SEGURANÇA

PM reforça combate ao uso de cerol no período de férias escolares em Minas

Na última edição da operação, em 2025, foram fiscalizados cerca de 800 estabelecimentos e apreendidos 140 carretéis

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A Polícia Militar (PMMG) lançou, na manhã desta terça-feira (23/6), a Operação Linha Segura, com o objetivo de prevenir e evitar acidentes envolvendo linhas cortantes, em especial a linha chilena. A iniciativa acontece em todo o estado e  visa, sobretudo, o período das férias escolares.

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De acordo com o capitão Rafael Veríssimo, a combinação de clima propício - sem chuva - e disponibilidade de tempo livre faz com que as crianças saiam mais de suas casas para empinar pipa, aumentando o risco de acidentes.

"Esse é um período propício para o aumento de atividades recreativas, especialmente por nossas crianças e adolescentes. Contudo, a rotina operacional da PMMG ainda tem identificado o uso ilegal de linhas cortantes. A instituição tem trabalhado nesse contexto que coloca em risco significativo os condutores de motocicletas", declara. 

As abordagens serão feitas em áreas urbanas, rurais, de preservação ambiental e estradas, assim como campanhas educativas em espaços públicos e na rede escolar com a finalidade de orientar sobre a ilegalidade das linhas cortantes e os riscos envolvidos. A polícia também vai reforçar a fiscalização de estabelecimentos que comercializam linhas e pipas.

"O objetivo principal é conscientizar a população em relação à ilegalidade do uso de linhas cortantes, proteção da vida e segurança no trânsito", diz Veríssimo.

Na edição de 2025 da operação, aproximadamente 800 estabelecimentos foram fiscalizados e cerca de 2.200 pessoas foram abordadas pelos policiais, o que resultou na apreensão de 140 materiais cortantes e, de acordo com o capitão, "dezenas de prisões". 

Tragédia

Em maio deste ano, Ravi Oliveira Dias, de apenas 1 ano e 9 meses, morreu ao ter o pescoço cortado por uma linha chilena enquanto brincava em um velotrol empurrado pela irmã, de 18, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Um motociclista que passava pela rua levava, sem perceber, uma linha chilena presa no pé de apoio da moto.

No momento em que a moto passou pela criança, um homem começou a gritar desesperadamente para que o motociclista parasse. Sem entender o que estava acontecendo, a irmã olhou para o irmão e viu a criança em silêncio, com uma grande quantidade de sangue escorrendo pelo pescoço.

Ravi foi levado para a UPA Pampulha, no Bairro Santa Terezinha, mas morreu. Conforme o prontuário médico repassado à PMMG, a linha provocou cortes profundos na traqueia, na artéria e na musculatura do pescoço da criança.

"Tivemos recentemente esse fato lamentável. A Polícia Militar conseguiu até a prisão desse autor (do crime), mas nada se compara com a perda da vida de uma criança. Por isso, essa Operação Linha Segura ganha ainda mais relevância”, disse Veríssimo.

Combate ao uso do cerol

A fabricação e a venda de linhas cortantes são proibidas em Minas Gerais desde 2019 pela Lei nº 23.515. Quem for flagrado vendendo as linhas terá que pagar R$ 3.590. O valor pode ser aumentado em até 50 vezes, o equivalente a R$ 179 mil, em casos de reincidência.

Caso a linha apreendida esteja em poder de criança ou adolescente, seus pais ou responsáveis legais serão notificados pessoalmente da infração.

O capitão Veríssimo reforça que é necessário que os pais e responsáveis orientem e conscientizem as crianças e adolescentes para que o crime seja geralmente combatido.

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"Quando o cidadão está em uma praça pública soltando pipa, e a Polícia Militar realiza a abordagem - a princípio, educativa - e verifica que está sendo utilizada uma linha cortante, esse indivíduo já está praticando o crime de colocar em perigo a vida ou saúde de outrem. Caso essa linha cortante provoque uma lesão, ele pode ser ser responsabilizado pelo crime de lesão corporal e até homicídio", explica Veríssimo.

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