como se fosse uma lavoura comum. Além de internet via satélite, geradores de energia, placas solares, bomba e canos para armazenamento e distribuição da água, na área foi encontrada até uma máquina importada, fabricada exclusivamente para o processamento da cannabis pós-colheita, cujo valor pode chegar a R$ 40 mil.

No dia 7 de junho, policiais prenderam mais dois suspeitos de ligação com a organização criminosa, que estavam em uma Fiat Toro. Com eles, foram apreendidos aparelhos celulares, documentos, cartões, bagagens e equipamento de internet via satélite, que eram usados no plantio clandestino da maconha.

No dia 10 de junho, outro cultivo da droga foi descoberto na região de Alto Jatobá, na zona rural de Porteirinha, ainda no Norte de Minas. A maconha era produzida em uma área irrigada de quatro hectares e escondida em meio a um milharal. A colheita já havia sido realizada, mas 100 quilos da planta foram encontrados e incinerados no local.

Na sequência, as investigações também chegaram ao município de Unaí (Noroeste do estado), onde foi uma identificada uma área de aproximadamente seis hectares preparada para o cultivo da maconha.

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No local, foram encontrados sistema de irrigação instalado e operacional, mudas de maconha em estágio inicial, tanques de armazenamento de água, fertilizantes e outros insumos agrícolas, além de alimentos e outros itens. Também havia cultivo, usado para disfarçar e esconder a plantação ilegal da Cannabis Sativa. Foram verificados indícios de que os responsáveis abandonaram a área às pressas, pouco antes da chegada das equipes policiais.

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