ACIDENTES E POLUIÇÃO

Danos ao meio ambiente: as emergências que voltam a preocupar Minas Gerais

Núcleo de Emergência Ambiental do estado registrou no 1º trimestre do ano 27,5% mais ocorrências do que em período equivalente de 2025, a maioria em estradas

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Os danos ao meio ambiente causados por operações de transporte de cargas perigosas, produtos tóxicos da indústria, mineração e outros poluentes já aumentaram 27,5% em Minas Gerais, apenas no primeiro trimestre deste ano. De janeiro a março, foram registradas 65 ocorrências de acidentes ambientais no estado, contra 51 em período equivalente de 2025. É o que mostra o registro de Comunicados de Acidentes Ambientais protocolados pelo Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e compilados pela equipe do Estado de Minas.

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Segundo informações do NEA, o fator humano (desleixo, desconhecimento, despreparo e omissões) é o principal elemento para os desastres que afetam o ambiente, abastecimento de água e a saúde humana. Todo incidente com elemento prejudicial ao meio ambiente deve ser reportado ao núcleo em duas horas, ou os responsáveis podem sofrer multa, que é dobrada a partir de quatro horas e triplica de 24 horas em diante. A lógica por trás dos prazos é a de que, quanto mais rápido o acionamento, menos abrangentes serão os danos.


Nos primeiros três meses deste ano, o ritmo desses desastres, contaminações ambientais e situações de riscos chegou a um a cada 1,3 dia, superando a proporção registrada no ano anterior. Com isso, o intervalo médio entre cada desastre encolheu 12 horas.


Em 2025, os atendimentos em Minas chegaram a 240 registros. Os números divulgados pelo NEA computaram, ainda, 86 acidentes ambientais entre outubro e dezembro de 2024, totalizando 388 ocorrências daquele ano até março de 2026. Os compostos identificados que mais mobilizaram os agentes do núcleo foram o óleo diesel, com 22 acidentes, carvão vegetal, com 21, e etanol, com 10 (veja lista na página ao lado).


Onde mais se polui?

A Grande BH é a região do estado com maior concentração de ocorrências, com 103 registros no período, seguida pela Região Sul, com 65, e a Central, com 53. Já a região com mais municípios afetados foi o Sul de Minas, com 34, seguida por Central, com 29, e a Região Metropolitana de Belo Horizonte, com 22.


Os sinistros rodoviários foram responsáveis por 72% das emergências atendidas, com 281 registros, seguidos pela indústria (7%), ferrovias (6%), mineração (4%), barragens de água (2%), mortandade de peixes (2%), vazamentos de gás (2%) e de efluentes (2%), em ocorrências como lançamentos de esgotos e dejetos.


Os acidentes em rodovias lideram as estatísticas de atendimentos emergenciais, e a gravidade dessas ocorrências é determinada pela natureza da carga. O maior risco está no transporte de agentes químicos, biológicos e radiológicos, devido ao potencial de contaminação imediata. As demais cargas inertes — substâncias que não reagem quimicamente com o ambiente, como o minério de ferro – também trazem riscos, pela possibilidade de soterrar cursos d'água e degradar ecossistemas.


Trânsito travado


Agir para conter emergências ambientais envolve operações complexas, demoradas e que podem prejudicar os fluxos viários. No dia 13 de fevereiro deste ano, por exemplo, em plena véspera de carnaval, uma batida entre ônibus e carreta tanque carregada de gás argônio provocou vazamento da carga e interrupção do tráfego da BR-381 (Rodovia Fernão Dias) em Lavras, no Sul de Minas, por 14 horas. Como é mais pesado que o ar, o argônio se concentra em nuvens, podendo sufocar pessoas dentro dessa área de acúmulo.


Em outro desastre, esse em 23 de agosto de 2025, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) precisou erguer às pressas um dique para represar carga de milhares de litros de biodiesel que vazaram de uma carreta-tanque depois de um acidente na BR-262, em Juatuba, na Grande BH. O combustível quase chegou a um dos córregos afluentes do Rio Paraopeba, que poderia ter sido contaminado.

“Minas Gerais é impressionante: em qualquer lugar você tem um recurso hídrico, uma nascente, um córrego, um riacho ou um brejo, e fatalmente, quando há um derramamento de produtos, eles vão atingir algum curso d’água, podendo suspender o abastecimento de uma comunidade e até de um município inteiro”, destaca o engenheiro civil ambiental Newton Oliveira, analista do NEA e integrante do núcleo desde sua constituição, em 2003, depois do desastre da contaminação do Rio Pomba, na Zona da Mata.


Em casos como esse, o atendimento passa a ser muito mais complexo, podendo exigir envolvimento de outros órgãos para interromper a captação de água, paralisar usinas, promover bloqueios, desvios e interdições. “Assim que ocorre o acidente e somos comunicados, precisamos reunir o máximo de informações possíveis antes de partir para o local. É preciso saber onde aconteceu o acidente, o nome da transportadora ou da empresa envolvida, o tipo de produto, o cenário do entorno, se existe algum recurso hídrico nas proximidades ou aglomeração urbana”, afirma Oliveira.


Uma vez no local, os profissionais do NEA acompanham e fiscalizam as ações de limpeza e minimização de danos, orientando e determinando quais os procedimentos a serem tomados para que o desastre seja controlado e não ocorra novamente.

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EMERGÊNCIA

Em caso de acidentes ambientais com risco de danos, o NEA pode ser acionado a qualquer dia e horário do ano pelos telefones de emergência (31)99822-3947 ou (31) 99825-3947

Conter a contaminação de cursos d'água é uma das prioridades das equipes
Conter a contaminação de cursos d'água é uma das prioridades das equipes Semad/Divulgação

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