Trabalhadores da Fhemig entram no 2º dia de greve com protestos na ALMG
Servidores da fundação cobram melhores condições no ambiente de trabalho e valorização salarial
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Os trabalhadores da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) entram no 2º dia de greve nesta quarta-feira (18/3), com protestos em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os servidores reivindicam melhores condições de trabalho e valorização salarial.
A paralisação foi deflagrada nessa terça-feira (17/3) e, de acordo com a Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais (Asthemg), foi aderida por quase todos os servidores dos 15 hospitais da rede Fhemig. A greve não interrompeu 100% dos atendimentos; ainda é feito o acolhimento de pacientes em escala mínima.
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Segundo o presidente da Asthemg, Carlos Martins, a greve foi o estopim após meses sem contato com o governo de Minas Gerais e diante da indiferença demonstrada em relação aos servidores da saúde.
“Desde o ano passado, temos tentado obter do governo soluções para problemas que estão relacionados tanto à sobrecarga de trabalho e de funcionários, que passa pela quantidade de servidores, insuficiente para a assistência, e que tem levado esses profissionais a adoecerem ou a precarizar o atendimento ao paciente”, aponta Martins.
Carlos comenta que foram feitas diversas reuniões em 2025, nas quais foram apresentadas problemáticas relacionadas ao sucateamento do ambiente de trabalho dos funcionários da fundação. O governo do Estado ficou de estudar e apresentar uma solução, algo que, segundo o presidente da Asthemg, não foi feito.
“Um exemplo disso ocorre no Hospital Regional de Barbacena, que há muito tempo não tem uma cobertura”, diz. “Nesse período chuvoso, tem sido comum o adiamento de exames, porque não há como transportar o paciente para a ambulância devido à chuva, ou, em caso de situações graves, ter várias pessoas com um guarda-chuva na mão para proteger o paciente sobre a maca”, afirma o presidente do sindicato.
Além desse exemplo citado, o presidente relembrou os problemas estruturais no Hospital João XXIII, que, no final do ano passado, vivenciou um alagamento na unidade. O sistema precarizado impõe dificuldades ao médico no lançamento e na liberação de medicamentos aos pacientes.
Em relação à valorização, os servidores questionam o aumento divulgado pelo governo de 5,4%, que, de acordo com eles, não soluciona as perdas inflacionárias dos últimos três anos, que superariam 12%. Os trabalhadores ainda questionam os descontos indevidos nas folhas de pagamento.
No decorrer desta quarta-feira, os servidores fizeram um protesto em frente à ALMG, no qual enfatizaram as demandas que motivaram a greve e cobram apoio dos parlamentares para que os pedidos sejam acolhidos. O deputado estadual Lucas Lasmar (REDE) enfatizou a necessidade de uma melhor valorização dos servidores da saúde.
“O governo Zema não concede reajuste aos profissionais do Ipsemg e da Fhemig, além de elevar de 10 para 11 o número de plantões mensais dos servidores sem o aumento salarial”, pontua. “Trata-se de uma medida incoerente e injusta, que sobrecarrega profissionais submetidos à pressão constante no atendimento à saúde”, finaliza Lasmar.
Entramos em contato com a Fhemig e, até agora, não obtivemos retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Zema se pronuncia
O governador Romeu Zema (Novo) comentou sobre a greve dos trabalhadores da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), anunciada nessa terça-feira (17/3), em evento voltado para os produtores rurais nesta quarta-feira (18/3) em BH.
“Todo ano eleitoral é isso. Em 2022, foi desta maneira, foi o ano em que encontrei mais transtornos. Parece que os sindicatos e associações, muito ligados à esquerda, querem, de certa maneira, causar algum tumulto, ter algum protagonismo em ano eleitoral. Eu estou vendo isso com muita naturalidade”, afirmou Zema.
O governador de Minas Gerais afirmou que o estado vai respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal e que o reajuste proposto à categoria, de 5,4%, é o que foi possível.
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Hospitais em Greve
- Hospital Pronto Socorro João XXIII
- Maternidade Odete Valadares
- Hospital Infantil João Paulo II
- Hospital Alberto Cavalcanti
- Hospital Júlia Kubitschek
- Hospital Eduardo De Menezes
- Instituto Raul Soares – Psiquiátrico
- Casa De Saúde Santa Izabel (Betim)
- Centro Hospitalar Psiquiátrico – Barbacena
- Hospital Regional De Barbacena
- Hospital Regional Dr. João Penido - Juiz De Fora
- Casa De Saúde Padre Damião – Ubá
- Hospital Regional Antônio Dias - Patos De Minas
- Casa De Saúde Santa Fé - Três Corações
- Casa De Saúde São Francisco De Assis (Bambuí)
*Com informações de Pedro Cerqueira e Ana Luiza Soares