PATRIMÔNIO HISTÓRICO

ALMG aprova projeto de lei que cria a Rota Nhá Chica, em homenagem à beata

A via de peregrinação abrange municípios da Região do Campo das Vertentes e do Sul de Minas

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Estrada de fé que liga o passado ao presente, une cultura e turismo à natureza e traz, nas margens, patrimônios importantes na história do estado. Foi aprovado nesta quarta-feira (29/4), em primeiro turno, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o projeto de lei para criar a Rota Nhá Chica – Caminho das Virtudes, e declarar o trecho patrimônio histórico e cultural mineiro. A longa via de peregrinação contempla municípios da Região do Campo das VertentesTiradentes, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei – e do Sul de Minas, a exemplo de Carrancas, Cruzília, Baependi, Caxambu, Soledade de Minas e São Lourenço.

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De autoria do deputado Dalmo Ribeiro (PSDB), o projeto em tramitação desde 2019 passou pelas comissões de Constituição e Justiça e Cultura, e retornará em segundo turno à Comissão de Cultura. Na sequência, irá para votação final em plenário. “Espero que a aprovação ocorra em 15 dias”, conta o parlamentar natural de Ouro Fino, Sul de Minas, e declarado devoto de Nhá Chica. Autor de várias ações para homenagear a beata que viveu no século 19, incluindo uma comenda com o nome dela, Dalmo está certo de que a iniciativa poderá fortalecer o turismo, comércio e demais atividades econômicas.


O nome da rota de peregrinação homenageia Francisca de Paula de Jesus, a beata Nhá Chica (1810-1895). Natural do distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes, em São João del-Rei, ela foi a primeira negra no país a receber tal reconhecimento, a beatificação, da Santa Sé. A cerimônia, realizada em 4 de maio de 2013, em Baependi, foi também a primeira solenidade dessa natureza em território nacional já com o argentino Jorge Mario Bergoglio (1936-2025), o papa Francisco, ocupando o trono de São Pedro – ele assumiu o posto de líder dos católicos no mundo em 13 de março daquele ano.

VIRTUDES

Na justificativa do projeto da Rota Nhá Chica – Caminho das Virtudes, totalizando 220 quilômetros, Dalmo Ribeiro explica que a via se encontra na Estrada Real – de Tiradentes a São Lourenço. O trajeto é dividido em 11 trechos, nomeados segundo as virtudes atribuídas a Nhá Chica: castidade, prudência, fé, humildade, fortaleza, justiça, pobreza, obediência, caridade, esperança e temperança. “Enquanto merecida homenagem à primeira negra do país a ser beatificada, a caminhada certamente atrairá turistas e devotos, que terão a completa oportunidade de desfrutar atrativos naturais, gastronômicos e histórico-culturais do Sul de Minas”, ressalta o parlamentar na sua proposição.


São muitos os benefícios da iniciativa. “O louvável estabelecimento da Rota Nhá Chica constitui oportuno incremento ao turismo regional, e demanda incentivos estruturais, a fim de dotar o trajeto de todos os itens necessários ao conforto do peregrino que, com a caminhada, exercita sua fé. Temos, aqui, excelente oportunidade de incentivar e promover o turismo mineiro, ampliando a base de arrecadação e, em especial, proporcionando o desenvolvimento do comércio local, gerando novos empregos e renda.”

HISTÓRIA

A cada 4 de maio, data da beatificação, o Santuário Nossa Senhora da Conceição, conhecido popularmente por Igreja de Nhá Chica, em Baependi, tem missas em louvor à mineira beatificada em 2013. Na cerimônia que reuniu cerca de 40 mil pessoas esteve presente o cardeal Angelo Amato, então prefeito da Congregação da Causa dos Santos e representante do papa. Em paralelo, durante missa no Vaticano, o papa Francisco disse estar unido a todos os brasileiros na beatificação. Nhá Chica viveu mais de sete décadas em Baependi.


A comunidade católica comemora o dia da beata em 14 de junho, data da sua morte no ano 1895. Viveu 87 anos, estando sepultada no interior da capela por ela construída. Nhá Chica chegou a Baependi ainda criança, vinda do Campo das Vertentes, acompanhada da mãe e do irmão, Teotônio. Dentre os poucos pertences, trouxeram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Em 1818, a mãe faleceu, deixando “aos cuidados de Deus e da Virgem Maria” as duas crianças – a menina com 10 anos, o menino, com12.


Conforme os estudos, Nhá Chica soube administrar muito bem e fazer prosperar a herança espiritual recebida da mãe. Nunca se casou. Rejeitou com liberdade todas as propostas de casamento que lhe apareceram. Analfabeta, compôs uma novena dedicada a Nossa Senhora da Conceição e, em Sua honra, ergueu, ao lado de sua casa, uma igrejinha, onde venerava uma pequena Imagem de Nossa Senhora da Conceição. Em 1954, a Igreja de Nhá Chica (atual santuário) foi confiada à Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor. Desde então, teve início, bem ao lado do templo, uma obra de assistência social para crianças necessitadas.

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Nhá Chica se dava bem com pobres, ricos e os mais necessitados. atendia quem a procurava, sem discriminar ninguém, sempre tendo uma palavra de conforto. Desde muito jovem, era procurada para fazer orações e dar conselhos e sugestões a pessoas que lidavam com negócio. Muitos não tomavam decisões sem consultá-la. Considerada “uma santa”, tinha uma resposta tranquila a quem lhe perguntava sobre seu jeito de ser: “… É porque eu rezo com fé”.

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