LUTO

MG: morre jovem que ficou tetraplégico depois de ser baleado por patrão

Antônio Augusto Fonseca, de 17 anos, morreu por complicações de uma pneumonia. Quadro de saúde foi agravado desde que foi baleado, em 2024

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O jovem Antônio Augusto Fonseca, de 17 anos, morreu nessa quinta-feira (9/7), por complicações geradas por um quadro grave de pneumonia. O estado de saúde do adolescente, segundo os familiares, vinha piorando desde que ele ficou tetraplégico depois de ser baleado pelo próprio patrão durante uma festa de cavalgada, em São Gotardo, no Alto Paranaíba.

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Na época do ocorrido, em 2024, o adolescente chegou a passar vinte e quatro dias internado sob cuidados intensivos no Centro de Terapia Intensiva (CTI) e acabou contraindo uma infecção bacteriana que prolongou sua permanência hospitalar, gerando sequelas com as quais lutava desde então.

A vítima foi baleada na noite do dia 28 de dezembro de 2024, enquanto acontecia uma celebração no Haras Tamotsu, no km 87 da rodovia MG-235. O evento havia começado horas antes com uma confraternização e cavalgada promovida pelo empregador de Antônio, Sebastião Camargos de Oliveira. Entre 15 e 20 pessoas participavam do evento, incluindo familiares, a esposa do patrão e ao menos três crianças.

De acordo com as investigações e os autos do processo criminal, Sebastião consumiu bebidas alcoólicas em excesso durante todo o trajeto e, em dado momento da festa, por volta das 21h, sob o pretexto de "soltar um foguete", sacou um revólver que portava ilegalmente e efetuou disparos na área externa do galpão, onde o som alto abafava os disparos.

Um dos projéteis disparados pelo patrão acabou ricocheteou nas estruturas metálicas do teto do barracão e atingiu o pescoço de Antônio Augusto, que estava sentado próximo a uma mesa conversando.

Devido à confusão e ao barulho da festa, os convidados pensaram que o adolescente havia apenas passado mal, já que tombou no ombro de um amigo, mas o desespero tomou conta do local quando perceberam um sangramento na região cervical do jovem.

Enquanto o socorro era providenciado e a esposa de Sebastião assumia a direção de um veículo para levar a vítima ao hospital, as armas utilizadas pelo marido foram escondidas nos fundos da propriedade. O armamento foi localizado pela Polícia Civil em um balde atrás de um pé de bananeira.

A vítima sobreviveu à lesão grave, mas seu estado de saúde foi classificado como "crítico" por conhecidos e familiares, mobilizando campanhas de solidariedade e rifas na comunidade de São Gotardo para custear seu tratamento médico

De acordo com as informações médicas e os laudos periciais de exame corporal presentes no documento oficial do processo judicial, o impacto do projétil na região cervical (pescoço) provocou uma lesão na medula espinhal alta, deixando Antônio, tetraplégico.

Denúncia e sentença

O Ministério Público formalizou denúncia contra Sebastião Camargos, que foi acatada pelo Juiz Miller Freire de Carvalho. A promotoria sustenta que o réu agiu com dolo eventual, ou seja, quando não se quer diretamente o resultado da morte, mas assume-se conscientemente o risco de produzi-lo ao manusear e disparar armas de fogo embriagado perto de dezenas de pessoas.

O crime também carrega as qualificadoras de emprego de meio que resultou em perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima.

A defesa técnica de Sebastião defendeu a desclassificação do crime para lesão corporal culposa (sem intenção), argumentando a impossibilidade lógica de o réu prever o ricochete e a ausência de intenção de ferir o amigo

Com a morte de Antônio por complicações das lesões sofridas, o caso ganha novos desdobramentos jurídicos. O réu, que responde ao processo em liberdade sob medidas cautelares determinadas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, também é acusado de porte ilegal de arma de fogo, disparo em via pública e embriaguez ao volante. O Conselho de Sentença da Comarca de São Gotardo irá definir a condenação definitiva.

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Velório

O velório do adolescente foi realizado nesta sexta-feira (10/7) às 9h, no Salão do Clube Social de Campo Alegre. O sepultamento foi às 15h, no Cemitério Municipal de Campo Alegre. 

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