Segurança envolvido em confusão no Samba do Arco diz que estava sem apoio
Confusão aconteceu no dia 29 de junho e envolveu ex-colegas do coletivo Babadan Banda de Rua
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O segurança Rodrigo de Paula Freitas, envolvido em confusão entre ex-colegas do bloco Babadan, no dia 29 de junho, conta sua versão e afirma que segurou apenas um dos envolvidos para tentar evitar a briga. Segundo ele, a ação foi necessária porque o evento tinha equipe de apoio reduzida. A Organização do Samba do Arco declarou que o público foi muito maior do que o esperado.
O conflito aconteceu durante um evento especial para assistir ao jogo do Brasil na Copa, organizado pelo Samba do Arco, no Bairro Concórdia, na Região Nordeste de Belo Horizonte. Este não é o lugar que comumente ocorre nas edições do samba, que tradicionalmente ocupa a parte de baixo do Viaduto Santa Tereza, na região central da capital.
Na ocasião, William Pajé, diretor musical e trompetista do Bloco Babadan Banda de Rua e o ex-membro do coletivo Camilo Gan, teriam se desentendido, o que resultou em um golpe na boca de William. Através de nota publicada no Instagram, o bloco confirmou essa versão dos fatos e afirmou que durante a agressão, um segurança do bar Baticum teria segurado o trompetista.
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Em resposta, o Baticum afirmou que apesar de prestar serviços ao bar, o trabalhador não estava com a organização naquele dia. A pessoa a quem se referem é Rodrigo de Paula Freitas, segurança que foi contratado no dia pelo Samba do Arco.
Ao Estado de Minas, ele afirmou que segurou apenas um dos membros da briga porque estava sozinho durante aquela ronda. A briga iria começar do seu lado e seu primeiro movimento foi apenas conter alguém. Então, ele segurou William. “Falei mano, vão brigar aqui não”, explicou.
Ele conta que, enquanto segurava William Pajé, Camilo Gan teria desferido o golpe na boca do trompetista.
Na nota do Coletivo Babadan, Camilo esperou William se afastar de outros membros do grupo para poder confrontá-lo com um empurrão. De acordo com eles, testemunhas viram o trompetista cair no chão. Esse seria o momento em que Rodrigo segurou ele e Camilo chutou a boca da vítima. Ainda segundo a nota, o autor correu para dentro de um bar para fugir.
À reportagem, Gan relatou que William teria começado a discussão com um empurrão e que ele apenas reagiu. O ex-membro, por sua vez, afirmou que a versão do bloco é "apenas uma parte da história" e que a situação não deve ser analisada apenas por esse ponto de vista.
Rodrigo de Paula, afirma que já prestou serviços para Camilo Gan, no bloco Magia Negra mas que não tinha conhecimento sobre o desentendimento entre os membros até as declarações que ocorreram depois da briga.
Outras pessoas se envolveram na briga para evitar maiores conflitos, auxiliando Rodrigo a conter o embate.
Pouca segurança
Rodrigo de Paula disse que a organização contratou apenas dois seguranças, um pra frente do evento e outro, para ficar andando, e, o ideal, segundo ele, seriam dois fazendo a ronda juntos, para que em caso de brigas, cada um segurasse um dos envolvidos. Segundo Rodrigo, foi informado ao bloco que o número de segurança para um evento desse porte não era o ideal.
A organização do Samba do Arco rebateu, dizendo que eles estavam trabalhando com quatro seguranças, um ficava na parte de baixo, outro na parte de cima, um na porta do bar Baticum e outro circulando pelo evento. A orientação seria que caso algo acontecesse, todos se deslocassem ao local.
Eles também afirmaram que o público foi muito maior que o esperado. Eles fizeram outros dois eventos, também para ver os jogos e não receberam o grande número de pessoas. A ideia era ser um evento para a comunidade local. Segundo Rodrigo de Paula, o evento devia ter uma média de 200 pessoas.
Motivações e envolvidos
A principal motivação para a briga é um desentendimento antigo dos envolvidos. Em nota nas redes sociais, Gan conta que os desentendimentos entre ele e outros membros do Babadan são de conhecimento de muitas pessoas e começaram desde muito tempo.
"Me senti lesado por inúmeros motivos que não vou listar aqui. Justamente por esse histórico, acredito que os fatos recentes não podem ser analisados de maneira isolada, desconsiderando todo o contexto que os antecede”, escreveu.
Ele detalhou que a relação com William Pajé se estendeu profissional e pessoalmente por anos, porém se deteriorou depois de sua expulsão do bloco. E disse que foi retirado do coletivo sem nenhum dos seus direitos garantidos, afirmando ser um dos fundadores, principalmente do caráter "afrobetizador" do movimento.
"Diante das circunstâncias que envolveram esse desligamento, decidi buscar, na esfera judicial, o reconhecimento dos meus direitos e propriedades intelectuais. Infelizmente, ao longo dos últimos anos, eu e algumas pessoas fomos alvos de constantes provocações e ofensas", disse.
O Bloco Babadan Banda de Rua é presença marcante no carnaval de Belo Horizonte. Ele foi criado em 2018 e sua banda é composta por 30 músicos e uma ala de dança. William Pajé, vítima da agressão, é diretor musical e trompetista do coletivo. Ele também participa do bloco de rua Então, Brilha! e acompanha a banda Lagum em turnê.
Camilo Gan é figura presente na cultura belo-horizontina. Hoje ele participa do Bloco Afro Magia Negra, além do Samba do Terreiro como programador. Em 2024, representou o bloco em homenagem na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A solenidade, segundo a então deputada Beatriz Cerqueira (PT), ocorreu porque o bloco "arrastou o público com seus toques de tambores, trazendo para o carnaval a luta contra o racismo".
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Ele também foi homenageado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com o título doutor honoris causa em 2022 pela contribuição à propagação da cultura negra na capital. Ele esteve ao lado de outros 51 guardiões da cultura preta, que eram artistas, praticantes de religiões de matriz africana, indígenas e autoridades do Reinado.