Rodoviária de BH passa a integrar Circuito Liberdade
Espaço destinado a exibição de curta-metragens terá apresentações de música e teatro gratuitas
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A Rodoviária de Belo Horizonte (MG), na Praça Rio Branco, no Centro da capital, passa a integrar o Circuito Liberdade. O anúncio foi realizado em coletiva de imprensa, nesta terça-feira (14/4), no Terminal Rodoviário Israel Pinheiro.
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O objetivo da parceria, segundo a Fundação Clóvis Salgado, que administra o complexo cultural, é tornar a rodoviária um espaço turístico, cultural, educativo e criativo. A partir da nova etapa, a rodoviária estuda expandir o Cine Cardume, no mezanino do terminal, e apresentações musicais e teatrais.
Atualmente, passageiros já podem assistir a filmes de curta-metragem gratuitamente às sextas-feiras no espaço, com direito a pipoca. A meta é que o cinema ganhe mais visibilidade com a mudança.
O Circuito Liberdade tem mais de 60 equipamentos culturais no perímetro da Avenida do Contorno, na área central da cidade. Para o presidente da Fundação Clóvis Salgado e coordenador-geral do Circuito Liberdade, Yuri Mesquita, o grande fluxo de pessoas no terminal faz dele um cartão de visitas importante para BH.
"Passam pela rodoviária, por mês, mais de 600 mil passageiros, pessoas que chegam a BH já sabendo que existe aqui um grande circuito de cultura, turismo e criatividade. Queremos que o Circuito Liberdade seja essa moldura, e com a parceria, nos gratifica, avançamos muito", diz Mesquita.
O mesmo é observado pela diretora executiva da Terminais BH, concessionária da rodoviária, que reforça a cultura existente na rodoviária. "É, diariamente, um ponto de passagem e de encontro de histórias, origens e trajetórias diversas, além de uma das principais portas de entrada da capital", afirma.
De acordo com Vanessa, a integração do terminal ao complexo cultural de BH é importante, pois reconhece "os caminhos e lugares de circulação" como espaços cheios de cultura e costumes. A expectativa da diretora executiva é que o fluxo na rodoviária aumente, mas apenas de passageiros.
“O passageiro é aquele que vem com o propósito de pegar o ônibus ou ficar de passagem no nosso próprio ônibus. (Queremos) atender usuários, a população do entorno para que veja a rodoviária, como, além de um equipamento para partidas e chegadas, um espaço de arte, cultura, para que ele possa ter uma experiência diferenciada”, completou.
Falta de investimento
Embora o anúncio seja positivo para a cena cultural e turística de BH, alguns dos equipamentos do Circuito Liberdade seguem sem investimento. O Prédio Verde da Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul, abrigaria a Pinacoteca Cemig Minas Gerais, conforme anunciado pelo antigo secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, em 2022. No entanto, a atual gestão da pasta informou que não há garantia de que o projeto irá adiante, pois não há verba disponível.
Questionado sobre os imóveis abandonados e indefinidos, o coordenador executivo do Circuito da Liberdade, Lucas Amorim, afirmou que o entorno da Praça da Liberdade, onde surgiu o complexo cultural, deve ser analisado com cautela, pois trata-se de um espaço com muitos prédios tombados. Segundo ele, é necessário pensar em parcerias público-privadas para todos os equipamentos que hoje não possuem investimento.
“Tem estudos já em andamento por parte da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) para ocupação desses imóveis, mas de fato precisa de ter esse braço com a iniciativa privada para fazer a restauração, a destinação e a ocupação cultural de todos esses equipamentos. Tudo isso tem que ser pensado a longo prazo”, disse Amorim.
No caso da pinacoteca em BH, seria a primeira do estado e ocuparia dois andares do Prédio Verde, que desde 2020 passou a ser a Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais. O espaço teria como objetivo promover, preservar e proteger o patrimônio material e imaterial mineiro. A verba para a Pinacoteca Minas Gerais viria do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), mas ainda não foi viabilizada, empacando o andamento do projeto. Também não foi especificado quem faria a gestão do local.
O presidente da Fundação Clóvis Salgado reforçou a necessidade de estudar o espaço, ressaltando que grande parte dos equipamentos são protegidos pelo patrimônio cultural. De acordo com Yuri Mesquita, os órgão municipais e estaduais que defendem o patrimônio cultural realizam avaliações constantes dos imóveis, a fim de estudar possíveis intervenções.
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“Quando a gente está falando de cultura, estamos falando de patrimônio cultural e o Circuito (Liberdade) tem esse efeito de agregar um número imenso de equipamentos que são protegidos pelo patrimônio e também de manifestações de patrimônio material. Um dos objetivos é de buscar mecanismos, como fundos de patrimônio municipal, e orientar esses equipamentos para sejam feitos restauros e a avaliação do estado de conservação do patrimônio cultural”, concluiu o chefe da Fundação.