Suspeito de empurrar diarista do Rola-Moça descumpriu medida protetiva
Homem teve a prisão convertida em preventiva nesta quarta-feira (27/5) e foi encaminhado ao presídio de Pirapora, no Norte de Minas
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O suspeito de sequestrar, agredir, estuprar e empurrar uma diarista de uma encosta na Serra do Rola-Moça, em Nova Lima, na Grande BH, descumpriu uma medida protetiva contra ele, emitida na sexta-feira (22/5). De acordo com documentos obtidos pelo Estado de Minas, Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, solicitou uma proteção contra o ex-companheiro, de 52 anos, na quinta-feira (21/5), que foi deferida no mesmo dia.
O Poder Judiciário intimou Silvanildo Amâncio da Silva por mensagens no WhatsApp às 12h51 de sexta-feira. Apesar de ter sido devidamente orientado, ele não enviou foto do documento de identidade para confirmação.
De acordo com o 4º Juizado de Violência Doméstica de Belo Horizonte, o suspeito estava proibido de se aproximar de Ana Cláudia a uma distância mínima de 200 metros. Ele também não poderia fazer contato por qualquer meio de comunicação, seja por celular, mensagens ou redes sociais, salvo por intermédio de advogados.
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Ainda como proteção, Silvanildo não poderia frequentar a casa, o local de trabalho da vítima, nem divulgar fotos ou vídeos íntimos dela. No entanto, ele descumpriu a medida na segunda-feira (25/5), ao raptar a mulher. Ela foi resgatada ontem (26/5) pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG) depois de ficar quase 24 horas segurando-se na vegetação do penhasco, enfrentando frio e sede.
Por trabalhar como diarista, Ana Cláudia presta serviços em diferentes bairros da cidade. Ela alegou que o suspeito foi atrás dela algumas vezes. No dia 20 de abril, Silvanildo abordou o patrão dela no Bairro Mangabeiras, na Região Centro-Sul, alegando ser casado com ela. Ele pediu para entrar na casa dele, pois queria conversar com Ana Cláudia.
Mais recentemente, no dia 8 de maio, ele foi flagrado por câmeras rondando outra residência, no Bairro Castelo, na Pampulha, onde a vítima também presta serviços.
No mesmo dia, quando o suspeito deixou a filha do casal, de 9 anos, na casa dela, ele começou uma briga por "motivos fúteis". Depois de entrarem na casa, o homem ligou para o celular da filha e pediu para falar com Ana. Segundo a vítima, ele a insultou e a ameaçou.
"Desgraça, você vai me pagar, você desgraçou com a minha vida, você me afastou da minha filha", teria dito. De acordo com ela, foi necessário desligar o telefone para encerrar os xingamentos.
No documento obtido, a vítima afirmou que o homem começou a persegui-la há cerca de quatro meses.
Prisão do autor
Silvanildo Amâncio de Araújo confessou ter jogado a vítima do penhasco quando foi preso em flagrante, nessa terça-feira. A PC informou, na manhã desta quarta-feira (27/5), que ele foi preso pelos crimes de estupro e feminicídio tentado. À tarde, ele teve a prisão convertida em preventiva. A decisão foi da juíza Renata Nascimento Borges, da 2ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da comarca de Brumadinho. Ele foi encaminhado ao presídio de Pirapora (MG), no Norte do estado.
De acordo com a polícia, Silvanildo não superou o término da relação com Ana Cláudia, com quem foi casado por 12 anos. Ele a sequestrou na segunda-feira, a agrediu e a levou para o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, onde a jogou de uma altura aproximada de 50 metros. Antes disso, ele a obrigou a fazer sexo oral.
Segundo o suspeito, ele percebeu que Ana Cláudia estava viva depois de jogá-la e tentou ir até ela, mas, devido às irregularidades do penhasco e à vegetação, ele desistiu e fugiu. Ele viajou a noite toda até chegar em Corinto, no Norte de Minas, onde dormiu dentro do próprio carro.
Na manhã de ontem, ele foi para Várzea da Palma, na mesma região, onde foi preso às margens da MGC-469, próximo a um supermercado. De acordo com a PM, ele foi monitorado visualmente enquanto caminhava pela via e foi abordado. Ele não resistiu, confirmou sua identidade e confessou a autoria do crime.
Os policiais encontraram várias facas, o canivete utilizado para ameaçar a vítima, roupas e um celular embalado em papel-alumínio – prática frequentemente utilizada por criminosos na tentativa de dificultar rastreamentos via GPS. Segundo a PM, isso indica que ele tinha premeditado o crime.
Ele foi encaminhado à delegacia e as forças de segurança atuam nos desdobramentos da ocorrência. De acordo com a PC, Silvanildo foi encaminhado ao sistema prisional em seguida, onde segue à disposição da Justiça. Ainda não há informações sobre a audiência de custódia dele.
O sequestro
Ana Cláudia foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG) na manhã dessa terça-feira e conseguiu andar e conversar normalmente após o resgate. Ela foi encontrada se segurando em uma árvore, o que indica uma queda entre 40 e 50 metros de altura. Ela virou a noite entre os mirantes do Morro dos Veados e do Planeta.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a vítima foi resgatada consciente, orientada e conseguiu se comunicar. Os militares informaram que Ana Cláudia foi localizada em uma região de mata de difícil acesso, o que exigiu uma operação especializada para aproximação e retirada segura. A aeronave Arcanjo foi mobilizada com equipe médica para auxiliar no resgate e transportar a mulher ao Hospital João XXIII, em BH, onde segue internada nesta quarta-feira.
Conforme o boletim de ocorrência, o desaparecimento começou a ser investigado depois que a filha mais velha da vítima acionou a polícia ao perceber que Ana Cláudia não havia retornado para casa. Por volta das 7h15 de segunda-feira, a mãe enviou uma mensagem à primogênita informando que havia deixado a filha, de 9 anos, na Escola Estadual Olívia Pinto, como fazia diariamente, antes de seguir para o trabalho, no Barreiro.
Ainda conforme a mensagem, ela teria visto o ex-companheiro correndo do outro lado da rua e se escondendo. A criança chegou a comentar que aquele era o carro do “papai”, mas disse não conseguir vê-lo dentro do veículo. A última mensagem enviada pela vítima foi registrada por volta das 8h. Horas depois, às 18h30, a filha mais velha recebeu uma ligação da patroa de Ana Cláudia informando que ela não havia chegado ao trabalho e também não atendia às ligações.
A jovem acionou o telefone 190 e informou o desaparecimento. Segundo a PMMG, um ex-genro do suspeito contou aos militares que conversou com ele por telefone. Durante a ligação, o homem afirmou que estava com a vítima no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, próximo ao Bairro Jardim Canadá, e ameaçou jogá-la de um penhasco.
O familiar tentou convencer o suspeito a desistir e pediu a localização exata para ajudá-lo. O homem concordou em informar o local, mas exigiu que ele fosse sozinho. No entanto, ao chegar ao ponto combinado, o suspeito já não estava mais lá e a vítima não foi encontrada.
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Ana Cláudia é natural de Janaúba, no Norte de Minas. Ela deixou a cidade e passou a morar em Belo Horizonte, onde conheceu o ex-companheiro, que é proveniente da Bahia.