PC prende quadrilha que faturou R$ 10 milhões em golpe do IPVA em Minas
Foram realizados 24 mandados de prisão e 39 de busca e apreensão por cinco estados, e 13 pessoas foram presas. Em todo país, esquema lesou 1,2 mil vítimas
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Uma quadrilha com suspeitos de cinco estados do Brasil foi alvo da Operação Espelho Turvo, da Polícia Civil (PCMG), nesta quarta-feira (29/4), quando 15 pessoas foram presas. O grupo especializado em estelionato digital e lavagem de dinheiro falsificava os sites do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MG) e da Secretaria da Fazenda de Minas Gerais (SEF-MG).
Em três anos, a gangue lucrou R$ 20 milhões de 1,2 mil vítimas em todo o país, sendo R$ 10,4 milhões apenas em Minas.
Segundo o delegado Álvaro Homero, do Departamento de Operações Especiais (Deoesp), ao tentar pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), as vítimas enviavam o dinheiro diretamente para alguma das várias empresas do bando, perdendo o valor.
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A polícia afirma que 24 mandados de prisão preventiva, 39 de busca e apreensão, e bloqueios de ativos financeiros estão sendo cumpridos no Maranhão, Tocantins, Sergipe, Bahia e Santa Catarina.
Uma grande estrutura com policiais civis destes estados possibilitou a ação, que começou em 2024, quando o Deoesp diz ter percebido o número alarmante de golpes parecidos.
Prisões
Homero explicou que nenhum dos estelionatários é mineiro e que a maior parte vive em Imperatriz, no Maranhão, onde 13 pessoas foram detidas, incluindo um dos principais alvos da investigação, identificado pela PCMG como o “contador”. A maior parte possui entre 20 e 49 anos e mora em casas simples, mantendo uma vida sem luxos ou ostentação.
Mais dois suspeitos foram presos, um segundo grande alvo da polícia, encontrado em Sergipe, e outro no Tocantins. Nas casas foram apreendidos notebooks e celulares que serão vistoriados durante a investigação.
Eles foram presos pelos crimes de fraude cibernética, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Os golpes virtuais também eram realizados em outros estados, mas, segundo o delegado, concentravam-se em Minas Gerais, onde, segundo ele, as vítimas caíam com mais facilidade.
A Polícia Civil explicou que nenhum dos criminosos possui passagem pela Justiça em Minas Gerais, mas não é possível saber se há em registro em outras localidades
Modus operandi
Segundo a PCMG, a Operação Espelho Turvo recebeu esse nome por refletir a estratégia utilizada para os golpes.
Os suspeitos criavam sites idênticos aos do Detran-MG e da SEF-MG e faziam com que, ao pesquisar em plataformas de busca on-line, como o Google, os sites “espelhados” fossem os primeiros a aparecer.
Sem notar as diferenças mínimas, as vítimas acessavam os endereços falsos e realizavam o pagamento do IPVA via Pix. “A maior parte só percebe na segunda ou terceira parcela, quando acusa que as anteriores não foram pagas”, afirmou Álvaro Homero.
Segundo a polícia, é muito difícil interromper os golpes, pois assim que os sites enganosos são derrubados, os criminosos criam outros. Além disso, assim que o pagamento é executado os valores são transferidos para várias empresas e CPFs distintos, impedindo o rastreamento.
Todo cuidado é pouco
Ao fazer pagamentos de forma digital, o oficial recomenda conferir o endereço URL do site e os dados de quem receberá o Pix ou boleto bancário.
Segundo a Polícia Civil, quem perdeu dinheiro nos golpes terá que fazer o pagamento novamente, destinando ao Governo do Estado. Os R$ 10,4 milhões faturados pelos criminosos em Minas Gerais foram bloqueados pela Justiça e não há certeza de que serão devolvidos às vítimas, ainda segundo o delegado, o dinheiro será depositado em uma conta judicial até que o poder judiciário decida seu destino.
Parte das ações da Polícia Civil contra os crimes foram enviar notificações para o bloqueio dos sites falsos e disparar vários conteúdos informativos para que os cidadãos possam se proteger das tramas.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice